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Dia a Dia

Estados gastaram quase R$ 1 bilhão para tratar doenças causadas por fumaça

29 de abril de 2021 Dia a Dia
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Queimadas na Amazônia
Queimadas na Amazônia: gastos bilionários dos governos (Foto: Chico Batata/Greenpeace)
Por Phillippe Watanabe, da Folhapress

SÃO PAULO – Estados da Amazônia com índices elevados de queimadas gastaram, nos últimos dez anos, quase R$ 1 bilhão com hospitalizações por doenças respiratórias provavelmente relacionadas à fumaça dos incêndios. O dado é proveniente de uma nota técnica lançada nesta quinta-feira pela Fiocruz e pela ONG WWF-Brasil.

As queimadas na Amazônia são costumeiramente ligadas ao desmatamento. O fogo é usado como uma das últimas etapas do desmate, quando, após a derrubada da vegetação, as chamas são usadas para limpeza da área.

Foram analisadas as hospitalizações por doenças do aparelho respiratório registradas no Datasus de janeiro de 2010 até outubro de 2020 nos cinco estados amazônicos com maiores níveis de queimadas. São eles: Pará, Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Acre. Dados relacionados à Covid foram excluídos da análise.

Apesar de ter sido registrada estabilidade nos números de hospitalizações no período em questão, os autores da nota apontam um cenário preocupante, com elevadas concentrações de material particulado derivado, em grande parte, de queimadas -muitas delas ilegais.

Nos cinco estados analisados, a concentração de material particulado (especificamente PM2,5) ficou acima dos valores estipulados pela OMS (Organização Mundial da Saúde), 25 microgramas por metro cúbico a cada 24 horas.

As médias diárias foram superiores a 100 microgramas por metro cúbico nos estados. No Acre, o valor ficou em 85 microgramas.

A pesquisa aponta ainda altas porcentagens de hospitalizações atribuíveis ao material particulado proveniente de fumaça de queimadas. No Amazonas, o valor chega 87% das internações por doenças respiratórias. No Pará e Mato Grosso, estados que costumam ter elevadas taxas de queimadas, os números chegam a 68% e 70%.

Com base nisso, foi possível calcular quanto o país gastou com atendimentos possivelmente relacionados ao material particulado proveniente dos incêndios. Os pesquisadores da Fiocruz e da WWF estimam um gasto de cerca de R$ 774 milhões em hospitalizações de baixa complexidade no SUS, além de R$ 186 milhões em internações em UTI. Os valores são relativos somente aos cincos estados citados e ao período analisado.

“São valores que poderiam ser economizados, uma vez que a maior fonte de emissão de poluentes na região provém de queimadas e incêndios florestais, muitas vezes ilegais”, afirmam os pesquisadores na nota técnica.

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Assuntos destaque, Fiocruz, fumaça, queimadas, queimadas na Amazônia, WWF-Brasil
Redação 29 de abril de 2021
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