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Políticazmanchete

‘O povo não está meditando sobre isso agora’, diz Arthur sobre pesquisa eleitoral

1 de novembro de 2015 Política zmanchete
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Arthur entrevista 5

Por Valmir Lima, da Redação

MANAUS – O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB), evita falar com profundidade sobre o processo eleitoral de 2016. Não confirma sequer se já decidiu sair candidato à reeleição, mas afirma ser óbvio que quem está governando e “não desfruta de uma situação ruim” tem a possiblidade disputar a reeleição. Ao comentar a pesquisa de intenção de votos realizada pelo Instituto Diário de Pesquisa, divulgada em setembro, o prefeito reconhece a seriedade do trabalho, mas minimiza o quadro eleitoral, afirmando que os números já são outros. No entanto, o prefeito afirma que neste momento, o povo não está meditando sobre eleição e que quando chegar a hora de meditar, vai decidir “quem é e quem não é”. Nesta entrevista concedida ao jornalista Valmir Lima, no gabinete da sede da Prefeitura, no bairro Compensa, zona oeste de Manaus, ele centra críticas em Amazonino Mendes e Eduardo Braga. Sobre Amazonino, diz que “a pessoa deve saber a hora de se retirar”, e que o ex-governador deveria ter saído de cena depois de realizar uma obra imortal, como foi a UEA; sobre Braga, Arthur chega a levantar suspeitas de que ele estaria por trás da decisão do governo federal de liberar recursos para Manaus. Não faltaram também críticas a Alfredo Nascimento: “Até estanho um pouco ele me atacar tanto, mas, enfim, ele deve achar que fez uma administração perfeita e por isso pode jogar pedra em todo mundo”. Confira a entrevista, com fotos de Mário Oliveira/Semcom.

AMAZONAS ATUAL – Eu gostaria que o senhor começasse com uma avaliação de sua gestão em relação ao que o senhor previu fazer e o que realmente conseguiu fazer nesses dois anos e 10 meses.

ARTHUR VIRGÍLIO NETO – Temos coisas que ainda não conseguimos fazer, teve muitas que conseguimos – encontramos uma cidade absolutamente despedaçada –, e teve coisas que nem estavam previstas que foram feitas. Produzimos bastante. Já fizemos 150 bairros e comunidades. O que eu fiz foi trabalhar de manhã, de tarde e de noite, cumprindo com uma tradição de prefeito em gabinete ou procurando, ouvindo os problemas. Não fugi de discussão de problema nenhum, de debate sério nenhum. Não tenho arrependimento nenhum. Acho que a gente tem feito um governo bastante realizador. Um governo com muita drenagem, com muito asfalto, com muita realização em saúde. Hoje mesmo inauguramos a UBS que leva o nome do meu pai, que era uma casinha de saúde e foi reaberta hoje. Com ela, entregamos hoje a 40ª obra de saúde. Não era previsto, não foi tema de campanha pra mim. O Adolpho Lisboa [mercado municipal], nós fizemos a restauração em sete meses. Fizemos dois terços da Ponta Negra. O empréstimo foi trabalhado e levantado no governo do prefeito Serafim Corrêa, o prefeito seguinte, Amazonino [Mendes] realizou um terço da obra e eu realizei dois terços em oito meses e 21 dias. Nós temos a iluminação a LED, que ajuda na segurança e embeleza a cidade. Temos o asfalto de boa qualidade que tem sido implantado. Estou muito satisfeito, porque nós estamos hoje contrastando com o Brasil. O Brasil parou; muitas cidades a maioria delas parou; muitos estados a maioria deles parou; e nós aqui não paramos. Eu inauguro obras praticamente todos os dias e mantenho o alto astral do povo e o meu próprio alto astral de pé. Nós enfrentamos a crise, sabemos que ela é dura, que ela é árdua, mas não baixamos a cabeça pra ela.

Arthur entrevista 2

ATUAL – O senhor poderia fazer um paralelo em relação à sua administração de Manaus no período de 1989 a 1992, quando o senhor foi prefeito pela primeira vez, e a atual gestão. Qual é a diferença em relação à gestão administrativa nesses dois momentos?

ARTHUR – Pra facilitar, tinha o fato de que Manaus era pequena, tinha cerca de 800 mil habitantes. Não tinha problema de trânsito, tinha só de transporte. E eu consegui resolver a questão do transporte, com a renovação da frota, atualização das linhas. Era uma coisa bem mais fácil. Hoje, você tem uma cidade maior, mais poderosa, embora com uma arrecadação muito abaixo das necessidades que seus problemas apresentam. Mas eu diria que a diferença essencial mesmo está em mim. Eu era uma pessoa que tinha a mesma boa vontade que tenho hoje, mas sem experiência administrativa e tive que aprender a pedalar pedalando, aprender a andar caminhando. Isso me custou alguns equívocos, alguns erros, alguma dificuldade no início. Depois que voltei pra cá, depois de ter sido tudo o que fui no campo parlamentar, depois de ter sido o principal dirigente do meu partido durante três anos, depois de ter sido ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, com funções de chefe da Casa Civil, cheguei aqui bem mais calejado, bem mais pronto. E só aceitei também disputar [as eleições de 2012]… Eu, que percebia que havia um contingente expressivo da sociedade querendo que eu disputasse… Eu olhava no espelho durante 15 dias, volta e meia ia pro espelho, me olhava e perguntava: “Você vai? Você quer? Vai segurar essa barra até o final do jeito que começou? Quando eu me convenci de que era possível, e a pressão aumentando, eu resolvi aceitar. E casou a vontade que o povo demonstrava com a minha aptidão pra governar. Mas eu acho que é a experiência que pesa como dado de diferença. Porque os problemas estão aí. Tem problema que não tem solução no curto prazo, a não ser na cabeça de quem acha que ganha votos com isso. Eu estou me afastando ao máximo dessa discussão eleitoral. Tem hora pra tudo. Tem gente que vira profissional da facilidade, não é o meu caso. Eu tenho experiência suficiente e muita vivência para perceber que alguns problemas não têm solução no curto prazo nem no médio prazo.

ATUAL – Em relação às eleições de 2012, em entrevista ao AMAZONAS ATUAL, o deputado Alfredo Nascimento (PR) disse que ele foi o primeiro político a lhe convidar para ser candidato a prefeito, num momento em que o senhor não pensava em se candidatar. Houve mesmo essa conversa?

ARTHUR – Houve, sim. O Alfredo sempre foi uma pessoa que nunca foi próxima de mim, mas sempre tive relação boa com ele. Até estanho um pouco ele me atacar tanto, mas, enfim, ele deve achar que fez uma administração perfeita e por isso pode jogar pedra em todo mundo. Mas sempre tivemos uma relação boa, pessoal, familiar. Ele me disse isso. Ele também conversou comigo na eleição de governador [2010], quando o Serafim foi vice dele, mas ali naquela eleição, eu percebi que o meu caminho era fazer o que fiz, eu tinha muito mais ligação com as bases do Omar [Aziz] e permiti que um jovem fosse candidato, emprestei o tempo de televisão. Eu não assumi nenhum compromisso com o Alfredo e nem ele comigo pro Senado. Em algum momento ele declarou voto em mim, me chamou no comitê e me disse que estava com a eleição dele perdida, que ele reconhecia, e que estava mandando o pessoal dele todo votar em mim. Eu agradeci muito, não cheguei a ver quem era e quem não era, não cheguei a palpar essas bases, mas agradeci muito. E disputei aquela eleição, que eu tenho certeza que venci, aquela de 2010. A partir de Lula e um braço armado de uma pessoa que sem máquina é um gatinho e com a máquina vira leão, de repente – é estranho um gatinho virar leão –, que é o Eduardo Braga. Ele, com aquela máquina à disposição dele… É só a gente ver os mapas de votação. Na capital, apesar de ter diminuído a minha diferença com a barbaridade que houve aqui, não me venceram na capital. Depois teve o interior; minha votação era suficiente nas sedes para ganhar a eleição. O que fez diferença mesmo foi o interior do interior. Eu muito conhecido, porque viajava intensamente para esses locais, de repente, meus adversários saem com 280, 300 votos numa urna e eu com 3, 4. Era uma coisa absurda. A gente via que um cidadão, com certeza, votou por todos. Aquilo são águas passadas, mas eu vejo que custou muito caro e a gente vê que o castigo vem no mesmo cavalo, porque, se tivessem deixado acontecer a coisa como ela era, teria sido eleito senador o ex-governador, eu teria sido eleito senador, e ia ser muito difícil se impedir o retorno ao governo do Eduardo Braga. De repente, ele se encontrou comigo, de frente pra mim, eu com o governo muito bem avaliado, como ele sabe, e aconteceu o que aconteceu. Apoiei um candidato trabalhador, obstinado, que tinha o governo do Omar muito bem avaliado, e eu próprio, com um discurso da ação em conjunto do governo e prefeitura.

Arthur entrevista 4

ATUAL – O senhor acreditava na eleição do Melo no início da campanha, quando ele não tinha nem 10 pontos percentuais de intenções de voto?

ARTHUR – Sim, eu tinha. A gente com o tempo vai perdendo o direito de se equivocar. A gente deve saber quando perde, quando vence e deve até saber quando está indefinido. Eu via exatamente como te falei agora: o governo do Omar, e o Melo era vice-governador, bem avaliado; o meu governo bem avaliado, e o discurso de que o Melo era ação em conjunto. É fácil de perceber que não seria muito fácil uma coabitação minha com o atual ministro Eduardo Braga. Ele cobra obediência, e meu pai foi terrível nessa questão. Meu pai me educou muito mal, porque me ensinou a desobedecer. Geralmente as pessoas ensinam a obedecer, meu pai me ensinou a desobedecer. Culpa do meu pai tudo isso. Estou ironizando, “culpa” com aspas. Mas não daria certo [uma aliança com Braga]. Todo mundo se convenceu, mais os próprios erros que ele cometeu em campanha, a tão propalada e tão reafirmada arrogância, ele terminou se tornando um candidato pesado, um candidato muito pesado, mesmo. Eu acreditava, sim. Lógico, era um trabalho duro. Você pegar uma pessoa que tinha quase 70% na capital, e a coisa se inverteu. O que o fortalecia era a crença no interior de que ele iria ganhar, porque nos municípios ficavam com medo porque conhecem o estilo dele. Mas na capital ninguém tem medo de ninguém, e na capital, o Melo começou a crescer e, com isso, começou a passar confiança para o interior. Passando confiança para o interior, ele, ainda assim, perdeu no primeiro turno, mas no segundo turno ganhou.

ATUAL – O ex-prefeito Amazonino Mendes, em entrevista ao AMAZONAS ATUAL, disse que quando pegou a prefeitura depois do senhor (em 1993), encontrou uma prefeitura dizimada; depois, ao pegar a prefeitura deixada pelo Serafim Corrêa, encontrou uma prefeitura dizimada; o Serafim também reclamou da gestão anterior; e o senhor, quando substituiu Amazonino falou de um rombo de mais de R$ 300 milhões [Arthur interrompe].

ARTHUR – Se não fosse verdade, eu não falaria. Eu acho que ele [Amazonino] não se dedicou à administração, não se dedicou ao trabalho de verdade, ao trabalho com afinco. Dos R$ 347 milhões que ele deixou de dívidas eu só não paguei, ainda, R$ 84 milhões, e não sei se vou poder pagar. Encontrei uma prefeitura que estava, efetivamente, sem crédito, estava muito ruim. Encontrei alguns projetos, todos eles, se não me engano, do governo do Serafim. Projetos que eu estou tentando tocar. Já fiz alguma coisa no corredor do Mindu, já fiz muita coisa no Águas Claras, conclui a Ponta Negra – e a Ponta Negra é como vídeo game, sempre tem uma etapa nova, um aperfeiçoamento a fazer – e fui fazendo. Quer dizer: um arrumou o empréstimo, outro não conseguiu fazer tudo – no caso da Ponta Negra – e eu estou fazendo, vou fazendo o que eu posso. Fora uma coisa que eles devem saber: ele (Amazonino) teve muito dinheiro desse empréstimo, muito dinheiro do governo federal; eu não tive. É sabida a perseguição que é movida contra mim pelo governo federal, uma coisa perversa contra o povo de Manaus, e eu vou enfrentando tudo isso de cabeça erguida.

ATUAL – O senhor chegou a reclamar com a presidente Dilma na reunião que teve com ela na semana passada?

ARTHUR – Eu cheguei a dizer isso na audiência com a presidente, numa reunião muito cordial. Eu disse pra ela: “Olha, presidente, eu não me arrependo nenhum minuto de ter trabalhado contra a senhora, e trabalharia de novo. O que eu fiz, quando conversei com a senhora, e lhe apresentei minha esposa, quando a senhora esteve em Manaus, quando estive aqui com a senhora no Palácio do Planalto, foi lhe oferecer uma amizade sincera. Agora, uma amizade sincera pra mim não tem a ver com votar. “Agora que é meu amigo, vai votar em mim”. Não, não. Eu jamais votaria. Sou uma pessoa de partido, uma pessoa que pode ver as piores discrepâncias do meu partido… Por mim, o partido estaria na luta pela renúncia de Eduardo Cunha. Já declarei isso, e não tenho muito tempo pra ficar polemizando na vida pública nacional. Eu posso discordar, mas não saio do meu partido, é o meu partido. [Arthur volta a falar de Amazonino]. E também não tenho interesse em polemizar com nenhum ex-prefeito, apenas estou dando uma realidade. Me parece que as próprias pesquisas de opinião revelam isso, de pessoas comuns, que não houve um trabalho assim que fizesse jus ao nome de trabalho eficaz. Por exemplo: ele demonstra não gostar de mim, eu não tenho nada pessoalmente contra ele, mas será que em sã consciência ele diz que eu sou preguiçoso? Dá pra ele dizer “O Arthur é preguiçoso? O Arthur não acorda cedo pra trabalhar? O Arthur fica em casa?”

ATUAL – Ele usou o adjetivo mentiroso, quando falou dessa questão financeira, porque ele diz que o TCE aprovou as contas dele e provou que não houve rombo de R$ 347 milhões que o senhor disse que faltaram.

ARTHUR – Nossa! Isso aí é problema do TCE, não é? Eu sinceramente, vejo assim: a pessoa deve saber a hora de se retirar. Ele conseguiu tanta coisa. Por exemplo, ele tem uma realização que após essa realização ele podia se aposentar: foi a UEA [Universidade do Estado do Amazonas]. Eu admito que talvez tenha sido a pessoa mais combativa na oposição a ele dentre todas, mas devo reconhecer que a UEA foi uma grande obra. Eu não quero comparar a UEA, que é uma obra magnífica, com o governo que ele fez. Aliás, com nenhum governo que ele fez. A UEA foi uma grande obra, que fica para a posteridade de verdade, equivalente ao que o meu pai fez pela Ufam [Universidade Federal do Amazonas]. O meu pai deu a conformação atual da Ufam num mandato de quatro anos de deputado. Incrível, não sei como ele conseguiu aquilo. E como senador veio a regulamentação da Fundação Universidade do Amazonas. Então, eu não tenho o menor interesse em inventar coisas sobre o ex-governador e ex-prefeito, tanto que reconheço que ele fez uma obra imortal, que foi a UEA.

Arthur entrevista 8

ATUAL – Em relação à presidente Dilma, a amizade sincera de que o senhor falou foi desfeita? Não existe mais?

ARTHUR – É assim: um governo que não me ajuda, e eu percebo que deve ter o dedo do Eduardo [Braga, ministro de Minas e Energia]… Por ela, pela simplicidade com que ela fala comigo e até pelo carinho que quando ela me encontra demonstra, eu só posso atribuir mesmo a uma influência externa e maléfica, porque não é a mim. Eu tenho a vida feita. O prejuízo é ao povo de Manaus. E é um desrespeito a esse povo que me deu quase 70% dos votos válidos na eleição [foram 65,95% dos votos válidos]. Eu, realmente, fico muito triste, sabe Valmir, porque eu briguei para uma vez termos um empréstimo do Prosamim [Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus], pra citar um só exemplo. O presidente [José] Sarney queria, de qualquer jeito, deixar para depois do recesso. Eu sabia que o prestígio que aquilo lhe traria [se refere a Eduardo Braga, autor do Prosamim] seria usado contra mim numa eleição. O Prosamim que não é um projeto de saneamento, e foi vendido até para o BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento, que emprestou o dinheiro para o Prosamim]. Enganaram o BID, dizendo que é um projeto de saneamento. Não é saneamento. Senão, eu pego uma água do igarapé com um copinho e digo: “ministro Eduardo Braga, beba essa aguinha aqui e procure não morrer”. Então, não é saneamento. É um projeto habitacional muito bom, que tira gente de área insalubre e coloca em área salubre. É um projeto que tem um alcance social, eu diria, até com caráter de distribuição de riqueza, porque é um empréstimo internacional importante que jogado em cima de pessoas muito pobres. Pois bem. Um projeto desses estava lá, os de outros Estados estavam sendo votados e eu perguntei: “Presidente, e o do Amazonas?”. Ele disse: “Este está preso, ainda, na Presidência da República”. Eu disse: “Então vá lá e solte, leve um habeas corpus pro projeto e solte, porque eu não vou permitir que vote isso aqui se não sair o do Amazonas”. O projeto chegou no mesmo dia e foi votado. Eu não fiz por ele. Fosse empréstimo pessoal pro Eduardo Braga eu não iria me meter. Como eu não estou pedindo nada pra mim do governo da presidente Dilma. Só estou mostrando a diferença, até de caráter. Eu defendi até contra mim, contra os meus interesses pessoais, o Estado do Amazonas nesse episódio do empréstimo do Prosamim. E tem outro caso que o Amazonino deve se lembrar. Foi um empréstimo da CAF [Cooperação Andina de Fomento] para a construção do viaduto Gilberto Mestrinho. O Serafim eu sei que sabe, e o Amazonino, se acompanhou a sessão, sabe o que fiz para sair aquilo. A gente se ressente. Porque a gente não divide as pessoas por essa tolice de esquerda, direita, centro. Eu separo as pessoas entre quem trabalha e quem não trabalha; quem é honeste e quem não é honesto; quem tem espírito público e quem não tem espírito público. A pessoa pode ser o que for, se tiver espírito público, respeitar a coisa pública, merece toda minha consideração e meu respeito, até como adversário. Porque eu tenho uma coisa comigo que apreendi com meu pai: eu respeito adversário digno, respeito adversário à altura, respeito adversários que prezam o bom combate. Quando sinto que não é assim, entra por um ouvido e sai pelo outro.

ATUAL – Quando cheguei o senhor disse que tinha dormido pouco. O senhor tem feito visitas às obras à noite. Porque não faz essas visitas durante o dia?

ARTHUR – Eu visito. É porque tenho muitas inaugurações; é até raro no Brasil de hoje. Visito de manhã, frequento eventos importantes do governo do Estado, de entidades empresariais, de trabalhadores. Se me convidar, eu faço questão de ir. Fora disso eu vejo obras. E de noite, eu sempre faço uma vistoria em obra, em período não invernoso, como temos agora, e muita iluminação pública, muito LED. Mas eu procuro controlar. Por exemplo, não faço nenhuma loucura de dormir 4h e acordar 6h todo dia. Eu durmo de um modo geral, bem. Eu tive uma crise de sono depois que deixei todo aquele estresse do governo Fernando Henrique. Meio que sem ter o que fazer, via filmes até alta madrugada, até que a crise ficou clara pra mim e eu tive que fazer uma ressonância magnética e visitar um neurologista. Mas passou e eu voltei a ser um cara bom de cama, aquele que deita e dorme. Mas de terça pra quarta eu estava muito cansado e o excesso de cansado contribui para a pessoa se mexer muito e não ter o sono reparador.

ATUAL – O senhor acorda que hora, normalmente?

ARTHUR – Eu acordo entre 7h e 7h30. Não tenho hora pra fazer ginástica, mas procuro encaixar a ginástica sem prejudicar o meu trabalho, e isso ajuda a dormir.

ATUAL – Por que o senhor passou a usar o colete. As pessoas dizem que é um colete de gari. Foi uma orientação do pessoal de marketing?

ARTHUR – Passei a usar por várias razões. Você pega um exército, e Manaus devia estar cansada de generais que não iam pro front de batalha. Eu vou pro front de batalha. Esse aqui é o parecido com o de gari, mas é o da Seminf [Secretaria Municipal de Infraestrutura]. E eu estou sempre não só com o pessoal da limpeza, mas com o pessoal da secretaria de infraestrutura e eu percebo… Porque eu sempre falo com eles, sempre os cumprimento,  sempre agradeço, porque sei que é um trabalho árduo; a gente faz lanche juntos, para pra fazer um lanche. Eu procuro estar ao lado deles. E intui que isso ia me mostrar mais próximo deles, ainda. Depois eu percebi, não foi mais intuição, que, escrito “prefeito” atrás, o pessoal começava a me identificar e a gritar o meu nome, dar adeus, ou então para pra falar comigo. Eu vi que se fosse ficar de manhã de tal hora a tal hora para fazer trabalhos externos, depois audiências, e os secretários se virando, depois à tarde mais audiência e de noite fosse ver a novela, eu não seguraria em minhas mãos, sob meu controle, uma cidade difícil como é Manaus. Uma cidade que deve ter hoje 2,2 milhões de habitantes e problemas muito graves, invasão de tudo o que é lado, problemas que se interligam com os do governo do Estado e com o governo federal. Por exemplo, uma senhora me parou dia desses para reclamar da conta de luz. Eu disse pra ela: “Minha senhora, a senhora tem que reclamar pro ministro Eduardo Braga, porque quando sobe a sua conta de luz sobre a minha também”. E é uma coisa assim: numa cidade americana, o prefeito mandaria na polícia, coordenaria a iluminação pública, bombeiros. Foi por isso que o Giuliani conseguiu dar jeito em Nova Iorque [Rudolph William Louis Giuliani, foi prefeito de 1994 a 2001]. Se ele tivesse as prerrogativas que um prefeito tem no Brasil, não teria feito o que fez.

ATUAL – É um sacrifício ser prefeito?

ARTHUR – Não. Francamente, eu não queria de jeito nenhum ter perdido aquela eleição para o Senado. E não perdi. Mas eu não estava aguentando mais. Esse que tá ai [o Senado], quando eu olho eu digo: “Nossa senhora!”. Deus é grande mesmo; Deus sabe o que faz. Me tirou dali. Porque o nível foi pro chão. O nível dos dois, da Câmara e do Senado. O doutor Ulisses Guimarães me dizia o seguinte: “Meu filho, sempre vai piorar a Câmara e o Senado, agora, nunca desdenhe deles, porque elas são vitais para a democracia, não importa o nível”. Então, eu olho pro Senado e não tenho apetite pra estar ali. A prefeitura me dá muito prazer. Talvez me dê mais prazer do que a hipótese de governar o Estado. O Estado, de certa forma, mantém uma certa distância do problema, uma certa distância do front de batalha, repetindo a expressão. A prefeitura me bota no front. Pode ser que tenha prefeito omisso, que fuja do front; como eu não fujo, eu tô no front.

ATUAL – Ser governador foi um sonho que o senhor deixou escapar?

ARTHUR – Valmir, eu sou um cara talvez um pouco diferente de certas pessoas que têm sofreguidão. Eu não sou uma pessoa de ambições incontroláveis. Eu domino minhas ambições numa boa. Se você me perguntar: “Você gostaria de ser ministro outra vez?”. Não excluo. Não ministro da Casa Civil, ministro que fica aturando outro ministro pedir dinheiro, e senador, deputado, governador, todo mundo atrás pra pedir dinheiro, isso eu não tenho mais paciência. Mas uma pasta técnica, que você pudesse realmente se inteirar dos assuntos e entrar nela com prestígio, com efetivo, com recursos, eu não excluiria. Mas é assim: não é nada que me deixe obcecado, obsessivo. O governo teria sido uma coisa boa. Eu não sinto, sinceramente, a apetite por ser governador. Eu inclusive, se as coisas se encaminharem como estão se encaminhando, até tenho um nome preferido para o governo. Eu não faço questão de ser candidato. Eu sinto muito prazer no que eu estou fazendo. Mas eu sou muito controlado com ambição. Certas coisas quando não dão, não dão. Eu não faço muitos planos. Vejo gente que se percebe nos olhos aquela coisa ávida. Eu não. Sou muito tranquilo. Até porque eu gosto muito da vida. Gosto de outros aspectos da vida, coisa que não estou  podendo fazer tanto agora. Eu gosto da noite, gosto de conversar fiado com os amigos, gosto de ler muito e estou lendo com parcimônia. Estou me inteirando da política nacional através de dois briefing que recebo de pessoas amigas, dois grandes jornalistas amigos meus que se dão o trabalho de mandar pra mim dois briefings; é o que leio, não leio mais nada. Leio as revistas no fim de semana, aquilo que me interessa, não leio tudo. Livro, nossa, estou lendo um “anti aging”, antienvelhecimento, que a minha médica me deu, a doutora Carol Frota.

ATUAL – O senhor não lê os jornais locais?

ARTHUR – O jornal local eu leio. Recebo um briefing também e leio logo; tudo aquilo que interessa eu vejo. De fora eu cheguei a não ler. Passei um ano sem ler nada de fora, e olha que sou “ledor” de jornal, gosto de sujar a mão. Hoje sei que tem toda a tecnologia que a gente usa do tablet, mas sou daqueles que gosta de, depois que termina de ler, lavar a mão, porque ficou suja de tinta. Mas ler, pra mim, é um prazer enorme, e reler. Reler os clássicos. Tem livro que já li três, quatro vezes. E cinema, eu sou louco por cinema. Quando tiro um dia pra ver filmes, às vezes um sábado, eu vejo em uma noite, quatro, cinco filmes.

Arthur entrevista 1

ATUAL – Na campanha de 2012, o senhor apresentou alguns projetos para a cidade, como o BRT. E até hoje o Plano de Mobilidade Urbana, que deveria contemplar esse projeto, não ficou pronto. O que aconteceu?

ARTHUR – O Plano de Mobilidade Urbana está pronto. Falta, agora, ser enviado para a Câmara [Municipal]. Estamos dando uns retoques nele, mas o plano está pronto. O que acontece, voltando aí ao passado? O Estado entrando na história do monotrilho, com o Eduardo Braga. Errado.  Seria um escândalo e seria um assalto ao bolso popular, porque a passagem iria a um patamar absurdamente alto; um modal que não resolve, porque é lá por cima, não se integra à paisagem da cidade, seria o paraíso de pessoas que iriam ficar dormindo ali embaixo, pichadores, enfim. E o prefeito Amazonino intuiu certo, ele foi atrás do BRT, só que o trajeto escolhido e até licitado por ele, e um dinheiro que jamais ficou, realmente… Eu nunca vi o dinheiro que supostamente o governo federal daria. Era uma coisa de R$ 1 bilhão, não sei, talvez estou sendo impreciso.

ATUAL – Não seriam R$ 200 milhões?

ARTHUR – R$ 200 milhões pra mim, mais a contrapartida.

ATUAL – O monotrilho seria 1 bilhão e 400 milhões de reais.

ARTHUR – Seria um negócio para jogar dinheiro fora. Aquilo é bom pra Disneylândia e para o aeroporto de Frankfurt. Não é testado, não serve. Ah, mas São Paulo tem. Um pequeno trecho. São Paulo tem tudo. Mas Manaus, que ia depender substancialmente disso… Então, o BRT, que é um ótimo modal, o projeto que foi aprovado no governo do meu antecessor é um projeto que tinha um defeito de passar, e por isso não passou, por um número significativo de desapropriações. Agora, nós estamos apresentando um projeto para o Ministério das Cidades com a correção disso. O que aconteceu? O governador Omar já era contra o monotrilho; o governador Melo se declarou imediatamente contra o monotrilho; o monotrilho também foi glosado pelo Ministério Público e pela Justiça , ele caiu, e foi uma das melhores notícias que eu recebi nesse governo. E estamos trabalhando juntos nessa ideia de um BRT que tomasse conta da cidade inteira. Eu gostaria ao menos de começar as primeiras linhas se fosse o caso ou deixar tudo pronto pra se fazer. O BRT que começaria pelo norte e não pelo leste, e evitando desapropriações, porque elas somavam no projeto que eu encontrei do governo passado quase tanto quanto a obra em si. E olha que seria difícil, mesmo que o governo federal fizesse aquilo que era justo ele fazer: emprestar. Primeiro, não tem nada dado, tudo é emprestado; e segundo que ele emprestaria para nós os recursos para nós desapropriarmos, mas ficaria muito caro, quase R$ 400 milhões. Eu pagar, com o minguado dinheiro que temos aqui as desapropriações, era melhor se pensar em mudar mesmo, e por isso tivemos esse problema. Estamos tentando ainda modernizar o sistema, mas é uma hora dura. No governo passado compraram 800 ônibus, com dólar muito barato, valendo R$ 1,69. Compraram e fizeram aquela coisa antiga, desfile de máquinas – foi assim que fez carreira na época: chegou o verão, as máquinas vão roncar, ro, ro, ro, ro –, uma coisa antiga. Não se traz tanto ônibus assim porque eles envelhecem juntos; tem que ser uma coisa escalonada, porque enquanto um envelhece o outro tá novo. Tem problemas. Os credores chegam a pensar no absurdo de tirar os ônibus daqui, porque fica impossível para essas empresas pagarem o que devem. Algumas conseguem pagar os juros, outras nem isso. São duas, que são as maiores, com dólar de R$ 4. Um erro grave que complica a vida da gente em relação à renovação da frota.

ATUAL – No curto prazo, o que é possível fazer no transporte coletivo?

ARTHUR – Nós temos feito. O consórcio operacional estimula as empresas a fazerem mais viagens, refizemos todos os terminais, vamos agora iniciar uma batalha para tirar dali aquela coisa indigna de Manaus, indigna dos camelôs, indigna dos usuários, que é o Terminal 1. Aquilo precisa sair e vai sair. Destruí o Terminal 2 todinho para fazer dele algo exemplar, porque ele não servia, estava velho, estava caduco; obrigamos o Sinetram a fazer o Centro de Controle de Operações, que domina todo os sistema, e nós temos acesso a isso. Temos plano de construir o Terminal 6, que já prepararia para um modal mais forte, como o BRT.

ATUAL – Onde seria o Terminal 6?

ARTHUR – O ideal é que ele fosse ali pelo Café da Joelza [Avenida Torquato Tapajós com a Estrada do Tarumã]. A gente não ficou parado esse tempo todo. A gente tem a tão discutida faixa azul, que é uma clara declaração de apoio às pessoas menos favorecidas que andam de ônibus; não acho que tenha piorado o transito para as pessoas que não estão na faixa azul, o trânsito já era ruim, mas acho que melhorou muito para quem está na faixa azul. Estamos pensando numa troncal que vá direto do T3 para a Constantino Nery. A gente quer fazer fluir o transporte coletivo, porque o Brasil erra brutalmente ao desestimular o transporte de massas e estimular o transporte individual.

ATUAL – A crítica à faixa azul foi principalmente porque não tem ônibus passando nessa faixa, no caso da Constantino Nery; tem mais ônibus passando na faixa da direita do que na faixa azul.

ARTHUR – Nós estamos com um projeto, agora, que acredito que vai mudar isso radicalmente. O engenheiro vai apresentar depois de amanhã. Mas é assim também: a gente não pode logo de início colocar todos os ônibus na faixa da esquerda ou da direita, depende de como esteja a faixa azul.  Aí, obviamente, a imagem e uma certa maldade. Tem uma foto que já rodou, nossa, tá mais velha do que a minha vó, que teria cento e não sei quantos anos se fosse viva, e a foto, volta e meia é publicada como se fosse uma foto nova. Mas, durante algum tempo, a não ser que a gente consiga resolver com esse estudo feito pelos nossos técnicos, que estiveram reunidos com várias cidades que têm trabalhado isso… Se der certo, maravilha, vou ficar muito feliz. Retiraríamos os ônibus da direita. Eu torço muito por isso. Enfim, eu percebo assim; a gente ouve muito os usuários e eles estão muito satisfeitos porque eles reduziram o tempo de permanência no ônibus, eles reduziram a espera, eles têm mais tempo pra fazer muita coisa e viver a vida deles.

ATUAL – Ainda nessa questão do transporte, na campanha eleitoral, já no segundo turno, quando o Serafim Corrêa declarou apoio à sua candidatura, o senhor assumiu uma bandeira que ele defendia no primeiro turno, que era a volta da domingueira. Em um programa eleitoral de TV o senhor assume o compromisso da volta da domingueira. Por que não fez?

ARTHUR – Pois é. É uma coisa assim: no quadro atual, de crise… A domingueira seria um prêmio, né, para as pessoas que o ano todo, a semana toda pagam, enfim. Seria um prêmio. Agora, neste momento seria você torna mais debilitado um sistema que não está na sua melhor forma. E a gente tem que se adaptar e adaptar até as suas ideias à realidade. A domingueira, também tem uma coisa: hoje eu sei que quando aplicada, os empresários ficavam a meia boca, retiravam os ônibus, não ficavam com a carga máxima. Com o pagamento, se eu não ficar em cima, eles ficam com carga meia boca aos domingos e feriados. Mas eu não me arrependo de ter dito isso. Acho que foi uma ideia muito bem defendida pelo então prefeito Serafim, agora, é inviável hoje em face das dificuldades que o sistema atravessa. Eu só concorreria para complicar mais o sistema. Eu não posso fazer isso, pela responsabilidade que tenho com a cidade.

Arthur entrevista 6

ATUAL – Em relação à Educação, Manaus ainda tem muitas escolas em prédios alugados. É impossível combater esse problema?

ARTHUR – É possível. Nós temos um pedido de empréstimo internacional ao BID, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, para o chamado Pro-Enem. É uma coisa tão bacana, eu não fiz o cálculo, mas ele não eleva o custeio tão fortemente. São escolas exemplares, que significariam a marca de uma proposta de educação. São 72 escolas, que praticamente eliminariam essas escolas alugadas, porque elas engoliriam várias escolas em volta e com todo o aparato esportivo, com todo aparato técnico. Você olha a maquete e fica encantado. São R$ 108 milhões o pedido de empréstimo e mais a contrapartida da prefeitura de R$ 100 milhões. E aí, a contrapartida a gente teria que negociar, e o BID é muito bom pra negociar. A gente teria que negociar, por exemplo, uma coisa que não significasse dinheiro da nossa parte. O que acontece? Nós temos escolas nossas que não são boas escolas, temos escolas nossas que são boas, temos escolas alugadas que não são boas, que são uma necessidade, mas não são boas, e temos escolas alugadas que são boas. Assim como a gente consegue perceber, por incrível que pareça, professor dedicado dá resultado, aluno dedicado dá resultado, escolas não adequadas, muitas vezes, e a gente tá fazendo testes sempre, apresentam resultados bons. É o professor, é o grupo pedagógico que está ali, é todo mundo envolvido, junto com lideranças de pais e mestres. Mas isso aí seria uma revolução que a gente faria em Manaus. Com recursos próprios é difícil. Enfim, pra resumir, se eu desalugo eu deixo crianças sem escola, e pra ter crianças na escola eu preciso alugar, já que não consigo fazer todas as que precisam. É um prazer muito grande quando eu consigo desalugar uma. Negociei com eles uma redução significativa e não fiz um reajuste de lá pra cá. A inflação não está baixa, e eles têm que se acostumar com essa realidade, porque nós negociamos todos os contratos, puxamos tudo pra baixo.

ATUAL – Em relação às lâmpadas de LED, é uma coisa sobre a qual o senhor fala com muito orgulho, mas tem tido um custo elevado para o município essa troca de lâmpadas, não tem?

ARTHUR – Não, você sabe que não… Porque a lâmpada mais cara de todas é a pior, é a que queima a toda hora, é a vapor de sódio, aquela amarelinha. Não protege ninguém, não ilumina as ruas, não protege o trânsito. Ela queima toda hora, ela polui o meio ambiente. Intermediariamente, você tem a vapor metálico, aquela branca, que é bonita, mas não chega a ser a de LED. E no topo dessa cadeia tem a de LED, que é mais econômica que ambas, tem uma durabilidade maior. Eu até estranho por que não fizeram, porque o LED estava aí. Porque não pegaram a Cosip e fizeram isso? Pegar a contribuição sobre iluminação pública, que você só pode gastar em iluminação pública… Por que não fizeram o LED antes? Manaus hoje já é a capital com o maior percentual de LED. Fico espantado com algumas coisas que vejo por aí. Quando eu era senador, eu olhava com os olhos de senador. Eu hoje olho tudo com olhos de prefeito. Brasília não tem uma lâmpada a LED na iluminação pública. Tem nas casas. Rio de Janeiro tem pouquíssimas. São Paulo, que tem alguma coisa, tem menos, proporcionalmente do que nós. A gente foi fazendo um trabalho, que foi avançando, e agora vai tomar conta da cidade, e ninguém quer saber mais. Nós estamos pagando bem menos de consumo de energia depois das lâmpadas de LED. Já baixamos o custo de R$ 2,3 milhões por mês para R$ 1,9 milhão. Economizamos R$ 400 mil por mês. Anualizando, são R$ 4,8 milhões. Então, eu tenho interesse de investir o dinheiro da Cosip. Eu não posso pegar o dinheiro e fazer uma obra ou pagar o funcionalismo. Você tem que usar no LED. Como o nosso LED é bom, Manaus é uma das principais cidades do País, eu estranho porque que não faziam, por que insistir naquela coisa ruim, de ficar naquele jogo falso de repor uma coisa que não presta, que vai queimar de novo. Eu nunca me detive muito sobre isso, não sou caçador de bruxas, eu estranho, porque estava tão óbvio que o que conferiria prestígio para um administrador seria o LED que eu fui imediatamente ao LED. E eu percebo como as pessoas gostam.

Arthur entrevista 3

ATUAL – Prefeito, é inevitável que eu fale sobre o processo eleitoral.

ARTHUR – Pois não.

ATUAL – Saiu uma pesquisa recente do Instituto Diário em que o senhor aparece na avaliação do prefeito, com 8,5% de ótimo, 31,9% de bom e 28,3% de regular. São mais de 68% de aprovação [Interrompe].

ARTHUR – Os números são outros, essa pesquisa é muito respeitada, feita por um professor muito respeitável. A fonte é boa, mas os números já são outros, já melhoramos muito em relação a isso. São certos momentos de declive, mas mesmo assim, se você for pegar isso e comparar com os prefeitos de capital do Brasil, nossa.

ATUAL – Mas tem uma coisa que chama a atenção: na avaliação o senhor está bem, mas quando chega no confronto de intenção de votos, o senhor chega ali com 31%, não chega a 32% em qualquer cenário.

ARTHUR – Tem que avaliar um pouco os outros. Mas é o seguinte: não está em época de eleição. O povo medita, em algum momento. Ele não está meditando sobre isso agora. Ele meditará em algum momento sobre quem e é quem não é. Hoje, é mero exercício de elucubração. Agora, por outro lado, com a minha experiência eleitoral, você tem num eventual primeiro turno numa eleição majoritária, X por cento do que ele tem de bom, ótimo e regular positivo. Mas, enfim, a gente tem outras fontes que mostram pesquisas em que os números estão muito bons. E eu não estou preocupado com eleição, não. Realmente não estou, porque se estivesse, estaria agindo de outro jeito. Hoje começou um berreiro na porta, o pessoal gritando slogan, eu pedi pra parar porque não me interessa, eu tenho que governar a cidade bem. Queriam acabar com a reeleição, acabaram. Eu não sou beneficiário da reeleição, porque pra mim, se eu quiser ser candidato já está aí. Considero uma imprudência terem feito o que fizeram. Foi uma das reformas mais medíocre, mais canhestras que poderiam ter sido elaboradas no Congresso Nacional. Uma coisa às pressas, demagógica, boba, totalmente tola. Quatro anos é muito pouco pra uma pessoa governar. Teriam que aumentar pelo menos para cinco ou seis anos o mandato, e aí não teríamos reeleição. Ou teria que manter a reeleição, porque a reeleição veio e foi aplicada pela primeira vez para presidente da República, com Fernando Henrique. Depois tivemos as intermediárias, e foram cinco eleições presidenciais e mais as de prefeito. Acho a experiência muito curta, o Brasil é muito apressado. O Brasil às vezes acho que sofre de ejaculação prematura, porque é muito apressado. O Brasil não podia fazer assim desse jeito, tinha que deixar essa experiência amadurecer mais. Qual foi o erro cometido, inclusive pelo presidente Fernando Henrique e pelos legisladores da época, eu entre eles? É que não limitaram o número de reeleições. Nos Estados Unidos é uma reeleição para cargos executivos. Aqui, não. Sobretudo em cidades do interior, em época de bonança econômica, dá para criar um feudo familiar. O sujeito sai, passa quatro anos fora, depois volta, depois vem a esposa, vem a nora, vem não sei quem. Eu vi outros absurdos, como a proposta de manter a reeleição, mas o candidato teria que sair do governo. Isso seria mata o princípio da continuidade.

ATUAL – O senhor disse que não pensa em eleição agora, mas pensa em reeleição? A reeleição é uma coisa que o senhor já decidiu que vai disputar?

ARTHUR – É muito óbvio que se você está num cargo e você não desfruta de uma situação ruim, e tem a possiblidade de reeleição, é muito normal que as pessoas digam que tem que ser, que vai ser, que o adversário diga que vai enfrentá-lo, que o aliado diga “tem que ser”. E eu boto tudo no seu devido lugar. Tudo no seu devido tempo. O Márcio [Noronha] sabe, o Mário [Adolfo Filho] sabe, e o Célio [Junior] já deve ter percebido [os três acompanhavam a entrevista no gabinete do prefeito] como me aborrece, como uma coisa que me tira da graça é o cara me chamar pra conversar política. Reunião não sei de que. Pra mim é como se fosse um martírio. Se disserem assim: “Vamos reunir porque surgiu um novo asfalto, que é mais duro e vai aguentar mais, ou surgiu um bueiro que é antirroubo e não deixa inundar nunca”, isso me desperta e na mesma hora eu saio correndo, porque sou muito obsessivo quando faço as minhas coisas. Então, eu sinto que é muito cedo para discutir uma coisa dessas. Quem achar que deve cumprir esse papel, que cumpra, eu não me meto na vida de ninguém, mas só posso dizer, com a experiência que tenho, que presumo ter e o tempo indica que eu tenha, é que estamos longe do momento da reflexão das pessoas. Agora, uma coisa interessante: o nosso povo pode errar muito para cargos executivos, mas é incrível como o nosso povo leva a sério a eleição para cargos executivos. Ele tende a levar menos a sério os cargos legislativos, e aí já vem o nosso prezado Tiririca e outras pessoas aí do gênero.

Arthur entrevista 7

ATUAL – Prefeito, em relação ao PSDB, o partido perdeu um quadro importante, que foi o senador  Álvaro Dias, e há rumores de que poderá perder o governador Geraldo Alckmin (de São Paulo) e o senador José Serra. O partido está se enfraquecendo?

ARTHUR – Não, esses dois eu garanto que não vão sair. O Álvaro Dias tinha uma incompatibilidade muito grande com o governador Richa [Beto Richa, do Paraná]. E, assim: o Álvaro já passou por vários partidos; o Richa é um tucano histórico. Então, ele sabia que o lugar era do outro. Ele foi para um partido muito bom, que é o PSB. E Alckmin, nem pensar. O Alckmin poderá ser candidato a presidente da República ou a senador e o Serra é candidato a presidente da República ou a governador. E o Aécio continua como senador, eu acho até que em 2018 acaba o dele. Não, ele se elegeu em 14 e o mandato dele vai até 2022, ou é candidato a presidente da República. São as três pessoas que nós temos…

ATUAL – Não, o mandato do Aécio encerra em 2018.

ARTHUR – Ah, é verdade, ele se elegeu em 2010. Quando eu saí ele entrava. Então, ele fica sem mandato ou ele vira presidente da República.

ATUAL – Se o senhor tivesse que escolher em convenção do partido o candidato a presidente da República para 2018, votaria em qual dos três?

ARTHUR – Eu vou dizer com muita franqueza, primeiro fazendo uma análise: tenho uma relação de muito carinho com o Serra; tive um afastamento momentâneo com o Alckmin, que felizmente está superado; e tenho uma ligação muito forte com o Aécio. O que acontece é que o convencional em si é muito sensível à rua. O convencional de um partido com a vocação de poder que o PSDB tem, que mesmo quando perdeu eleições para o PT foi sempre em segundo turno e fazendo a maioria dos governadores que governam mais da metade do PIB brasileiro, é querer ir para o poder. Não fazer acordos com Deus no Rio Grande do Sul, com o diabo no Acre e com o purgatório no Centro-Oeste, e isso render mais deputados, pode até render mais governadores, e pode virar até uma máquina de chantagem contra quem esteja no governando. Se você me perguntar se estou falando do PMDB, eu estou. E não é difícil concordar, acho que até a própria presidente Dilma há de concordar comigo. “Presidente, a senhora acha que o Arthur falou errado ou falou certo essa história de que senhora é vítima, como outros já foram, da pressão de um partido que não lança candidato a presidente nunca…”

ATUAL – O Fernando Henrique foi vítima também do PMDB?

ARTHUR – Olha, ele controlava. O Fernando Henrique quando dava um ministério para alguém, empurrava sempre o secretário executivo dele. Ele é muito esperto e jogava muito com aquela história de o PFL contrabalancear o PMDB. O PFL era grande na época. Um não podia botar a faca no peito porque tinha o outro aqui. E ele tinha uma base com outros partidos também e tinha uma coisa que faltou muito para a Dilma: articuladores políticos. Ela não tinha articuladores políticos de peso. [voltando à questão anterir] Então, o convencional ele quer ir para o poder, ele é sensível às ruas. Então, se fosse hoje, não tenho nenhuma dúvida de que o candidato seria o Aécio. Eu fiquei impressionado quando fui ao Manauara [shopping] com ele e o Manauara inteiro cantando música de campanha dele. Foi a primeira cidade que ele visitou depois da eleição, depois de fazer um contato. Depois fomos a Parintins, e nos camarotes foi uma loucura, e quando chegamos embaixo, alguém viu que era ele, e começou um auê federal, uma coisa louca.  Então, se fosse uma eleição hoje, não adiantaria articular, porque o convencional iria votar no Aécio. O Geraldo Alckmin está se mexendo muito bem politicamente, tá fazendo boas articulações, é uma pessoa extremamente esperta, tem procurado reunir partidos em torno dele. E o Serra, dos dois, é o que tem menos parelho porque está como senador, dispõe de uma possiblidade de manobra menor, e o que vejo nele é que ele tem uma boa exposição de mídia qualitativa. Eu diria que o Serra hoje é disparadamente o melhor senador do País. A disputa, então, eu acho que vai acabar sendo Aécio e Alckmin, mas o Aécio teria que trabalhar mais a política e o Alckmin teria que começar a trabalhar mais o povo. Porque esse povo, hoje, vê no Aécio o outro. Toda essa contrariedade à presidente Dilma e ao governo do PT vai para o outro.

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Assuntos Alfredo Nascimento, Amazonas Atual, Amazonino Mendes, Arthur Virgilio Neto, Eduardo Braga, Reeleição
Valmir Lima 1 de novembro de 2015
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