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Política

Bolsonaro reclama de inelegibilidade e distorce conceito de democracia

31 de janeiro de 2025 Política
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Jair Bolsonaro busca associar Lula a crises na economia (Foto: Alan Santos/PR)
Jair Bolsonaro reclama de inelegibilidade, mas não tem plano B para reverter impedimento eleitoral (Foto: Alan Santos/PR)
Por Juliano Galisi, do Estadão Conteúdo

RIO DE JANEIRO – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou a reclamar, nesta sexta-feira (31), de sua inelegibilidade, mas evitou responder se acredita na reversão das penas e não citou nenhum “plano B” para as eleições de 2026.

Em entrevista à Rádio Bandeirantes Goiânia, o ex-presidente disse que as condenações pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) são “negações à democracia”. Bolsonaro voltou a utilizar um paralelo com a ditadura da Venezuela. “Igual na Venezuela, torna inelegível os concorrentes”, disse, referindo-se aos casos de María Corina Machado e Edmundo González.

Bolsonaro evitou responder se acredita, de fato, que poderá reverter as decisões da Justiça Eleitoral até a eleição presidencial de 2026. Ele está inelegível até 2030. Também não houve resposta sobre um eventual “plano B” para seu grupo político.

Na semana passada, em entrevista à CNN Brasil, o ex-chefe do Executivo avaliou nomes da direita que poderiam disputar o cargo caso ele não reverta sua situação na Justiça Eleitoral.

Bolsonaro não descartou candidatura dos filhos, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no próximo pleito. Ele admitiu ainda que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro pode ser um nome, mas depois recuou.

Críticas a Marcos Pontes

Bolsonaro retomou as críticas à candidatura de Marcos Pontes (PL-SP) à presidência do Senado. O Congresso elege novos presidentes neste sábado, dia 1º de fevereiro.

O senador paulista mantém uma candidatura à revelia do partido, que apoiará Davi Alcolumbre (União Brasil), favorito para retomar o cargo que exerceu entre 2019 e 2021. O ex-presidente queixou-se da justificativa de Pontes de que mantinha a candidatura ao comando da Casa para honrar o seu eleitorado.

Segundo Bolsonaro, os votos de Pontes, na verdade, são votos dele. “Não se elegeu deputado federal em 2018, em 2022 foi o senador mais votado. Agora o voto é dele”, disse o ex-presidente.

Em 2014, Marcos Pontes foi candidato a deputado federal pelo PSB Obteve 43.707 votos e não foi eleito. Em 2018, Pontes foi o segundo suplente na chapa ao Senado do bolsonarista Major Olímpio, do PSL, eleito com 9.039.717 votos, a maior votação para o cargo no Estado.

Foi ministro da Ciência e Tecnologia do governo Bolsonaro de 2019 a 2022. No mesmo ano, foi eleito senador da República por São Paulo, com 10.714.913 de votos.

Jair Bolsonaro afirmou que, se eleito, Alcolumbre fornecerá espaços ao PL nos cargos do Senado. “Em apoiando [Davi Alcolumbre], vamos ter a vice-presidência e duas comissões boas, além da relatoria do orçamento”, disse.

Ainda sobre o Senado, expressou que a prioridade do PL para 2026 serão os pleitos para a composição da Casa. “Ano que vem, serão mais importantes eleições para senadores do que para governadores”, afirmou.

Cassação de Carla Zambelli

Bolsonaro expressou ainda apoio à deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), cassada nesta quinta-feira, 30, pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) paulista.

“Ela foi cassada por abuso de liberdade de expressão”, disse o ex-presidente. Cabe recurso da decisão do TRE, que não atinge o mandato da parlamentar de imediato.

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Assuntos democracia, inelegibilidade, Jair Bolsonaro
Cleber Oliveira 31 de janeiro de 2025
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