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Clima está diferente na Amazônia, mas não deve afetar ciclo de chuvas

18 de janeiro de 2025 Dia a Dia
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Seca de 2023 no município de Benjamin Constant, no Alto Solimões - (Foto: Divulgação/Defesa civil)
Seca de 2023 no município de Benjamin Constant, no Alto Solimões: efeito do El Niño e desmatamento (Foto: Divulgação/Defesa civil)
Por Milton Almeida, do ATUAL

MANAUS – Os especialistas em clima e ciências ambientais são cautelosos sobre se o período de chuvas na Amazônia vai ser menor e se as estiagens vão ser mais fortes nos próximos anos, mas admitem que “está diferente”.

“As mudanças climáticas interferem na sazonalidade dos rios porque são decorrentes de desmatamento e intervenções humanas. A localização das chuvas pode mudar de lugar. Por exemplo, em lugares onde não chovia passa a chover e em lugares onde havia abundância de água passa a faltar água”, diz Adorea Rebello, doutora em Geografia Física e professora da Ufam (Universidade Federal do Amazonas).

Apesar das mudanças climáticas, Adorea afirma que os rios não vão desaparecer e não há evidências científicas para afirmar que haverá rios mais secos do que cheios. Ela cita que o Rio Amazonas tem um regime misto de subida, quando o volume de água de um rio é causado tanto pela chuva quanto pelo degelo, neste caso, pela Cordilheira dos Andes.

“Temos que procurar energias limpas, que colaborem a melhorar o clima, a equilibrar o ciclo hidrológico, as mudanças climáticas e evitar a interferência nas cheias e vazantes dos rios”, diz.

Para Renato Senna, pesquisador do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia), 2023 e 2024 foram anos “muito secos” devido às condições oceânicas do Atlântico e do Pacífico, o que ele considera uma situação desfavorável às chuvas na Região Norte, mas afirma que teremos “chuvas abundantes”.

“Desde o início do ano as águas mais frias no Pacífico indicam a possibilidade de um evento La Niña se estabelecer, o que favorece a estação chuvosa abundante em boa parte da Amazônia”, diz Senna.

Outro fator que leva à seca dos rios está relacionado com o solo, o que vai permitir que o tempo de permanência da água seja maior ou menor nos leitos dos rios. “Uma coisa puxa outra. Os solos precisam ter a composição original deles, areia, silte e argila (além de matéria orgânica. Se você tem solos muito arenosos, você tem solos drenados (que puxam a água para baixo). E o que leva a arenização dos solos? O desmatamento. Portanto, o desmatamento deixa o solo arenoso e dificulta a permanência da água nas bacias dos rios”, diz Rebello.

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Assuntos chuvas, destaque, mudança climática, Rio Amazonas, Rio Negro, seca dos rios
Milton Almeida 18 de janeiro de 2025
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