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Economia

Tendência é de aumento na taxa básica de juros para conter inflação

22 de setembro de 2021 Economia
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Sede do Banco Central em Brasília (Foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil)
Por Lucas Bombana, da Folhapress

SÃO PAULO – O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decide nesta quarta-feira (22) qual será o novo patamar da taxa básica de juros do país, a Selic, hoje em 5,25% ao ano. A expectativa majoritária do mercado aponta para alta de 1 ponto percentual, para 6,25% ao ano.

Para analistas e ex-diretores do BC, contudo, o quadro macroeconômico do país demandaria uma atuação mais agressiva da autoridade monetária, de modo a controlar as expectativas de inflação mirando o ano eleitoral de 2022.

Frente à incômoda pressão inflacionária, há até quem já veja no mercado a taxa se aproximando novamente dos dois dígitos no início do ano que vem.

Para o consultor e ex-diretor do BC Alexandre Schwartsman, a política monetária ainda não foi capaz de conter a deterioração nas expectativas de inflação do mercado e, portanto, é preciso fazer mais. “Todas as indicações estão mostrando que a inflação é bem mais persistente do que muita gente imaginava”, diz Schwartsman.

Ele diz que se trata de um processo cada vez mais disseminado na economia brasileira, e que mais recentemente passou a alcançar também o setor de serviços.

“Para que a inflação caminhe para a meta, o BC terá de fazer um esforço grande”, afirma o consultor. Ele defende que, quanto mais rápido for feito o aperto na política monetária, maior tende a ser a chance de sucesso do BC no trabalho de convergência da inflação para a meta em 2022.

A meta de inflação a ser perseguida pelo Banco Central no ano que vem é de 3,5%, com uma banda de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

No mais recente relatório Focus, a projeção para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) em 2022 está em 4,10%. A estimativa vem sendo revisada para cima há nove semanas.

Schwartsman avalia que as sinalizações transmitidas recentemente pelo BC indicam que a autoridade monetária pretende manter o ritmo de alta das reuniões anteriores.

“Precisa apertar o ritmo (de alta dos juros)”, diz o consultor, que prevê Selic ao redor de 9% em meados de 2022, para que o BC consiga entregar a inflação na meta no ano que vem.

Um ex-diretor da autoridade monetária que prefere não ser identificado vai na mesma linha e diz que a inflação está ganhando tração. Para este ex-diretor, uma inflação persistente precisa ser combatida com “persistência”.

Segundo ele, embora no Focus a inflação para 2022 ainda esteja perto de 4%, é cada vez mais comum projeções próximas ou até acima de 5%. Para ele, o BC deveria elevar a Selic em 1,25 ponto percentual; do contrário, e encerrando o ano em 8,25%, dificilmente não voltará a flertar com os dois dígitos para conter as previsões de inflação para 2022.

Os economistas Solange Srour e Lucas Vilela, do banco Credit Suisse, revisaram nesta semana de 8,25% para 9,75% sua projeção para a taxa Selic no fim do ano que vem.

“Acreditamos que o atual ritmo de aperto de 1 ponto percentual é ideal para as próximas três reuniões deste ano, e mantemos nossa projeção para a Selic em 8,25% no fim de 2021. Apesar disso, consideramos que o forte aumento da inflação corrente e nossas projeções mais altas são compatíveis com a continuidade do ciclo de aperto monetário em 2022”, diz o relatório do banco.

Os economistas esperam agora por mais duas altas da Selic em 2022, de 1 ponto percentual em fevereiro, e de 0,50 ponto em março, com a taxa se mantendo em 9,75% até o fim do ano que vem. A previsão do banco para a inflação medida pelo IPCA também foi revisada, de 8,1% para 8,5%, em 2021, e de 5% para 5,2%, em 2022, acima da banda de tolerância do BC.

“Não vejo como não acomodar um pouco de inflação para o ano que vem”, diz o sócio da SPX Capital e ex-diretor do BC Beny Parnes, apontando o risco hídrico e as incertezas políticas como fatores que podem pressionar ainda mais os preços nos próximos meses.

Ele avalia que houve um erro na condução da política monetária quando a taxa básica de juros foi levada para 2% em um contexto de elevado nível de incerteza. A queda da Selic nessa magnitude contribuiu para a desvalorização da moeda brasileira mesmo frente a pares emergentes, movimento esse que segue contribuindo até hoje para manter a inflação elevada, afirma Parnes.

Para o ex-BC, a decisão mais acertada da autoridade monetária nesta quarta seria optar por uma alta de 1 ponto percentual, de modo a gerar o menor nível de ruído possível junto aos agentes de mercado. “O BC deveria deixar a imaginação do mercado ser menos fértil”, diz o sócio da SPX.

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Assuntos banco central, Copom, mercado financeiro, Selic
Murilo Rodrigues 22 de setembro de 2021
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