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Política

Alcolumbre é eleito para Presidência do Senado com ampla maioria de votos

1 de fevereiro de 2025 Política
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Davi Alcolumbre ao depositar voto nele mesmo: de volta ao comando do Senado (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)
Davi Alcolumbre ao depositar voto nele mesmo: de volta ao comando do Senado (Foto: Andressa Anholete/Agência Senado)
Por Gabriel Hirabahasi, Amanda Pupo e Guilherme Cetano, do Estadão Conteúdo

BRASÍLIA – O Senado elegeu neste sábado (1º) Davi Alcolumbre (União-AP) presidente da Casa pelos próximos dois anos. O parlamentar do Amapá recebeu 73 dos 81 votos da Casa e volta ao cargo que ocupou entre 2019 e 2021. O mínimo de votos era de 41. Os senadores Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) e Eduardo Girão (Novo-CE), que também disputavam o cargo, obtiveram 4 votos cada um. Alcolumbre sucede a Rodrigo Pacheco (PSD-MG), de quem é padrinho político.

Favorito durante todo o processo, o senador do União Brasil derrotou Eduardo Girão (Novo-CE) e Marcos Pontes (PL-SP). Marcos do Val (Podemos-ES) e Soraya Thronicke (Podemos-MS) também registraram suas candidaturas, mas retiraram seus nomes da disputa durante o discurso em plenário.

No discurso que precedeu a votação, Alcolumbre citou a “controvérsia envolvendo as emendas parlamentares como um desafio a ser enfrentado pelo Congresso  e mandou um recado ao STF (Supremo Tribunal Federal) dizendo que as prerrogativas do Legislativo devem ser respeitadas.

Ele também reiterou um “compromisso inafastável” com a democracia e disse que é preciso “resistir aos atalhos populistas”, evitar “os rótulos de discursos fáceis” e as “distorções de debates nas redes sociais” feitas por meio de “simplificações mal intencionadas”.

Mesmo longe da presidência nos últimos quatro anos, Alcolumbre manteve sua influência na Casa com o comando da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e aglutinou apoio desde o PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, até o PL, sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro,para sua candidatura.

MDB, PSD, PL, União Brasil, PT, PP, PDT, PSB e Republicanos, quase todas as legendas com representação na Casa, apoiaram a eleição de Alcolumbre.

Essa ampla frente formada terá como principal resultado o retorno do PL a cargos de destaque na Casa Alta do Congresso e a redistribuição das principais comissões. O partido de Jair Bolsonaro deve conseguir a primeira vice-presidência, posto estratégico que foi ocupado pelo MDB ao longo dos quatro anos de mandato de Rodrigo Pacheco. Eduardo Gomes (PL-TO) deve ser o escolhido.

O PT, por sua vez, deve ficar com a segunda vice, cargo menos importante que a primeira secretaria que o partido tem até o momento. O ex-ministro da Saúde Humberto Costa (PE) é o escolhido dos petistas para a vaga.

A próxima etapa da eleição é a votação para os outros cargos da Mesa Diretora. O acordo é para que a distribuição fique assim:

  • Primeira Secretaria: Daniella Ribeiro (PSD-PB);
  • Segunda Secretaria: Confúcio Moura (MDB-RO);
  • Terceira Secretaria: Chico Rodrigues (PSB-RR);
  • Quarta Secretaria: Laércio Oliveira (PP-SE).

O cenário de vitória de Alcolumbre retomou uma tradição de eleições tranquilas, com uma ampla margem a favor do vencedor. Em 2023, quando Rodrigo Pacheco foi reeleito, o placar foi de 49 votos a 32 a favor do senador mineiro contra Rogério Marinho (PL-RN). Quando foi eleito pela primeira vez, em 2019, Alcolumbre venceu por 42 votos a 13. Em 2015, Renan Calheiros (PMDB) derrotou Luiz Henrique (PMDB) por 49 votos a 31, e em 2009, José Sarney (PMDB) venceu Tião Viana (PT) por 49 votos a 32.

O próprio Sarney protagonizou uma das vitórias mais amplas – 70 votos a 8 contra Randolfe Rodrigues, então integrante do PSOL. Renan também teve uma goleada na sua conta: venceu por 72 votos a quatro em 2005 – mas naquele ano, ele foi candidato único, e os quatro votos foram computados apenas como contrários.

Trânsito com a esquerda e com a direita

Alcolumbre tem bom trânsito com a direita e com a esquerda e, nos últimos anos, durante a gestão de Pacheco, seu aliado, na presidência do Senado, foi responsável por boa parte das negociações envolvendo emendas parlamentares e cargos.

São atribuídas a ele, por exemplo, indicações nos ministérios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva das Comunicações, com Juscelino Filho, e da Integração Nacional, com Waldez Góes.

Senador de segundo mandato – foi eleito pela primeira vez em 2014 –, Alcolumbre, de 47 anos, está na política em cargos públicos desde 2001, quando tomou posse como vereador de Macapá. À época, tinha 23 anos e era filiado ao PDT. Em 2002, foi eleito deputado federal pelo mesmo partido. Trocou de sigla em 2006, quando migrou para o PFL, que mudou de nome para DEM em 2007 e depois se fundiu com o PSL para formar o União Brasil, legenda à qual está filiado até hoje.

O senador amapaense é muito cordial com seus pares e conquistou nos últimos anos o espaço de protagonista nas negociações da Casa Alta do Congresso com quem quer que esteja no Palácio do Planalto. No governo de Jair Bolsonaro, estabeleceu uma aproximação da Casa com o então presidente.

Desde que deixou a presidência do Senado, em 2021, o senador amapaense manteve-se em uma posição de destaque na Casa. Foi presidente de um dos mais importantes colegiados, a Comissão de Constituição e Justiça por quatro anos. Esta foi uma forma de Alcolumbre cumprir o que ele chamou, em conversas com amigos, de um “ciclo”.

Como mostrou a Coluna do Estadão, o parlamentar tem sido classificado por petistas como o “novo Lira”, em referência à difícil e volátil relação que o deputado Arthur Lira (PP-AL), na presidência Câmara, teve nos últimos dois anos com o governo.

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Assuntos Davi Alcolumbre, Senado
Cleber Oliveira 1 de fevereiro de 2025
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