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Esporte

Após acordo, José Maria Marin vai aos Estados Unidos a contragosto

30 de outubro de 2015 Esporte
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jose maria marin Sidney Oliveira - Ag. Pará
Ao chegar aos Estados Unidos, Marin ficará no máximo 72 horas em uma prisão (Foto:Sidney Oliveira/Agência Pará)

SUÉCIA – José Maria Marin só aceitou ser extraditado aos Estados Unidos após fechar acordo com a Justiça norte-americana e a sua decisão não foi voluntária. Fontes próximas ao processo na Suíça revelaram à reportagem que não houve mudança de posicionamento do ex-presidente da CBF, que inicialmente rejeitava a transferência, apostando que ainda conseguiria voltar ao Brasil. O que pesou foi um acordo costurado durante meses.

Foi a negociação que acabou atrasando uma definição sobre o brasileiro, que em junho havia entrado com um recurso na Suíça para não ser extraditado. Seus advogados se lançaram em um diálogo com o Departamento de Justiça para garantir que, em uma ida aos Estados Unidos, Marin receberia certos privilégios.

Pelo entendimento, o ex-presidente da CBF continuará a se declarar inocente e o processo vai seguir seu trâmite durante 2016. Mas ele aceita “colaborar” com a investigação e coloca uma parte significativa de seus bens nas mãos da Justiça. Isso vai incluir até mesmo uma garantia assinada por sua mulher.

Por enquanto, ele não teria de delatar ninguém. Mas a Justiça dos Estados Unidos voltará a propor isso a Marin. Um dos focos dos norte-americanos é traçar o envolvimento de Kleber Leite, Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira.

Ao chegar aos Estados Unidos, Marin ficará no máximo 72 horas em uma prisão e já será levado para seu apartamento em Nova York. O prazo é apenas para garantir que o depósito seja feito em uma conta da Justiça, além de trâmites burocráticos. O brasileiro, porém, poderá acompanhar seu julgamento de um flat com vista para a 5.ª Avenida, com um quarto, sala e cozinha.

Aos advogados suíços, Marin não conseguiu negar que os fatos apontados no indiciamento são falsos. Em um primeiro encontro na prisão, no início de junho, o brasileiro se dizia inconformado com as acusações e o fato de estar preso. Mas, na reunião seguinte, ao ser confrontado com o ato de acusação, mudou radicalmente de tom. Sua frustração teria sido com o comportamento de José Hawilla, o empresário que o gravou em uma conversa pedindo propinas para a Copa do Brasil.

Acordo

Seus advogados nos Estados Unidos optaram por buscar um acordo, no mesmo padrão do feito com Jeff Webb, o ex-vice-presidente da Fifa. O cartola entregou relógios de luxo, propriedades, carros e até o anel de noivado de sua mulher. Mas o acordo esbarrava em outro problema: quem pagaria a conta da fiança. O ex-dirigente indicou que não estaria disposto a arcar sozinho com a conta da fiança, que pode chegar perto de US$ 10 milhões.

A Justiça na Suíça também colaborou e aguardou por um acordo entre Marin e os norte-americanos antes de dar sua posição. Isso porque, se os suíços o extraditassem pelas vias legais, Marin chegaria aos Estados Unidos eventualmente sem um acordo, deixando-o mais vulnerável. Por isso seu processo levou mais de cinco meses e acabou sendo o último dos sete cartolas presos em maio a ser tratado.

Com todos esses aspectos solucionados, a Justiça suíça então convocou Marin para uma audiência na última terça-feira e o questionou se ele estaria disposto a ir voluntariamente aos Estados Unidos. A resposta foi “sim”.

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

 

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Valmir Lima 30 de outubro de 2015
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