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Variedades

‘Cidades de Papel’ é melhor que ‘A Culpa é das Estrelas’

9 de julho de 2015 Variedades
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Cidades de Papel Divulgação
O título refere-se a cidades que existem no mapa, mas não na realidade; conceito surgiu nos EUA por meio de dois cartógrafos que criaram uma cidade fictícia no Estado de Nova York para provar possíveis casos de fraude ou pirataria (Foto: Divulgação)

RIO DE JANEIRO – No encontro que tiveram no Rio com o repórter, o escritor John Green e o ator Nat Wolff adoraram a definição para Cidades de Papel, que estreia nesta quinta, 9, nos cinemas brasileiros. O longa adaptado do livro de Green está sendo lançado no País uma semana antes que na Europa e duas antes que nos EUA. Os números de A Culpa É das Estrelas, outra adaptação de Green, garantiram a honra – o filme foi visto por 6,2 milhões de espectadores. A expectativa da distribuidora (Fox) é igualar e até superar o público. Se a qualidade contar para alguma coisa, Cidades de Papel é candidato a megaêxito. A Culpa já era bom, mas Cidades é bem melhor.

A definição – o filme situa-se no cruzamento de Conta Comigo, que Rob Reiner adaptou de Stephen King, com Clube dos Cinco, de John Hughes, que acaba de sair em Blu-Ray no Brasil, numa edição comemorativa, cheia de extras, dos seus 30 anos. Conta Comigo é aquele filme sobre grupo de amigos que se une numa missão – para localizar o corpo de adolescente que desapareceu na floresta. O Clube dos Cinco é sobre outro grupo que fica preso em recuperação na escola e que se abre conversando. Ambos os filmes foram feitos no biênio 1985/86. Tratam do rito de passagem. Viraram obras de culto, testemunhos geracionais. E, finalmente, Conta Comigo e Clube dos Cinco estão entre os filmes favoritos de Green, Wolff e do diretor Jake Schreier, que assina Cidades de Papel.

O filme traz a história de Q (Quentin), que, de cara, conta que sua vida sofreu uma reviravolta quando Margo se mudou para o bairro. A garota da porta ao lado é um mito muito difundido (em livros, filmes, canções). Q e Margo começam crianças, crescem unidos e, um dia, a vida os separa. Até que ela, agora interpretada por Cara Delevingne, reaparece na vida de Q e o arrasta numa aventura de uma noite. E some de novo, mas agora até a polícia está em seu encalço. Na fantasia de Q, Margo lhe deixou uma série de pistas porque quer que ele siga no seu encalço, o que ele faz com a ajuda de dois amigos. O trio cai na estrada, namoradinhas agregam-se ao grupo.

Há, lá no fundo, o temor de que Margo esteja morta. Isso, a estrada, o grupo, a missão, tudo remete a Conta Comigo. E as conversas, as experiências, tudo também perfaz a realidade dos cinco no clube, mesmo que o longa de Schreier seja sobre movimento e o de Hughes, sobre a sensação de estar (e se sentir) parado. Já se disse de Green – é consenso – que ele virou um fenômeno editorial no mundo todo por dar voz, e entender, a juventude. Há quem diga mais – que ele, falando a língua dos jovens, lhes deu credibilidade. Green é produtor associado de Cidades. Jura que não interferiu no roteiro e que Schreier teve carta branca para mudar e, segundo ele, melhorar o filme. A questão da amizade, o conta comigo, é ainda mais forte na tela.

O título refere-se a cidades que existem no mapa, mas não na realidade. O conceito surgiu nos EUA por meio de dois cartógrafos que criaram uma cidade fictícia no Estado de Nova York – Agloe – para poder provar possíveis casos de fraude ou pirataria. A busca por Margo leva o grupo até Agloe, que é só um casebre na intersecção de duas estradas. John Green gosta de dizer que seu livro colocou de verdade Agloe no mapa. Tanta gente foi lá conferir que alguns terminaram ficando. A força da ficção. Não é bem isso que o filme tenta provar. A cidade de papel é uma metáfora – do que se busca e não se atinge, do que se consegue.

Perdas e ganhos

Na ficção, ou dramaturgia, de Cidades de Papel, Margo rebela-se com a apropriação de sua imagem pelos outros. Todo mundo cria a ‘sua’ Margo, até Q. Ela quer ser, e por isso age de maneira impulsiva. Todos agem de maneira impulsiva – são jovens. Mas John Green e Jake Schreier, à maneira de François Truffaut, fazem da vida, e do amor, um embate permanente entre o gesto impulsivo e a palavra consciente. Dessa maneira chega-se, quem sabe, à maturidade. Q vai ter que dar a volta por cima e transformar uma decepção numa lição para a vida. É um belo filme. O trabalho de Schreier com os atores – Wolff e Cara – é magnífico. No reencontro dos dois, o diálogo é tão preciso e as interpretações tão sinceras que Cidades de Papel roça a perfeição. Um raro momento de cinema adulto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

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Assuntos A Culpa É das Estrelas, Amazonas Atual, cinema, estréia, Stephen King
Valmir Lima 9 de julho de 2015
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