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© 2022 Amazonas Atual
Sandoval Alves Rocha

A urgência do voto a favor da Amazônia

30 de setembro de 2022 Sandoval Alves Rocha
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A Amazônia passa por momento trágico vivendo escalada inédita de destruição. Com uma das maiores sociobiodiversidades do planeta, essa região pede socorro para os que habitam em território nacional e fora do Brasil. Este grito que tem sido cotidianamente abafado adquire intensidade nos últimos anos, mostrando o quanto somos ineptos na defesa da vida. Por tal atitude temos sido cúmplices neste movimento infame. Mas, tendo em vista a gravidade dessa questão, podemos iniciar nessas eleições uma trajetória diferente.

No mês de setembro, batemos recorde na incineração da Amazônia. Fechamos o período com o maior índice de queimadas nos últimos 12 anos. Dados do Instituto parciais Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), referentes aos 25 primeiros dias do mês, indicam o registro de 36.850 focos de incêndio no bioma. Na última década, o total de queimadas na Amazônia em setembro superou a marca dos 30 mil apenas três vezes (2017, 2020 e 2022), sendo as duas últimas sob o governo de Jair Bolsonaro.

As queimadas não são um evento isolado ou natural na Amazônia. Elas são associadas a uma cadeia planejada de ações. Elas estão ligadas ao desmatamento e, consequentemente à ação humana. Após derrubarem a mata, os desmatadores usam fogo para limpar a área. Em seguida, a área desmatada normalmente é usada para grilagem e como pasto. Essa dialética perversa não se reduz somente a destruição das florestas, mas se estende a outros setores. O desmonte dos sistemas de proteção aos povos originários, assim como a atividade extrativista de minérios, as hidrelétricas e o agronegócio se associam igualmente a esse projeto de degradação ambiental.

A política de morte implantada eficazmente nos últimos anos pode ser percebida também no aumento dos assassinatos de lideranças e defensores dos direitos humanos e ambientais.  O Brasil é o país mais letal para defensores da terra e do meio ambiente, concentrando 20% dos assassinatos desses ativistas nos últimos dez anos. Segundo a organização britânica Global Witness, a América Latina concentra 68% das mortes no período. Dos 342 ataques letais a ativistas, no Brasil, um a cada três são indígenas ou afrodescendentes. A propósito, 85% desses ataques ocorrem na região amazônica, possuidoras de grandes riquezas naturais.

Essa política torna impossível a formação uma nação minimamente civilizada, por isso é imprescindível substituir os atuais decisores políticos que são direto ou indiretamente responsáveis por tais atrocidades. O exercício da boa política neste momento é uma exigência e reveste-se de especial importância. A vida humana e ecológica está sendo menosprezada e tratada como lixo. No Brasil, as principais estratégias sociais de promoção da vida são demolidas ou enfraquecidas: o sistema de saúde, o saneamento básico, a educação, a previdência social, os direitos humanos e a democracia.

Enquanto ainda há alguma coisa para ser preservada é necessário alçar a força do voto popular a fim de evitarmos uma destruição total. Vivemos um momento decisivo para a Amazônia e para o Brasil. Para o bem de todos (as), o poder do voto e da democracia deve prevalecer acima de todas as ameaças autoritárias engendradas por aqueles que atualmente manuseiam o aparato estatal para tecer a trágica situação em que vivemos.


Sandoval Alves Rocha é doutor em Ciências Sociais pela PUC-RIO. Participa da coordenação do Fórum das Águas do Amazonas e associado ao Observatório Nacional dos Direitos a Água e ao Saneamento (ONDAS). É membro da Companhia de Jesus/Jesuítas e professor da Universidade Católica de Pernambuco (UNICAP).

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Não basta tecnologia, é necessário mudar de mentalidade

Assuntos Amazônia, Floresta Amazônica, Meio Ambiente
Cleber Oliveira 30 de setembro de 2022
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