
Na vinda da comitiva do Governo Federal federal ao Amazonas, na semana passada, para ajudar o estado contra as consequências da estiagem, muitas críticas foram direcionadas à ministra Marina Silva, quanto à recuperação da BR-319. Pura crítica sem respaldo com a realidade e o total desrespeito com uma mulher, que tem sua vida dedicada à luta pela preservação do meio ambiente.
O vice-presidente Geraldo Alckmin veio com uma comitiva de ministros trazendo investimentos e ações emergenciais para ajudar a população do estado, vítima de uma das maiores estiagem da história do Amazonas. Vieram juntos a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente; Sonia Guajajara, dos Povos Indígenas; Waldez Góes, da Integração Regional; Silvo Costa Filho, dos Portos e Aeroportos; Alexandre Silveira, das Minas e Energia; José Múcio, da Defesa. Assim como a secretária Executiva do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Reforma Agrária, Fernanda Machiavelli.
Das medidas que foram tomadas para ajudar a população amazonense que está sendo atingida pela seca, destacam-se: R$ 138 milhões para recuperar navegabilidade nos rios Solimões e Madeira; adiantamento dos pagamentos do Bolsa Família, do Benefício de Prestação Continuada, auxílio defeso e o Programa de Aquisição de Alimentos, entre outras ações urgentes.
Enquanto essa era a pauta principal, alguns políticos se preocuparam em cobrar e afrontar a ministra Marina Silva, responsabilizando-a pelas dificuldades enfrentadas pelo estado devido a não autorização ambiental para asfaltar a BR-319. Um total despropósito esse posicionamento. O deputado Sinésio Campos, de forma grosseira, apontou o dedo contra a Ministra. E o Senador Omar Aziz, “falando grosso”, também culpava a ministra pela situação da BR-319.
A ministra, em entrevista coletiva, disse que o ministério não facilita e nem dificulta os licenciamentos de obras, mas cobra os projetos e compromissos previstos em lei para garantir as questões ambientais. Aliás, a ministra deu uma aula, ao lembrar o que significou para a questão climática a redução do desmatamento no período dos governos Lula e Dilma e os primeiros nove meses do atual Governo Lula, com redução de carbono na atmosfera.
A ministra também lembrou que ela saiu do governo pelo ano 2007 e, de lá para cá, 15 anos se passaram e a BR-319 não foi totalmente asfaltada. Nos governos Lula e Dilma, quase a metade foi asfaltada. Nos governos Temer, após o Golpe de 2016, e no Governo Bolsonaro, nada foi feito. Marina Silva disse que “se fosse fácil, já estaria feita” e lembrou que os projetos devem atender a três parâmetros: viabilidade econômica, viabilidade social e viabilidade ambiental. Pronto, este então é o caminho.
Aliás, muitos dizem, sem base nenhuma, que com a BR-319 asfaltada, haverá o escoamento da produção da Zona Franca de Manaus para outros estados do Brasil. Na verdade, não é nada disso. O sistema de logística rodo-fluvial, com transporte em balsas/barcos para Belém e escoamento via carretas, continua mais viável e barato. O que vai acontecer é que o estado de Rondônia, grande produtor de alimentos, irá abastecer Manaus. É o que eles mais querem.
Os problemas da seca não serão resolvidos com a BR-319. As questões são outras.
Mas um dia a estrada será asfaltada. Mas precisa de orçamento. Esse é o caminho, gestões para que o projeto entre no PAC, no Orçamento Federal. Lula já disse que está sendo viabilizado um grupo de trabalho e irá incluir no PAC. Que assim seja.
Há dois meses, junto com o superintendente do Incra, professor Denis Silva, percorri toda a extensão da BR-319, de Manaus, via Careiro, até Humaitá. A estrada estava totalmente transitável, mas com muita poeira, é claro. Muitas pontes de madeira. Certamente nas chuvas, há áreas que viram lama e ficam inviáveis.
Percebeu-se que praticamente a metade do trajeto, saindo de Manaus, uns 400 km, é área de planície e muita água. Não se trata de recuperar, mas de se construir, praticamente, uma nova rodovia, devido à necessidade de enormes aterros e compactações, por conta do futuro fluxo de carretas. Portanto, uma obra bem cara. Vai precisar de vontade política.
Mas não é a Marina a culpada pela BR-319, isto está bem claro. Somente políticos que querem se desviar dos verdadeiros problemas do estado, afrontando a ministra do Meio Ambiente. Ou simplesmente pelo fato dela ser mulher, demonstração do machismo estrutural que é muito frequente no meio político.
Não me recordo desses mesmo parlamentares falando grosso com os outros ministros do meio ambiente dos governos anteriores, principalmente com o Ricardo Salles, ministro do ex-presidente Bolsonaro, que incentivou o desmatamento na Amazônia e também nada fez pela BR-319. Portanto, não vamos admitir esses ataques injustos e misóginos contra a ministra Marina Silva.
José Ricardo Wendling é formado em Economia e em Direito. Pós-graduado em Gerência Financeira Empresarial e em Metodologia de Ensino Superior. Atuou como consultor econômico e professor universitário. Foi vereador de Manaus (2005 a 2010), deputado estadual (2011 a 2018) e deputado federal (2019 a 2022). Atualmente está concluindo mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela escola Latina-Americana de Ciências Sociais.
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Precisamos urgentemente da conclusão da BR 319, o que estão fazendo com o povo amazonense e pior que uma guerra, deixando a indústria sem matéria prima, o povo sem emprego, alimentação e tudo mais. Apenas um pequeno trecho, que em uma semana poderia ser asfaltada resolveria toda a situação da Amazônia. Senhores governantes é hora de abraçar a nossa causa e lutar pelo
povo. Povo amazonense vamos a luta , agora já chegamos ao extremo, não temos mais solução, somente a abertura da Transamazonica é a solução.
Me admiro de vice José Ricardo, Marina Silva já falou publicamente várias vezes que por ela essa estrada não sai, em uma entrevista ela chegou a falar que prefere subsidiar passagens aéreas Manaus-AM X Porto Velho do que liberar o asfaltamento da mesma, toda admiração que tinha pelo seu trabalho acabou hoje quando li sua matéria, fui seu eleitor durante muito tempo, mas depois dessa sua colocação infelizmente não serei mais, inclusive já lhe dei os parabéns pessoalmente em um restaurante aqui em Manaus quando lhe encontrei, votei no presidente Lula, e sempre votei em Você, mas vou rever meus conceitos, não é cabível um político do Amazonas falar qualquer coisa contra o asfaltamento dessa BR, quanto ao corrupto do Ricardo Sales, ele não serve de exemplo, ele nada fez pela BR, mas pelo menos não falava abertamente que era contra como faz Marina Silva. A soberba da esquerda como a sua nesse momento e da Ministra Marina Silva nos faz lembrar o Governo Bolsonaro, mas nada melhor que uma eleição após a outra.
Corrigindo, me admiro de VOCÊ.