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Política

‘Temos que nos rebelar para mudar essa situação’, diz Lula sobre concentração de riqueza

18 de outubro de 2025 Política
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Lula discursou a estudantes na manhã deste sábado em São Bernardo do Campo (SP) (Imagem: Reprodução/CanalGov)
Do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou neste sábado, 18, reação popular contra um sistema econômico de concentração de riqueza que obstrui a ascensão social durante discurso emotivo a estudantes de cursinhos populares. Em sua fala, o chefe do Executivo criticou a reação do mercado à política fiscal do governo.

“Ninguém é pobre porque quer, ninguém gosta de se vestir mal, de comer mal. Mas tem um sistema econômico que não permite, que é a concentração de riqueza … E nós temos que nos rebelar para mudar essa situação”, afirmou Lula.

Antes do presidente, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já tinha declarado, no mesmo evento, que o País pode avançar no combate às desigualdades e injustiças sociais com o “povo na rua lutando pelos seus direitos”.

Na esteira da derrota do governo na tentativa de taxar aplicações financeiras para financiar políticas públicas dentro dos limites do arcabouço fiscal, Haddad reiterou a orientação de colocar o “pobre no orçamento e o rico no imposto de renda”. Contudo, emendou o ministro, essa determinação, que foi colocada pelo presidente Lula, incomoda o “andar de cima” – isto é, os mais ricos.

Após o governo anunciar investimentos de R$ 108 milhões na rede de cursinhos que preparam estudantes de baixa renda a vestibulares, para acesso a universidades, Lula disse em seu discurso que o programa contra a evasão escolar Pé-de-Meia precisa ser universalizado. “Dentro da mesma sala de aula tem um aluno que recebe o Pé-de-Meia e outro que não recebe. E a diferença do salário é de 50 centavos. Então, nós vamos aprovar a universalização do Pé-de-Meia para que toda a pessoa possa ter o direito de estudar. É difícil. A Faria Lima vai brigar com a gente”, declarou o presidente. Ele reiterou na sequência a visão de que colocar dinheiro na educação não é gasto, mas sim investimento na sobrevivência de populações periféricas.

As declarações ocorreram neste sábado, 18, durante um encontro com os alunos, professores e coordenadores da Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), no Ginásio Adib Moysés Dib, em São Bernardo do Campo (SP). Na ocasião, Lula estava acompanhado dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Camilo Santana (Educação), Luiz Marinho (Trabalho) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário).

Aos estudantes, Lula salientou que o desafio do governo é dar visibilidade a uma grande parte da população que era ignorada pela “elite política”. Ao relembrar a sua trajetória de vida, como ter comido um pedaço de pão pela primeira vez apenas aos sete anos, quando já estava em São Paulo, o presidente disse que já teve muitos sonhos que não pôde realizar por falta de oportunidades.

“Minha obsessão por educação é porque não tive educação”, afirmou. Lula assinalou que, se ele não teve chance, os estudantes dos cursinhos populares que assistiram ao discurso terão a oportunidade de ingressar no ensino superior. “O destino nosso, nós que traçamos, vocês serão o que quiserem ser”, exclamou o presidente.

Em tom motivacional, Lula disse aos estudantes que ninguém tem direito de desistir dos sonhos, e que o objetivo e as causas fazem a vida valer a pena. “Se foi possível para mim, é possível para vocês”, declarou o presidente.

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Assuntos concentração de riqueza, Estudantes, Lula, riqueza
Redação 18 de outubro de 2025
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