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Dia a Dia

Biólogos vão ‘caçar’ roedores no AM para descobrir novas espécies

1 de julho de 2025 Dia a Dia
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Alexandre Percequillo explica que roedores são fonte de alimentos para outras espécies de animais na Amazônia (Foto: USP/Divulgação)
Do ATUAL

MANAUS – Uma equipe de nove biólogos da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) da USP (Universidade de São Paulo) em Piracicaba vai capturar ratos, catitas e preás no Amazonas para elaborar um novo inventário de mamíferos roedores da Amazônia. O grupo vai navegar pelo rio Jutaí durante este mês de julho. A finalidade é identificar também a cadeia alimentar que esses roedores proporcionam a outros animais da floresta.

O estudo, financiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), é para ampliar o conhecimento sobre a diversidade de roedores da fauna brasileira e entender como essas espécies estão distribuídas no território nacional.

Segundo o professor Alexandre Percequillo, diferente do que ocorre com os ratos e catitas urbanos, os roedores da floresta não são pragas. Pelo contrário, são uma fonte primária de alimento para boa parte dos predadores da selva, desde cobras e lagartos até felinos e aves de rapina. “Do ponto de vista ecológico, é um grupo que sustenta uma diversidade enorme de outros organismos”, diz Percequillo.

Na Amazônia, um quarto (114) das 467 espécies de mamíferos conhecidas são de roedores, das quais dois terços (73) são espécies endêmicas, isto é, que só existem na Amazônia, segundo a SBMZ (Sociedade Brasileira de Mastozoologia). Mas esse número pode ser maio segundo as novas pesquisas.

O método científico empregado é baseado na coleta e na descrição de espécimes, que são capturados na natureza e depositados em coleções biológicas mantidas por museus, universidades e outras instituições de pesquisa no Brasil e no exterior. Essas coleções são a base da pirâmide do conhecimento científico que, aliado ao conhecimento dos povos tradicionais, possibilita dimensionar a diversidade da vida selvagem.

“As coletas vão nos permitir descobrir coisas novas e conhecer melhor as espécies que já são descritas. Tão importante quanto descrever novas espécies, é mapear a distribuição e a diversidade de linhagens evolutivas que existem dentro de cada espécie”, diz Percequillo.

Segundo o professor da USP, muitas regiões da Amazônia permanecem pouco amostradas ou totalmente desconhecidas da ciência. Ao contrário da impressão que se pode ter ao olhar a floresta a partir de uma imagem de satélite ou da janela de um avião, a região amazônica não é um grande “tapete verde” de floresta homogênea, mas um gigantesco mosaico de ecossistemas fluviais, florestais em que a biodiversidade pode variar muito de um lugar para outro.

No caso do rio Jutaí, os pesquisadores preveem encontrar um “misto de espécies” típicas do rio Juruá, ao leste, e do rio Javari, a oeste (que marca a divisa do Brasil com o Peru).

“Toda vez que nós vamos a campo nós voltamos com informações novas e importantes”, diz Percequillo. Segundo o pesquisador, não há nenhum material representativo da fauna de mamíferos da região de Jutaí depositado nas principais coleções do Brasil. “O potencial de descobertas é muito grande”, diz.

De acordo com a USP, a equipe deve partir de Manaus na noite desta terça-feira (1) a bordo de um barco que servirá de base das operações e laboratório flutuante da expedição.

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Assuntos Amazonas, Amazônia, destaque, Pesquisadores, rio juruá, roedores
Milton Almeida 1 de julho de 2025
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