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Dia a Dia

Licença para pesquisa era usada para extrair ouro, diz PF

11 de julho de 2022 Dia a Dia
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Empresa de comércio de ouro é alvo de investigação da PF (Foto: Silas Laurentino/Photo Press/Folhapress)
Por Marcelo Rocha, da Folhapress

BRASÍLIA – Com uma licença que permitia apenas fazer pesquisa, empresários teriam extraído ouro ilegalmente e devastado extensa área de floresta no Norte do país, segundo a Polícia Federal.

“Embora se trate de uma simples autorização de pesquisa, verifica-se que os investigados vêm, de fato, explorando ilegalmente o local”, afirmaram os policiais no inquérito que respaldou a Operação Ganância, uma das três ações deflagradas contra o grupo na quinta-feira (7).

Conforme mostrou reportagem da Folha, um dos suspeitos, o empresário Márcio Macedo Sobrinho, sócio da Gana Gold, atual M.M Gold, esbanjava uma vida de luxo.

Informações colhidas pela PF revelaram movimentações milionárias em suas contas e gastos com helicópteros, lanchas, caminhonete importada e uma festa de casamento embalada ao som de duplas sertanejas famosas.

A polícia estima que as empresas ligadas a Sobrinho tenham movimentado cerca de R$ 16 bilhões entre 2019 e 2021.

A apuração aponta que o grupo não contava com autorização de lavra para realizar a atividade em uma área vinculada ao município de Itaituba (PA). A lavra é o tipo de licença expedido pelo poder público que permite a extração de minério.

Detinha apenas uma GU (guia de utilização), expedida em março de 2020, “de caráter excepcional, não podendo ser confundida com a autorização final”, afirmou a polícia. Os investigadores disseram que o caráter de excepcionalidade não foi observado pelos suspeitos. “Existe intensa atividade no local que claramente supera a de mera pesquisa, havendo inclusive movimentação expressiva de caminhões”.

Para ilustrar a suspeitas levantadas contra o grupo empresarial, a PF anexou aos autos fotos aéreas de uma área de aproximadamente 192 hectares.

Imagens mostram trechos de mata devastada. Na área foram construídos barracos, galpões e outras estruturas utilizadas para exploração do local.
Em março de 2020, segundo informou a PF, a ANM (Agência Nacional Mineral) emitiu uma guia de utilização em nome da Gana.

O perito responsável pela análise do identificou valores incompatíveis de comercialização do ouro que superam em até 33 vezes o teor estimado de aproveitamento do produto na pesquisa mineral.

Até agosto de 2021, em apenas um ano e cinco meses, a Gana “registrou o comércio de um total correspondente de 3.998.223 g (três milhões, novecentos e noventa e oito mil, duzentos e vinte três gramas) de ouro ou, aproximadamente, 4 t (quatro toneladas)”.

Isso representa, segundo a PF, um aumento de cerca de 2.380% em relação à produção anual informada na guia de utilização, que previa cerca 96.519,16 gramas de ouro a cada 12 meses.

“Assim, nesse período, a produção deveria ter sido 160.865,72 g (cento e sessenta mil, oitocentos e sessenta e cinco gramas e setenta de dois centésimos) de ouro e não quase quatro toneladas”, afirmou a polícia.

A empresa Gana Gold, de acordo com a investigação, “esquentava” o ouro extraído ilegalmente em garimpos da região Norte do país. Para isso, ela se valia de licenças ambientais inválidas, extrapolando os limites de pesquisa que possuía.

A empresa não foi encontrada pela reportagem para comentar as acusações.

Ao se debruçar sobre os dados financeiros do grupo empresarial liderado pela Gana Gold, a PF diz ter descoberto que dezenas de investigados “movimentaram quantias milionárias e demonstraram possuir elevado patrimônio”.

Eles também ocultavam os valores provenientes do crime, e alguns deles solicitaram e receberam o auxílio emergencial do governo federal durante a pandemia.

“Foi revelada uma movimentação de quantias bilionárias pelo grupo criminoso, com depósitos e saques milionários em espécie, empresas de fachada e transferências bancárias entre envolvidos”, afirmou a polícia.

Em um documento anexado ao pedido de buscas e prisões, a PF detalha por meio de fotos como o empresário gastava parte do dinheiro oriundo do garimpo ilegal.

O casamento de Macedo, por exemplo, teve duas duplas sertanejas famosas como atração. Bruno e Marrone, dos clássicos “Dormi na Praça” e “Choram as Rosas”, e Jads e Jadson cantaram no evento.

“De acordo com sites abertos, o cachê da primeira dupla é de aproximadamente R$ 220 mil e o da segunda chega a R$ 80 mil, valores elevados gastos apenas com as bandas do casamento”, diz a PF.

Os investigadores também elencam no documento fotos de bens de luxo de Macedo, todos com um adesivo com sua logomarca particular: a MM, iniciais do seu nome.

Entre as fotos juntadas no relatório pelos investigadores estão uma lancha com o nome “Garimpeiro”, caminhonete importada, helicóptero e aviões.

Outro bem que a PF aponta para a vida de luxo de Macedo é a mansão em Novo Progresso (PA).

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Assuntos destaque, garimpo ilegal, Ouro, Polícia Federal
Cleber Oliveira 11 de julho de 2022
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