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Dia a DiaSem categoria

ONU critica Brasil por discriminar ciganos

26 de junho de 2015 Dia a Dia Sem categoria
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MF ITAQUAQUECETUBA/SP - 25/06/2015 - CIGANOS / ONU - CIDADES - Acampamento de ciganos da etnia Calon na cidade de Itaquaquecetuba. Foi feito um relatório pela ONU, onde foi apontado que os ciganos no Brasil ainda enfrentam discriminação, principalmente no que se refere ao acesso à educação, água potável, e saneamento.  FOTO: MÁRCIO FERNANDES/ESTADÃO
De acordo com a ONU, cerca de 500 mil ciganos vivem no Brasil. Com maiores concentrações em Minas Gerais, Bahia e Goiás

SÃO PAULO – Os ciganos no Brasil enfrentam discriminação, principalmente no que se refere ao acesso à educação. O alerta foi feito por Rita Izsák, relatora especial sobre o Direito de Minorias da Organização das Nações Unidas (ONU), que critica a situação em acampamentos do País. “Muitos não têm eletricidade, água potável e saneamento, apesar de famílias viverem ali por mais de 20 anos”, diz a entidade em relatório oficial.

Segundo a ONU, cerca de 500 mil ciganos vivem no Brasil, mas o próprio governo admite que os dados sobre essa parcela da população são “incipientes”. Uma das únicas referências é a da Associação Internacional Maylê Sara Kali (AMSK), que analisou os dados da Pesquisa de Informações Básicas Municipais de 2011 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e constatou que existem no Brasil 291 municípios com acampamentos ciganos, em 21 Estados. As maiores concentrações estão em Minas Gerais (58), Bahia (53) e Goiás (38). Desses 291 municípios, 40 afirmaram desenvolver políticas públicas para povos ciganos.

De acordo com o levantamento divulgado pelo Comitê de Direitos Humanos e pelo Comitê de Eliminação da Discriminação Racial da ONU, há uma generalização dos casos de discriminação, “incluindo casos de racismo e da não aplicação da lei nacional correspondente, nos casos em que as vítimas são ciganas”.

Outra preocupação apontada pelo relatório é a dificuldade de acesso à escola e a alta taxa de analfabetismo. “O preconceito é um obstáculo para o ingresso em escolas públicas”, indicou o informe. A ONU destaca ainda que, nos últimos dez anos, pouco mudou a situação dessa população no que se refere à educação, apesar de iniciativas pontuais de governo.

Testemunho

“As pessoas só querem saber de amores e de morte”, conta a cigana e vidente Simone Bulhões, de 32 anos. Ela lê as mãos de quem passa na Sé e no Brás, na região central de São Paulo, a troco “do que podem pagar”.

Mora com o marido, que trabalha como camelô, e duas filhas, uma de 6 e outra de 13 anos. Dividem um barraco colorido, com cortinas azuis na entrada, tapetes e decoração por toda a parte, em um terreno invadido há mais de 20 anos em Itaquaquecetuba, região metropolitana de São Paulo. O acampamento é da etnia Calon, a que tem mais representantes no País.

Com o dinheiro que recebem, pagam água e luz, ambos puxados em forma de “gato” de um comércio próximo. Pelo “empréstimo” dos insumos, pagam R$ 100 por mês. Fios elétricos e longas mangueiras são comuns não só no barraco de Simone, mas nos de toda a comunidade. A estrutura dos barracos do acampamento é precária: não há saneamento básico no local e todas as instalações são improvisadas. O mato é alto em todo o terreno e, quando chove, formam-se poças d’água em todo o perímetro do local. E banheiro? “A gente faz no mato mesmo”, revelou Simone.

Tradições

“Cigano é que nem polícia, todo mundo tem medo”, disse a dona de casa Rosimar Moreira, de 35 anos. A filha mais velha, Lindaiara, de 17, deixou os livros, analfabeta como a mãe. A jovem engravidou de um rapaz da comunidade, de 18 anos. Casou-se e agora moram no barraco ao lado do da mãe. O enlace foi combinado antes mesmo de os noivos terem se conhecido. “Descubro o marido depois que casei. É da nossa tradição”, contou.

Algumas tradições não se perdem. Simone, assim como as filhas, veste saias longas. Outros costumes, no entanto, não são restritos ao Calon. A filha Jussara, de 13 anos, por exemplo, vê novela – em TV de 42 polegadas – e ouve sertanejo universitário. “Ser cigana é ser livre”, disse a menina, que como os familiares divide a rotina entre acampamento, afazeres domésticos e viagens pelo Brasil.

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

 

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Valmir Lima 26 de junho de 2015
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