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Economia

PGR pede para ouvir ex-presidente da Petrobras sobre suposta interferência de Bolsonaro

4 de julho de 2022 Economia
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Augusto Aras, PGR
Procurador-geral da República, Augusto Aras (Foto: Antonio Augusto/PGR)
Por José Marques, da Folhapress

BRASÍLIA – A PGR (Procuradoria-Geral da República) pediu nesta segunda-feira (4) ao STF (Supremo Tribunal Federal) para ouvir o ex-presidente da Petrobras Roberto Castello Branco a respeito de mensagens que apontam suposta interferência do presidente Jair Bolsonaro (PL) na estatal.

O órgão, em manifestação assinada pela vice-procuradora-geral Lindôra Araújo, também solicita que o ex-presidente do Banco do Brasil Rubem Novaes conceda depoimento a respeito do assunto.

O pedido foi encaminhado para o relator do caso no Supremo, ministro Luís Roberto Barroso. Como o Judiciário está de recesso em julho, o processo ficou nas mãos da vice-presidente do STF, Rosa Weber, que está de plantão.

Nesse depoimento, afirma Lindôra, Castello Branco deve ser questionado se existiam mensagens e áudios em seu celular corporativo que poderiam incriminar o presidente da República. Também devem pedir a ele que explique o teor desse material.

Além disso, teria que explicar as datas, circunstâncias e contextos que essas mensagens foram encaminhadas ou recebidas, e por qual motivo não as apresentou às autoridades competentes assim que possível.

Já Novaes teria que esclarecer o histórico de contato com Castello Branco, a natureza da conversa travada e se poderia detalhar se houve supostas trocas de mensagens entre os dois nas quais Castello Branco teria reportado irregularidades cometidas pelo presidente.

A manifestação de Lindôra foi feita após um pedido de abertura de inquérito pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) sobre possíveis provas de crimes que teriam sido cometidos pelo presidente da República.

Randolfe queria também que houvesse busca, apreensão e perícia do celular que era usado por Castello Branco. Para ele, houve indícios da prática de crimes como prevaricação, corrupção passiva ou peculato, condescendência criminosa e violação de sigilo funcional.

Reportagem do site Metrópoles mostrou uma troca de mensagem em um grupo de economistas em uma rede social, em particular entre Castello Branco com o ex-presidente do Banco do Brasil Rubem Novaes.

O ex-presidente da Petrobras afirmou que o celular corporativo que foi devolvido à estatal continha mensagens e áudios que poderiam incriminar o presidente Jair Bolsonaro.

Castello Branco, então, diz que devolveu o aparelho “intacto” para a estatal.

Lindôra afirma que os elementos apresentados até agora não trazem convicção suficiente do Ministério Público para a instauração da investigação solicitada, mas diz que “o diálogo mantido e de teor não negado pelos interlocutores suscita maiores esclarecimentos que podem nortear providências investigativas não açodadas ou temerárias”.

A Petrobras virou alvo de polêmicas no último mês, por conta da alta dos preços dos combustíveis. Após a estatal anunciar um novo reajuste, Bolsonaro e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), iniciaram uma ofensiva que resultou na renúncia do então presidente José Mauro Coelho -a terceira troca no governo Bolsonaro.

Na segunda-feira (27), o conselho de administração da Petrobras confirmou a nomeação de Caio Paes de Andrade para a presidência da companhia. Ele foi eleito também para integrar o colegiado, pré-condição para que passe a chefiar a estatal.

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Assuntos interferência, Jair Bolsonaro, Petrobras
Redação 4 de julho de 2022
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