
Um mês depois de superar com folga a barreira dos 100 mil dólares, o Bitcoin (BTC) começa a perder espaço para rivais. Dados do índice BTC.D, calculado pela TradingView, mostram que a fatia de mercado da criptomoeda caiu de 65% para 62% entre 1º e 15 de maio, o recuo mais acentuado desde novembro de 2023.
A diminuição aconteceu mesmo com a capitalização total dos criptoativos indo de 2,9 trilhão de dólares para 3,24 trilhão de dólares no mesmo intervalo, sinal de que parte do dinheiro novo não está indo para o ativo mais antigo, mas sim para moedas alternativas. Esse esvaziamento na “dominância” do BTC tende a liberar liquidez outros projetos.
Especialmente aqueles que vinham subindo em ritmo menor, como Ether (ETH), Solana (SOL) e os tokens ligados a jogos em blockchain. Segundo o CEO da Alphractal, João Wedson, 37 das 57 moedas acompanhadas em seu índice proprietário já superaram o desempenho do Bitcoin nos últimos 60 dias.
Isso serviu de estopim para o debate sobre uma nova alt-season. Wedson projeta que o movimento será mais visível em junho, quando o investidor deve ver fluxos migrando de um market cap próximo de US$ 2 trilhões do BTC para outros ativos. Ao mesmo tempo, cresce no Brasil a demanda por ferramentas de inteligência artificial capazes de facilitar o acesso a criptoativos de forma automatizada e segura.
Hoje em dia, ao comprar cripto IA os brasileiros tem cesso a plataformas que combinam machine learning, análise on-chain e dados macroeconômicos em painéis intuitivos, reduzindo barreiras técnicas e custos operacionais. Essas soluções permitem executar ordens fracionadas e programar rebalanceamentos.
É possível até acompanhar sinais de sentimento em tempo real, tornando a jornada de alocação tão fluida quanto um “swipe” no celular. Tudo isso explica porque as expectativas para 2025 são tão positivas para o mercado cripto.
Mas por que uma alt-season se torna cada vez mais provável?
O principal gatilho de uma temporada forte de altcoins costuma ser justamente a perda de dominância do Bitcoin. Em 2017, por exemplo, o indicador cedeu 14 pontos percentuais em menos de quatro meses; em 2021, a queda foi de 18 pp. O padrão se repete agora, mas com dois ingredientes extras.
O primeiro é a escalabilidade. A “Pectra”, maior atualização da rede Ethereum desde 2022, foi ativada no fim de abril e já impulsionou o ETH a uma alta de 45% só em maio, contra 10,7% do BTC. Sempre que o par ETH/BTC ganha fôlego, análises estatísticas apontam que o dinheiro tende a escorrer para projetos menores na sequência.
E o outro é, claro, a diversificação institucional. Fundos listados em B3 e Nasdaq passaram a captar carteiras temáticas que incluem IA, games e Real-World Assets (RWAs) tokenizados. Esses produtos reúnem altcoins de capitalização média, muitas delas ainda abaixo das máximas de 2021.
Os primeiros reflexos já aparecem nos derivativos. De acordo com números da CME compilados pela CoinDesk, o volume de opções sobre ETH saltou 68% em 30 dias, ritmo três vezes maior que o observado nos contratos sobre Bitcoin no mesmo período. O mercado precifica a possibilidade de que a relação ETH/BTC rompa 0,032 até o fim de junho, patamar que geralmente coincide com ciclos altistas mais amplos.
Reflexos diretos no Brasil: Volume, tributação e apetite ao risco
Embora boa parte das altcoins ainda seja negociada em bolsas estrangeiras, o investidor brasileiro tem mostrado apetite. Segundo a Receita Federal, o volume de operações declaradas em cripto aumentou em mais de 24% entre janeiro e setembro de 2024, para cerca de R$ 248 bilhões.
Já uma amostra de 11 corretoras nacionais indica que, mesmo com a queda global de liquidez em fevereiro, o giro alcançou R$35,1 bilhões no primeiro trimestre de 2025, puxado por ordens em altcoins “mid-cap” como Avalanche e Near, apontam dados da Kaiko. Do ponto de vista fiscal, nada mudou.
Transações acima de R$ 5 mil por mês continuam tendo que ser reportadas no GCAP, e ganhos superiores a R$ 35 mil no mês geram IR de 15% a 22,5%, conforme lembra o guia atualizado da Receita para 2025. A diferença é que cada vez mais contribuintes somam posições em múltiplas cadeias.
Ao invés de apenas BTC e ETH, já despontam no radar carteiras com Polkadot, Aave e memecoins locais como BRZ. O risco-retorno também mudou, volatilidades implícitas médias (30 dias) de altcoins caíram para perto de 60% ao ano, nível idêntico ao observado no BTC em 2022, segundo a Glassnode.
Isso explica por que muitos gestores brasileiros incluíram esses ativos em mandatos de “high-beta” normalmente reservados a small caps da B3. Mesmo sem mudanças grandes cambiais, o giro em exchanges domésticas já superou R$ 35 bilhões no trimestre, manter-se acima de R$ 12 bilhões por mês seria um sinal de apetite contínuo.
