
MANAUS – A tragédia climática no Rio Grande do Sul e suas consequências para a vida de milhões de pessoas é motivo de preocupação e ações de prevenção em relação aos efeitos climáticos no Amazonas, com as enchentes e as severas secas.
O que acontece no RS é considerada a maior tragédia climática da história do estado, atingindo 90% dos municípios (447), causando, até agora, 145 mortes. Além centenas de desaparecidos, 2 milhões de pessoas afetadas e milhares de desabrigados.
As intensas chuvas e ventos fortes causaram enchentes nos diversos rios, causando alagações e destruições nas cidades, rompendo estradas e promovendo paralisação de serviços de energia e água. A capital Porto Alegre, em seu centro histórico e o próprio aeroporto, ficaram totalmente alagados.
Uma grande onda de solidariedade ocorre em todo o Brasil para ajudar a população gaúcha com alimentos, água, medicamentos, roupas, cobertores e recursos financeiros. No Amazonas, muito gestos e ações estão em andamento, incluindo a possibilidade de doações financeiras por meio da Cáritas Arquidiocesana de Manaus.
Esta tragédia mostra a força das questões climáticas. Os cientistas já alertam há muito tempo as consequências do desmatamento, das agressões ao meio ambiente, as construções nas cidades que aterram rios, lagos, igarapés, canalizam as águas, muito concreto e pouco espaço verde.
As ações de prevenção ajudam a evitar tanto sofrimento e prejuízos. No Amazonas, todo ano tem enchentes e secas. Mas nos últimos 10 anos, os fenômenos estão mais intensos. A maior enchente do Rio Negro foi em 2021, antes tinha sido a de 2012. A maior seca dos rios no Amazonas foi em 2023, e antes foi em 2010.
A seca histórica do ano passado, a maior desde 1902, deixou rios e igarapés secos, com dificuldade de acesso as comunidades isoladas, sem água e comida. E muito se falou que é necessário ações de prevenção. Mas isto está em andamento? Dizem que a seca desde ano será maior.
Tem recursos para ações que minimizem as ações de desastres naturais, as enchentes, secas, que possam combater os crimes ambientais, como as queimadas e desmatamentos? Manaus ainda não tem o Plano de Ação Climática, dizem que está em andamento. No Portal da Transparência do Governo do Estado diz que tem apenas R$ 2 milhões para ações de prevenção à desastres. Isso não é nada. Aliás, quanto tem para a Defesa Civil?
E na Amazônia, o desmatamento, as queimadas e a fumaça nas cidades poderão aumentar de forma acelerada se for aprovado o projeto de um senador do PL de Rondônia, que quer reduzir a reserva legal da floresta dos atuais 80% para 50%. Ou seja, o proprietário de terras, principalmente do agronegócio, poderá desmatar 50% das florestas. Será um caos total para o clima no Amazonas.
Tanta gente morrendo devido à crise climática e à ganância por dinheiro, aumentando o sofrimento da população.
A tragédia do Rio do Sul precisa servir para que no Brasil e, principalmente, no Amazonas, tenha preparação efetiva para os próximos eventos climáticos e evitar tanto sofrimento para a população.
José Ricardo Wendling é formado em Economia e em Direito. Pós-graduado em Gerência Financeira Empresarial e em Metodologia de Ensino Superior. Atuou como consultor econômico e professor universitário. Foi vereador de Manaus (2005 a 2010), deputado estadual (2011 a 2018) e deputado federal (2019 a 2022). Atualmente está concluindo mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela escola Latina-Americana de Ciências Sociais.
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