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Expressão

Protagonismo em defesa da Amazônia é da Colômbia. E o Brasil…

9 de novembro de 2022 Expressão
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Floresta amazonica
A Colômbia tem menos de 10% da floresta amazônica enquanto o Brasil tem mais de 60% (Foto: Reprodução/Google)

EDITORIAL

MANAUS – O protagonismo em defesa da Amazônia na COP27 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) foi exercido pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Em discurso na conferência, na terça-feira (8) ele apresentou dez sugestões, algumas delas de mudanças radicais, para salvar o planeta, como o “um mundo sem petróleo e sem carvão”.

Sobre a Amazônia, ele apresentou, primeiro, o dever de casa, como país que compõe o bioma: a destinação de 200 milhões de dólares por ano, durante 20 anos, para preservar a floresta. Mas também cobrou que os demais países se empenhem e metam a mão no bolso para ajudar a conservar a Amazônia.

Petro pediu empenho da humanidade para salvar o planeta, “com ou sem a permissão de governos”. Para ele é a humanidade, através dos movimentos políticos, e não os governos que irão superar a crise climática. “É hora da mobilização de toda a humanidade”, diz o primeiro ponto do decálogo apresentado na conferência.

Ao mercado, esse ser invisível que domina o mundo, o presidente da Colômbia manda um recado duro: “O mercado não é o principal mecanismo de superação da crise climática. Foi o mercado e a acumulação de capital que o produziram e nunca serão seu remédio.”

Petro lembra que a Amazônia é um dos quatro pilares do clima do planeta e todos devem se empenhar pela preservação, e cobrou a contribuição global e não apenas as cobranças de preservação que atualmente são feitas aos países amazônicos.

Aos bancos, o presidente da Colômbia também apresentou sugestão que desestabiliza o sistema financeiro: “Os bancos privados e multilaterais do mundo devem parar de financiar a economia dos hidrocarbonetos.”

Dos dez pontos discutidos por Petro, dois fazem cobranças ao FMI (Fundo Monetário Internacional) e OMC (Organização Mundial do Comércio). Diz que “os tratados fundadores da OMC e do FMI vão contra a solução da crise climática e, portanto, devem ser subordinados e reformados aos acordos da COP e não o contrário.”

E dirigindo-se especificamente ao FMI, propõe que a instituição inicie um programa de troca de dívida por investimento na adaptação e mitigação das mudanças climáticas em todos os países em desenvolvimento do mundo. 

“As políticas de bloqueio econômico hoje não favorecem a democracia e vão contra os tempos da humanidade para agir contra a crise.”, diz Pietro.

Enquanto isso, o Brasil dorme eternamente em berço esplêndido. O governo brasileiro está muito mal representado; o presidente da República Federativa do Brasil, que se comportou nesses quatro anos como inimigo da Amazônia e de seus defensores, e incentivou o garimpo ilegal, a exploração ilegal de madeira, as queimadas e a devastação da floresta, sequer compareceu à COP27.

O dec​álogo de Gustavo Pietro

“Este é o decálogo que propomos:

1. A humanidade deve saber que se a política mundial não superar a crise climática, ela se extinguirá. Os tempos de extinção em que vivemos devem nos levar a agir agora e globalmente como seres humanos com ou sem permissão do governo. É hora da mobilização de toda a humanidade.

2. O mercado não é o principal mecanismo de superação da crise climática. Foi o mercado e a acumulação de capital que o produziram e nunca serão seu remédio. 

3. Somente o planejamento multilateral público e global nos permite avançar para uma economia global descarbonizada. A ONU deve ser o cenário desse planejamento. 

4. É a política mundial, ou seja, a mobilização da humanidade que corrigirá o rumo e não o acordo de tecnocratas influenciados, muitos deles, pelos interesses das empresas de carvão, petróleo e gás.

5. Devemos salvar os pilares do clima do planeta, em primeiro lugar. A floresta amazônica é uma das quatro existentes. A Colômbia concederá US$ 200 milhões anualmente por 20 anos para salvar a Floresta Amazônica. Aguardamos a entrada global.

6. A crise climática só pode ser superada se pararmos de consumir hidrocarbonetos. É hora de desvalorizar a economia de hidrocarbonetos com datas definidas para seu fim e valorizar os ramos da economia descarbonizada. A solução é um mundo sem petróleo e sem carvão.

7. Os tratados fundadores da OMC e do FMI vão contra a solução da crise climática e, portanto, devem ser subordinados e reformados aos acordos da COP e não o contrário. Enquanto mantivermos o atual tratado da Organização Mundial do Comércio, não avançaremos, retrocederemos na solução da crise climática e chegaremos cada vez mais perto do fim.

8. O FMI deve iniciar o programa de troca de dívida por investimento na adaptação e mitigação das mudanças climáticas em todos os países em desenvolvimento do mundo. As políticas de bloqueio econômico hoje não favorecem a democracia e vão contra os tempos da humanidade para agir contra a crise.

9. Os bancos privados e multilaterais do mundo devem parar de financiar a economia dos hidrocarbonetos. 

10. As negociações de paz devem começar imediatamente. A guerra tira o tempo, vital para a humanidade evitar sua extinção.”

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Assuntos Amazônia, Amazônia brasileira, clima, COP27, Floresta Amazônica, Gustavo Petro
Valmir Lima 9 de novembro de 2022
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1 Comment
  • Bismarck Chixaro disse:
    10 de novembro de 2022 às 12:32

    O mandatário colombiano apresenta na COP27 a melhor proposta p/ salvar tanto planeta quanto a Amazônia, deveria ter incluído a quarta propositura do Lixo Zero na floresta e o uso de mercúrio na exploração do metal de aluvião. E mais uma vez a delegação brasileira passa perrengue e vergonha ao atual governo de Bolsonaro.

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