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Economia

Desemprego vai a 11,2%, menor desde 2016, mas renda é a mais baixa da série

18 de março de 2022 Economia
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No trimestre móvel encerrado em janeiro, a taxa de desocupação recuou para 11,2% (José Cruz/Agência Brasil)
Leonardo Vieceli, da Folhapress

SÃO PAULO – O desemprego voltou a cair no Brasil, mas a renda do trabalho desabou quase 10% no intervalo de um ano, indicam dados divulgados nesta sexta-feira (18) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

 No trimestre móvel encerrado em janeiro, a taxa de desocupação recuou para 11,2%. É a menor marca para o período desde o começo de 2016, quando a economia nacional atravessava recessão. À época, a taxa estava em 9,6%.

Já a renda média do trabalho foi estimada em R$ 2.489 no intervalo até janeiro de 2022. Trata-se do menor valor para os trimestres comparáveis na série histórica, iniciada em 2012, diz o IBGE.

O indicador, chamado de rendimento real habitual, é corrigido pela inflação. A pressão inflacionária, aliás, ajuda a explicar a queda na renda, sinalizou a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Adriana Beringuy.

A redução do indicador foi de 1,1% frente ao trimestre imediatamente anterior, de agosto a outubro de 2021. Em relação ao mesmo intervalo de um ano antes (novembro de 2020 a janeiro de 2021), a baixa foi mais intensa, de 9,7%.

“A retração dos rendimentos, que costuma ser associada ao trabalhador informal, esteve disseminada para outras formas de inserção, e não apenas às relacionadas à informalidade”, disse Adriana.

“Embora haja expansão da ocupação e mais pessoas trabalhando, isso não está se revertendo em crescimento do rendimento dos trabalhadores em geral”, completou.

A taxa de desemprego de 11,2% veio próxima das expectativas do mercado financeiro. Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam 11,3%.

Até janeiro, a população desempregada recuou para 12 milhões. Pelas estatísticas oficiais, uma pessoa é considerada desocupada quando não tem trabalho e segue à procura de oportunidades.

No trimestre imediatamente anterior (agosto a outubro), a taxa de desemprego estava em 12,1% no país. À época, a população desocupada era estimada em 12,9 milhões. Ou seja, houve baixa de 858 mil pessoas nessa condição.

No trimestre de novembro de 2020 a janeiro de 2021, a taxa de desemprego estava em 14,5%. A população desocupada era de 14,7 milhões na ocasião -havia 2,7 milhões de pessoas a mais em busca de trabalho.

Os dados integram a Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua). O levantamento contempla tanto o mercado de trabalho formal, com carteira assinada ou CNPJ, quanto o informal, sem esses registros.

“Uma questão importante é olhar a qualidade do trabalho. As pessoas estão voltando a trabalhar, mas a inflação está alta. O avanço dos preços é um complicador, porque o poder de compra não é retomado”, aponta o economista Rodolpho Tobler, pesquisador do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

No trimestre até janeiro, a população ocupada com algum trabalho foi estimada em cerca de 95,4 milhões. Significa acréscimo de quase 1,5 milhão de pessoas ante o trimestre até outubro, além de aumento de 8,2 milhões frente a igual período do ano anterior.

Adriana associou a alta da população ocupada a uma combinação de fatores, como a reabertura da economia e o avanço da vacinação contra a Covid-19.

Mas, com a inflação persistente, mais pessoas podem ter sido forçadas a encontrar algum tipo de trabalho para tentar recompor ou manter o padrão de renda familiar, sinalizou a pesquisadora.

“Há hipóteses. Se o poder de compra das famílias diminui, pode ser necessário que haja mais mão de obra em ação”, analisou Adriana.​

MERCADO​ FORMAL PUXA OCUPAÇÃO

De cerca de 1,5 milhão de pessoas a mais na população ocupada, ante o trimestre anterior, quase 1,2 milhão (ou 78,7%) foram inseridas no mercado formal. O predomínio da geração de vagas com carteira ou CNPJ marca um comportamento diferente em relação a trimestres anteriores.

Já a informalidade respondeu por 313 mil (ou 21,3%) das 1,5 milhão de pessoas a mais na população ocupada. Apesar da maior participação formal no crescimento trimestral, o IBGE ponderou que o número de informais está próximo do recorde da série.

A população sem carteira ou CNPJ chegou a 38,5 milhões. A máxima da série, de 38,8 milhões, foi registrada entre agosto e outubro de 2019, antes da pandemia.

“É preciso ter cautela para avaliar esses dados. A informalidade segue alta. Pode ter ocorrido uma recomposição de vagas formais que haviam sido perdidas. Temos de esperar para falar ou não em uma reversão de tendência”, diz Tobler, do FGV Ibre.

No cenário de 2022, as projeções indicam que a retomada do mercado de trabalho deve perder fôlego. De acordo com analistas, isso tende a ocorrer devido ao fraco desempenho esperado para a atividade econômica neste ano, o que impactaria a demanda por mão de obra.

“Em 2022, espera-se que a pandemia saia do radar, e o que deve ditar o mercado de trabalho é a atividade econômica. As projeções indicam PIB [Produto Interno Bruto] fraco neste ano, e isso sugere mercado de trabalho em ritmo lento”, avalia Tobler.

Por ora, o FGV Ibre aposta em taxa de desemprego de 11,2% ao final de 2022, segundo o pesquisador. O C6 Bank também vê o indicador nesse nível.

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Assuntos desemprego, IBGE, renda
Redação 18 de março de 2022
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