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© 2022 Amazonas Atual
José Ricardo

Conta de energia pode reduzir

15 de fevereiro de 2022 José Ricardo
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tiago paiva

O aumento da conta de energia está revoltando a população do Amazonas. É possível reduzir essa conta: acabar com o adicional da bandeira de Escassez Hídrica e investigar melhor a denúncia de possíveis “gatos” da Amazonas Energia ao instalar novos medidores.

Com a privatização da Amazonas Energia, os novos acionistas buscam aumento de lucros e implantaram uma política de preços elevados da tarifa de energia. Em função do desemprego, da redução de salários, da inflação de 10% ao ano, da queda da renda e do aumento da pobreza, muitas famílias não têm condições de pagar uma tarifa tão “salgada”.

Na conta de energia consta um adicional, chamado Bandeira Escassez Hídrica. Esse adicional foi implantado em 2021, em função da escassez de chuvas e, com isso, reduziu a capacidade dos reservatórios de água das hidrelétricas. A bandeira tarifária de escassez foi colocada pelo governo para compensar o aumento do custo de geração de energia com o acionamento de termelétricas diante da menor capacidade nas hidrelétricas.

Apesar das chuvas acima da média nos últimos meses, que causaram alagações e mortes em várias cidades, o Governo Federal não acabou com a bandeira de escassez hídrica. O povo sofre com as chuvas e está sofrendo com a tarifa elevada de energia. Segundo o Operacional Nacional do Sistema Elétrico (ONS), as chuvas no país entre outubro do ano passado e janeiro de 2022 estão 40% acima da média do mesmo período entre 2020/2021.

Assim, já está na hora de acabar com a Bandeira Escassez Hídrica, que consome cerca de 10% da conta de energia. A maioria dos Estados, como o Amazonas, vive com problemas de enchentes e chuvas, mas é obrigada a pagar tarifa mais cara, por escassez hídrica.

É possível reduzir essa tarifa, se a medição da energia, por meio dos medidores da Amazonas Energia, for correta. No final de janeiro, em muitos bairros de Manaus, a população não estava aceitando a instalação de novos medidores, denunciando o aumento absurdo da conta de energia.

No dia 28 de janeiro, encaminhei representação junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), solicitando fiscalização e investigação sobre a possível falta de transparência na implantação do novo sistema de medição, sobre a dificuldade de o consumidor acompanhar a medição e as possíveis cobranças abusivas.

Mas a cidade de Manaus foi surpreendida com a informação prestada pelo presidente do Instituto de Pesos e Medidas (IPEM/AM), na reunião itinerante da CPI da Amazonas Energia, da Assembleia Legislativa do Amazonas, ocorrida no bairro da Alvorada 2, no dia 11 de janeiro último, de que aos fiscalizar mais de 25 mil medidores de energia elétrica constatou que muitos aparelhos estavam marcando errado, em alguns casos, com valor cobrado em dobro.

Portanto, a população tem razão em se revoltar com os novos medidores e questionar os altos valores da conta de energia. Isto precisa ser apurado. É uma denúncia grave, que exige explicação pela Amazonas Energia e reforça a investigação da Aneel, do Inmetro e do Ipem.

Assim, é possível a conta de energia reduzir com o fim da bandeira de escassez hídrica e garantir que não haja “gato” por parte da Amazonas Energia ao instalar os novos medidores.


José Ricardo Wendling é formado em Economia e em Direito. Pós-graduado em Gerência Financeira Empresarial e em Metodologia de Ensino Superior. Atuou como consultor econômico e professor universitário. Foi vereador de Manaus (2005 a 2010), deputado estadual (2011 a 2018) e deputado federal (2019 a 2022). Atualmente está concluindo mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela escola Latina-Americana de Ciências Sociais.

Os artigos publicados neste espaço são de responsabilidade do autor e nem sempre refletem a linha editorial do AMAZONAS ATUAL.

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Assuntos Amazonas Energia, energia elétrica, preço da energia
Murilo Rodrigues 15 de fevereiro de 2022
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