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Economia

Infloresta busca aumentar mercado global de produtos da Amazônia

24 de outubro de 2022 Economia
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Salo Coslovsky é professor associado da Universidade de Nova York e coordenador do Infloresta (Foto: Divulgação)
Salo Coslovsky é professor associado da Universidade de Nova York e coordenador do Infloresta (Foto: Divulgação)
Do ATUAL

MANAUS – A exportação de produtos como cacau, dendê, mel, pimenta do reino e castanha-do-Brasil pode impulsionar a participação brasileira no mercado internacional e render US$ 2,3 bilhões ao ano a produtores na Amazônia. As projeções são do Infloresta, projeto de desenvolvimento científico com base em Belém (PA), São Paulo (SP) e Nova York, nos Estados Unidos.

De acordo com os estudos do Infloresta, de US$ 176,6 bilhões movimentados no mercado internacional, a Amazônia brasileira participa com apenas 0,17%. O instituto desenvolve pesquisa para apontar soluções que melhorem o desempenho das exportações e fortaleça os negócios sustentáveis na região.

O Infloresta é um dos desdobramentos do Amazônia 2030, levantamento científico conduzido por pesquisadores brasileiros para elaborar um plano de desenvolvimento sustentável para a Amazônia.

As pesquisas terão duração de até 18 meses e analisará três cadeias de produtos compatíveis com a floresta. O primeiro estudo será na produção do cacau.

O projeto é apoiado pelo Plano Amazônia, iniciativa conjunta dos três maiores bancos privados do Brasil – Bradesco, Itaú Unibanco e Santander -, e também pelo Amazônia 2030, Instituto Arapyaú, Instituto humanize e Kawa Capital Management.

“Mergulharemos nas cadeias de produção para entender como essas atividades podem atingir todo seu potencial”, afirma Salo Coslovsky, professor da Universidade de Nova York e coordenador do Infloresta.

“O desafio do Amazônia 2030 é traçar caminhos para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. O Infloresta é fundamental para investigar como promover as atividades econômicas compatíveis com a floresta”, afirma Juliano Assunção, coordenador do Amazônia 2030 e diretor do Climate Policy Initiative (CPI/PUC-Rio).

“Por meio de uma abordagem científica, o Infloresta tem potencial para gerar novas oportunidades de investimento e negócios que tenham ESG em sua essência”, afirma Cristina Baldim, vice-presidente da Kawa Capital Management.

A diretora do Instituto humanize, Georgia Pessoa, destaca a importância do caráter multidisciplinar do projeto.

“A colaboração entre especialistas e empreendedores da região, além de um investimento maior em questões como infraestrutura, tecnologia e disseminação de conhecimento sobre boas práticas, são alguns dos elementos que contribuem para fortalecer as cadeias produtivas e que ajudam a dar escala à comercialização de produtos”, afirma Georgia.

Cacau

Inicialmente os pesquisadores examinarão a cadeia do cacau, um produto que movimenta mais de US$ 9 bilhões ao ano no mercado global, considerando apenas a venda do cacau inteiro ou partido.

O Brasil já foi líder nesse mercado, mas hoje ocupa o sétimo lugar no ranking dos maiores produtores.

Os expoentes são Costa do Marfim, com 40% da exportação, e Gana (18%), seguidos por Nigéria (7%) e Equador (7%). Entre 2017 e 2019, a Costa do Marfim exportou cacau para 39 países, enquanto a Amazônia vendeu somente para quatro nações.

“O cacau brasileiro possui impactos sociais e ambientais positivos. Pequenos agricultores são responsáveis por grande parte da produção, feita em sua maioria em sistemas agroflorestais”, afirma Thais Ferraz, diretora do Instituto Arapyaú, um dos apoiadores do Infloresta.

“Essas características podem ser usadas para maior valorização do cacau brasileiro, contribuindo para a abertura de novos mercados e melhor remuneração às famílias produtoras”, completa.

Um levantamento conduzido pela equipe de Coslovsky no ano passado, dentro do projeto Amazônia 2030, sugere que há muitas oportunidades para melhorar o desempenho dos produtos compatíveis com a floresta no comércio internacional.

Atualmente, os maiores exportadores de produtos sustentáveis são países que enfrentam condições sociais, políticas e econômicas parecidas ou mais desafiadoras do que as do Brasil.

O Vietnã detém 42% do comércio global de pimenta do reino, a Bolívia 52% das vendas de castanha-do-brasil descascada. Já a Amazônia tem, respectivamente, 7% e menos de 5% desses mercados.

“Empresas e comunidades da Amazônia têm muito espaço para crescer, antes mesmo que os problemas estruturais da região sejam plenamente resolvidos”, diz Coslovsky. “O Brasil não está perdendo só a oportunidade de alavancar a economia da região, mas, sobretudo, a chance de produzir e lucrar sem que nenhuma árvore precise ser derrubada”, afirma.

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Assuntos Amazônia, castanha-do-brasil, destaque, Exportações, Infloresta, pimenta do reino
Redação 24 de outubro de 2022
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