
Por Gabriel de Sousa e Geovani Bucci, do Estadão Conteúdo
BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (13) que o Brasil é, “em muitas coisas, muito mais democrático do que os Estados Unidos”. Na abertura da 4ª Conaes (Conferência Nacional de Economia Popular e Solidária), Lula afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, estaria sendo julgado no Brasil se a invasão ao Capitólio tivesse ocorrido aqui.
“Isso é um mau exemplo para a humanidade. Durante muitas décadas, os EUA tentaram se apresentar como país mais democrático e de mais oportunidades. E, agora, ele tem esse comportamento inexplicável e totalmente inaceitável”, disse. “Nós até perdoamos eles (EUA) por envolvimento no golpe de 1964”.
O presidente brasileiro afirmou que a decisão de Trump de cassar os vistos de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) não condiz com a postura de um presidente dos EUA. Além disso, o petista ressaltou que o Brasil tem sinalizado ao mundo a disposição para negociar, mas que não encontra interlocutores para o diálogo.
Lula disse que o governo federal continuará com a política de envolvimento da sociedade e políticas públicas, enfatizando que não permitirá o retorno de “tranqueiras”, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mencionado na carta de Trump, ao comando do país.
“Apresentaram um relatório dizendo que nós não respeitamos os direitos humanos porque estamos perseguindo o ex-presidente. E que o ministro da Suprema Corte que está julgando é um ditador. Não é possível que ele não conheça nossa Constituição”, continuou Lula. “Essas coisas que me deixam pasmo. Estamos precisando viver em tempos de paz. Ele está tentando destruir o multilateralismo”.
Convite a Trump
Lula revelou que enviou uma carta a Donald Trump convidando-o para participar da COP-30. “Vai ser a ‘COP da verdade’. Queremos cobrar dos governantes do mundo se eles acreditam ou não no que os cientistas falam. Que o mundo está passando por um gravíssimo problema”, disse o presidente. “Vão ter que dizer se acreditam ou não se teremos que tomar providências para que a temperatura no mundo aumente (até) 1,5°C”.
O petista também reiterou que, ainda nesta semana, pretende manter diálogo com líderes de países como África do Sul, Alemanha, França e México para construir uma reação conjunta a Trump. Para ele, a resposta precisa ser articulada e coordenada no cenário internacional, mas acompanhada de medidas internas.
“Não é correto, não é justo e não é honesto. Nunca pedi para o presidente de outro país gostar de mim ou não […] Só quero que ele me respeite como presidente do meu País”, disse Lula. “Estamos tentando negociar e não tem ninguém para conversar”.
A declaração de Lula sobre o convite para Trump participar da COP-30 ocorre em meio a críticas à conferência que será realizada em novembro, em Belém, no Pará. A crise dos altos preços de hospedagem ameaça o sucesso das negociações. O encontro multilateral pode perder força se o Brasil não garantir a participação das delegações de países menos desenvolvidos e ilhas, os mais afetados pelo aquecimento do planeta.
A COP será realizada em um clima de hostilidade global, em meio a guerras, tarifas sobre exportações e a saída dos Estados Unidos de Donald Trump do Acordo de Paris, que completa dez anos em 2025.
