

Do ATUAL
MANAUS – Das 19 apostas do PT para formação de bancada na Câmara Municipal de Manaus, apenas uma se confirmou nas eleições municipais do dia 6 de outubro. O ex-deputado federal José Ricardo foi eleito com 17.395 votos, o segundo mais votado atrás de Sargento Salazar (PL), que recebeu 22.594 votos. Ele substituirá Sassá da Construção, que não foi reeleito.
Zé Ricardo, como é conhecido, recebeu R$ 368.170,00 do Fundo Especial de Financiamento de Campanha – o Fundão Eleitoral, repassado pelo partido. Anne Moura, que se declara indígena, recebeu R$ 428.488,09 e obteve apenas 2.399 votos. Anne ainda obteve R$ 52.186,00 em doações de pessoas físicas e Zé Ricardo R$ 44.931,00.
A advogada Chris Melchior foi a candidata do partido com menos votos: 67 votos. Ela recebeu R$ 31.647,80 do Fundão, único recurso declarado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Também candidata pelo PT, Patrícia Carvalho recebeu 70 votos. Ela declarou R$ 93.081,76 de arrecadação para a campanha, recurso também do Fundão Eleitoral.
Outros dois candidatos – Félix Valois e o próprio Sassá – receberam doações de pessoas físicas, além dos recursos públicos. Com os 19 candidatos, o PT utilizou R$ 1,952 milhão do Fundão nas campanhas.
Zé Ricardo atribui a eleição à pré-campanha, ao diálogo com instituições federais e ao corpo a corpo com os eleitores. “Antes das eleições, eu me movimentei bastante. Não podia pedir votos, mas expliquei minhas propostas. Isso influenciou muito. As pessoas sabem que eu fui um parlamentar federal, que eu consegui recursos para as instituições (de educação). Eles viram meu desempenho e me deram apoio”.
“Quem tem uma caminhada de lutas sociais e na educação não precisa de muitos recursos (financeiros). Você precisa de recursos suficientes para se movimentar na campanha. Sobre a Anne, eu acho que vai chegar o momento dela, vão reconhecer o trabalho dela e, se ela não desistir, vai conseguir”, acrescentou.
Engajamento
Para o doutor em Sociologia e professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Marcelo Seráfico, nas eleições há questões organizacionais, ideológicas, político-eleitorais, comunicacionais, que são também decisivas para o resultado das urnas.
“A militância de um(a) candidato(a), logo, sua relação com os cidadãos que podem vir a escolhê-lo(a) como representante político, não se limita às atividades financiadas pelos recursos do fundo eleitoral”, diz. “Os candidatos, muitas vezes, têm uma história de engajamento em causas e movimentos, o que lhes confere, inclusive, espaço dentro dos partidos, o que implica a possibilidade mesma de indicação a concorrer a um pleito”.
Para o especialista, o fundo eleitoral público financia as apostas que os partidos fazem em pessoas que se propõem a representar interesses de camadas, grupos e classes sociais, mas se a aposta terá ou não sucesso é algo que tem a ver com o uso dos recursos.
“Portanto, menos do que estabelecer uma relação direta, imediata e de causa e efeito entre volume de financiamento e resultado eleitoral, é preciso avaliar os critérios utilizados pelos partidos para investir em suas candidaturas”, diz.
“Por exemplo, se é prioritário para um partido constituir uma bancada que defenda os interesses dos trabalhadores com sensibilidade para questões macro, como as da saúde, educação, emprego etc, mas atenta para as nuances envolvendo os múltiplos preconceitos (de classe, origem, sexo, gênero, raça, idade) caberá, provavelmente, escolher os que tenham esse perfil”, complementa.
Os canais digitais também podem servir de lugares de encontro entre candidatos e eleitores. “Não devemos nos esquecer de que a rede mundial de computadores e as plataformas de interação social que nela funcionam criaram um espaço novo para a política. Espaço esse no qual há candidatos em campanha permanente, antes, durante e depois do período eleitoral. Alguns deles se elegem ou têm resultados eleitorais expressivos sem mesmo ter acesso ao financiamento público”, diz.
Confira a relação de candidatos do PT e número de votos recebidos nas urnas. O valor total corresponde ao recebido do Fundão Eleitoral para a maioria dos candidatos do partido.
Adolpho Castro (258 votos) – R$ 15.823,90 (Fundão) e R$ 15.823,90 (total arrecadado)
Anne Moura (2.399 votos) – R$ 428.488,09 (Fundão) e R$ 480.674,83 (total)
Cacique Agenor (123 votos) R$ 15.823,90 (Fundão) e R$ 15.823,90 (total)
Camila Silva (184 votos) R$ 46.647,80 (Fundão) e R$ 46.647,80 (total)
Chris Melchior (67 votos) R$ 31.647,80 (Fundão) e R$ 31.647,80 (total)
Cristiane Sales (1.298 votos) R$ 93.081,76 (Fundão) e R$ 93.081,76 (total)
Delegado João Tayah (3.357 votos) R$ 158.239,00 (Fundão) e R$ 170.622,06 (total)
Dulce Sena (1.786 votos) R$ 132.641,51 (Fundão) e R$ 132.641,51 (total)
Eduardo Silva (337 votos) R$ 31.647,80 (Fundão) e R$ 31.647,80 (total)
Félix Valois (780 votos) R$ 15.823,90 (Fundão) e R$ 21.592,90 (total)
Idilva Gondim (194 votos) R$ 31.647,80 (Fundão) e R$ 31.647,80 (total)
José Ricardo (17.395 votos) R$ 323.239,00 (Fundão) e R$ 368.170,00 (total)
Luiz Borges (690 votos) R$ 93.081,76 (Fundão) e R$ 93.081,76 (total)
Negão de Manaus (120 votos) R$ 31.647,80 (Fundão) e R$ 31.647,80 (total)
Patricia Carvalho (70 votos) R$ 93.081,76 (Fundão) e R$ 93.081,76 (total)
Professor Luiz Antonio (313 votos) R$ 31.647,80 (Fundão) e R$ 31.647,80 (total)
Professor Miguel (634 votos) R$ 31.647,80 (Fundão) e R$ 31.647,80 (total)
Sassá da Construção Civil (5.506 votos) R$ 173.239,00 (Fundão) e R$ 201.656,20 (total)
Thiago Medeiros (1.779 votos) R$ 173.239,00 (Fundão) e R$ 173.239,00 (total)
