
Da Redação
MANAUS – Em Manaus, até 2018, 23,8% da população era obesa, de acordo com a SVS (Secretaria de Vigilância em Saúde), do Ministério da Saúde.
Já dados da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) apontam que, só na região Norte, 25,65% das crianças entre 5 e 9 anos estão com sobrepeso.
“O isolamento social leva ao uso, cada vez maior, de computadores, videogames, celulares, entre outros eletrônicos que servem de distração, mas contribuem para o sedentarismo e baixa queima calórica. É fundamental que os pais incentivem hábitos saudáveis nos filhos, como adotar uma dieta balanceada e praticar atividades físicas, sem deixar de lado a segurança”, analisa a endocrinologista Larissa Figueiredo, consultora do Sabin Medicina Diagnóstica.
Identificar é fundamental
De acordo com a médica, identificar a condição de obesidade na criança é o primeiro passo para ajudá-la. Para isso é necessário marcar uma consulta com um especialista para realizar o teste clínico que mede o IMC (Índice de Massa Corpórea). Resultados iguais ou acima de 30 kg/m2 são considerados obesidade.
A partir daí o médico indicará testes laboratoriais para descobrir a origem do problema. “Há pacientes que ganham peso por questões hormonais, metabólicas ou predisposição genética. Nem sempre a obesidade tem relação com alto consumo de alimentos ou sedentarismo. No entanto, é preciso fazer exames mais específicos, como THS e T4 livre (hormônios da tireoide), para saber se o paciente não tem hipotireoidismo, condição que também causa obesidade. Ou seja, o diagnóstico da comorbidade é clínico, mas suas causas precisam ser rastreadas”, esclarece a endócrino.
Risco de doenças associadas à obesidade
A obesidade pode vir acompanhada de outros problemas de saúde. A doutora Larissa alerta para a necessidade de estudar o histórico familiar do paciente. “Em alguns casos, a comorbidade traz junto doenças como pressão alta ou diabetes. Essas condições só são confirmadas através de exames e envolvem também históricos familiares”, reforça a endocrinologista do Sabin.
O aumento de peso pode causar ainda a puberdade precoce. Estudos apontam que o sobrepeso pode ser motivo de alterações hormonais e antecipar o aparecimento de caracteres sexuais, especialmente, nas meninas. Entre eles estão pêlos pubianos (pubarca), brotos mamários (telarca) ou a primeira menstruação (menarca).
“Em laboratório, utilizamos dosagens de hormônios do eixo gonadotrófico (FSH e LH), estradiol e testosterona. Com esses exames, é possível saber se a obesidade está afetando a puberdade”, explica a médica.
