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Política

‘Quero vender e comprar’, diz Lula ao descartar ‘guerra fria’ com EUA ou China

22 de abril de 2025 Política
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Lula
Presidente Lula declarou não ter preferência por China ou EUA para vender produtos fabricados no Brasil (Foto: Ricardo Stuckert/PR)
Por Sofia Aguiar e Gabriel Hirabahasi, do Estadão Conteúdo

BRASÍLIA- O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou não querer “guerra fria”, nem ter que fazer opção entre Estados Unidos e China. Segundo ele, o Brasil não quer ter preferência sobre um ou sobre outro.

“Eu quero vender e comprar”, disse Lula. “Eu não quero fazer opção entre Estados Unidos ou China. Eu quero ter relações com os Estados Unidos, quero ter relação com a China. Eu não quero ter preferência sobre um ou sobre outro. Quem tem que ter preferência são os meus empresários que querem negociar”, afirmou, em declaração à imprensa nesta terça-feira (22), ao lado do presidente do Chile, Gabriel Boric.

“Eu quero vender e comprar, vender e comprar, vender e comprar, fazer parceria”, completou o chefe do Executivo brasileiro. “Na hora que você tem um presidente da República de um país importante, como os Estados Unidos, que resolve estabelecer a discussão favorável à política protecionista, contrário a tudo o que foi falado para nós desde os anos 80, globalização e livre comércio, e de repente nada disso vale a pena, e o que vale a pena é o protecionismo”, contou.

Na avaliação de Lula, o Brasil não tem que “disputar cargo” na América Latina. “O Brasil, por si só, já é grande. O Brasil não precisa dessa disputa. O Brasil precisa apoiar que as coisas sejam feitas pelas melhores pessoas possíveis”, comentou.

O chefe do Executivo brasileiro ressaltou a necessidade de se buscar e diversificar os parceiros comerciais. “Senão vamos continuar mais um século pobre”, pontuou. Em sua avaliação, as instituições multilaterais não foram feitas para países pobres, mas para colonizadores.

Lula convidou Boric a comparecer à Cúpula do Brics deste ano. Além disso, sugeriu que o chileno vá à China para participar da Cúpula Celac-China, em Pequim. Ele, então, disse que o ex-chanceler Celso Amorim, hoje assessor especial, pode “conseguir” que Boric tenha uma reunião bilateral com o presidente da China, Xi Jinping.

O presidente também defendeu um “processo de negociação” com os Estados Unidos sobre a imposição de tarifas de importação de produtos brasileiros. Lula disse que “somente o multilateralismo pode trazer um equilíbrio na relação comercial e política”.

“Eu acho que a gente vai ter que estabelecer um processo de negociação, por mais difícil que seja. A gente não pode desistir de acreditar que somente o multilateralismo pode trazer um equilíbrio na relação comercial e política. A nós brasileiros não agrada essa disputa estabelecida pelo presidente (dos EUA, Donald) Trump”, declarou Lula a jornalistas.

O presidente disse que a guerra comercial entre EUA e China não é conveniente às duas nações nem a qualquer outro país do mundo.

“O que queremos é estabelecer uma política de cordialidade comercial, em que a gente possa respeitar os direitos humanos, tratar os imigrantes com o respeito que merecem. O mundo precisa voltar a uma certa normalidade. Não pode ser induzido à raiva, ao ódio, ao preconceito. Não tem lógica. Espero que com a morte do Papa Francisco isso possa representar algum sinal de que os seres humanos precisam mudar para melhor”, afirmou Lula.

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Cleber Oliveira 22 de abril de 2025
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