
Por Thiago Gonçalves, do ATUAL
MANAUS – A fusão entre o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) e o Podemos não deve alterar a representatividade política de ambos os partidos no Amazonas, avalia o cientista político Helso Ribeiro. Ele afirma que a união entre as agremiações é uma estratégia de sobrevivência partidária, sem reflexos imediatos em termos de protagonismo no Estado.
“Nem PSDB e nem o Podemos nunca foram protagonistas no Amazonas”, afirma Ribeiro. Ele afirma que as siglas sempre orbitam candidaturas mais fortes, mas não lideram projetos majoritários. “São partidos que, no máximo, apoiam candidaturas mais robustas. Nunca estiveram em disputas com chances reais ao governo do Estado ou à Prefeitura de Manaus, por exemplo”.
Segundo Ribeiro, a fusão pode até fortalecer a presença da nova legenda na eleição proporcional, como para a Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa, mas está longe de representar uma força decisiva nas disputas majoritárias de 2026.
Com a fusão, o senador Plínio Valério, presidente do PSDB no estado, deve assumir a liderança do novo partido no Amazonas. Apesar da visibilidade nacional por seu mandato no Senado, Ribeiro acredita que o parlamentar ainda não demonstrou capacidade de capitanear um projeto político estadual mais amplo.
“O Plínio é o nome do PSDB no Estado. Deve naturalmente comandar a nova legenda. Mas ele nunca foi protagonista de uma grande articulação regional. É senador, tem prestígio, mas não se coloca como liderança de ponta para disputar o governo ou formar uma chapa competitiva nesse nível”, disse.
A expectativa é que Plínio Valério tente a reeleição em 2026, mantendo o foco no Senado. “É provável que o partido caminhe com alguma candidatura mais forte ao governo, vendendo bem esse tempo de TV, estrutura e apoio regional. Mas a sigla seguirá como coadjuvante.”
A nova legenda busca se posicionar no campo da centro-direita, espaço já ocupado por siglas como União Brasil, PSD, PL e Republicanos. Para Ribeiro, a falta de uma liderança estadual forte tem impedido a consolidação de um projeto político nesse campo.
Único senador da nova legenda no Amazonas, Plínio Valério deve assumir o comando do partido no estado. Ao ser questionado sobre a liderança local da sigla, o parlamentar explicou: “Tudo está sendo tratado entre as duas executivas nacionais, mas onde tiver senador, a ele caberá o comando regional”.
Plínio disse que, por ora, ainda não houve contato formal sobre a organização no Amazonas, pois a fusão “ainda não foi oficializada” nacionalmente. No entanto, afirmou que o novo partido terá, sim, foco nas disputas majoritárias. “Partido que não disputa majoritária não cresce”, sintetizou.
O senador também foi objetivo ao responder se já existem nomes cotados para a disputa estadual de 2026 pela nova legenda: “Nada”. Apesar disso, ele acredita que a fusão representa um avanço para o campo político em que atua. “Não só no Amazonas, mas será bom para o cenário nacional”, disse.
Sobre a posição da nova legenda em relação ao governo estadual, Plínio pontuou: “Ainda não posso falar pelo novo partido, mas se depender do PSDB, a mesma oposição de hoje”.
Aprovação da fusão PSDB e Podemos O PSDB aprovou em convenção nacional, nesta quinta-feira (5), a proposta de incorporação do Podemos. A fusão ainda precisa ser aprovada pelo Podemos e homologada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A nova sigla deve ser nomeada como PSDB+Podemos e terá 7 senadores e 22 deputados federais. A união é para fortalecer ambos os partidos para as eleições de 2026.
