
Do ATUAL
MANAUS — O diretor de Amazônia e Meio Ambiente da PF (Polícia Federal), delegado Humberto Freire, afirmou que o combate ao garimpo ilegal na Amazônia tem o objetivo de “salvar vidas”. Ele disse que ribeirinhos e indígenas são vitimados da atividade criminosa, seja pela contaminação, seja pela cooptação por facções, e defendeu ações que unam repressão, inteligência e desenvolvimento social.
“Enfrentar o garimpo ilegal é salvar vidas, porque esses ribeirinhos, esses amazônidas que têm vulnerabilidade também estão sendo vitimados e contaminados por essa prática. Muitas vezes a gente ouve vozes defendendo como uma atividade econômica, mas a gente não pode deixar que uma atividade econômica ilegal esteja matando ribeirinhos e indígenas, como a gente viu acontecer na Terra Yanomami”, disse Freire em entrevista coletiva.

A afirmação ocorreu durante entrevista coletiva para falar sobre como irá funcionar o CCPI (Centro de Cooperação de Polícia Internacional) da Amazônia, que será inaugurado nesta terça-feira (9) em Manaus. O espaço é coordenado pela PF e integra polícias dos países amazônicos e dos nove estados da Amazônia Legal, além de contar com apoio da Interpol, Europol e Ameripol.
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O diretor explicou que a PF adota duas linhas principais de atuação: operações imediatas em áreas de exploração e investigações para identificar financiadores. Ele citou como exemplos a inutilização de equipamentos, fechamento de garimpos e prisões em flagrante.
“Precisamos fazer muita operação no local de crime […] e o segundo viés é a investigação de quem financia esses crimes ambientais”, afirmou, citando ser necessário identificar os “agentes” que atuam financiando esses crimes.
Freire acrescentou que as operações visam identificar: “Quem coordena e organiza esses organismos criminosos. Quem faz a lavagem de dinheiro, agentes públicos, que muitas vezes participam dessas organizações criminosas, sendo o braço corrupto delas”.
Conforme ele, as ações recentes miraram também o suporte logístico, como aeronaves ilegais, também “aqueles que estabelecem redes de prostituição e exploração sexual em garimpos, como fizemos na Operação Palácios em Roraima”, citou. A operação ocorreu em 2023, contra suspeitos de exploração sexual de meninas e mulheres na Terra Yanomami.
Cooptação de comunidades
Freire ressaltou que o garimpo ilegal explora a vulnerabilidade de comunidades amazônicas. Segundo ele, reduzir a pobreza e oferecer alternativas de renda são partes essenciais da estratégia para evitar que esses povos sejam cooptados pelas organizações criminosas.
“A gente precisa enfrentar o crime organizado, mas reduzir a vulnerabilidade. Reduzir a vulnerabilidade, levar riqueza efetiva para essas populações de ribeirinhos, populações indígenas”, disse. Para ele, projetos de geração de renda digna são fundamentais: “Não é esmola, é levar riqueza efetiva para essas populações.”
Ele lembrou da operação emergencial realizada em janeiro de 2023 que, segundo a PF, reduziu em 96% as áreas de garimpo na Terra Yanomami em comparação a dezembro de 2022.
Programas e investimentos
Durante a coletiva, também foram detalhadas iniciativas que devem ser anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira (9) em Manaus. Entre elas, a assinatura de dois programas e a assinatura de um contrato de R$ 150 milhões, entre União e municípios, para ações de regularização fundiária e ambiental. No Amazonas, sete municípios já foram contemplados.
Um dos programas é o Sanear Amazônia, que visa garantir acesso à água potável em comunidades de preservação, reservas extrativistas e áreas vulneráveis. A proposta é melhorar saúde, bem-estar e segurança alimentar, além de fortalecer cadeias produtivas sustentáveis.
Segundo o superintendente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Nabil Kadri, os recursos são do Fundo Amazônia, coordenado pelo MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima). Ele informou ainda que será lançado o edital “Arco da Restauração”, de R$ 79 milhões, para projetos de reflorestamento e recuperação de áreas degradadas.
“São projetos de desenvolvimento social e produtivo, com inclusão das populações indígenas, ribeirinhas, assentados de reforma agrária, quilombolas e pequenos agricultores familiares. É uma agenda de inclusão e melhoria da qualidade de vida”, disse Kadri.
Segundo ele, o centro vai reforçar o enfrentamento de crimes ambientais, tráfico de drogas, armas e pessoas, que atuam de forma transnacional na região.
