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Política

Presidente do Senado pede que Ministério da Saúde demonstre não ser negacionista

5 de março de 2021 Política
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Rodrigo Pacheco cobrou responsabilidade do governo (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
Rodrigo Pacheco cobrou responsabilidade do governo (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
Por Renato Machado e Raquel Lopes, da Folhapress

BRASÍLIA – Sem citar nominalmente Jair Bolsonaro (sem partido), o presidente do Senado Rodrigo Pacheco (DEM-MG) elevou o tom pela primeira vez em sua gestão e cobrou “exemplo” dos homens públicos no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.

Pacheco também pediu, ao lado do secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, que a pasta demonstre com ações e exemplos que não é negacionista.

O presidente do Senado também afirmou que vai usar todos os instrumentos legislativos para garantir vacinação e assistência aos brasileiros. Pacheco tem em suas mãos um requerimento com assinaturas suficientes para instaurar uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid-19 – a decisão final cabe agora a ele próprio.

As falas aconteceram no fim de uma sessão temática para discutir a vacinação contra a Covid-19, com a presença de autoridades do Ministério da Saúde e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

“Algo que me chamou a atenção nessa audiência foi a fala do secretário-executivo do Ministério da Saúde, representando aqui o Ministério da Saúde, (também) a fala do diretor-presidente da Anvisa em relação ao que precisa ser feito na pandemia: uso de máscara, higienização das mãos, o distanciamento social”, afirmou o presidente do Senado.

“Isso são exemplos, exemplos que nós esperamos que os homens públicos desse país tenham e deem para a população brasileira, que já está plenamente consciente do que precisa ser feito”, completou.

Jair Bolsonaro vem sofrendo críticas por seu caráter negacionista no enfrentamento da pandemia do novo coronavírus. O presidente já se opôs às políticas de isolamento social, defendeu medicamentos sem eficácia compravada contra a Covid-19, como a hidroxicloroquina, levantou dúvidas sobre a eficácia das vacinas e recentemente atacou o uso de máscaras.

Pacheco repetiu uma segunda vez que a população deve usar máscaras, higienizar as mãos e evitar aglomerações. Em seguida, usou uma fala de Franco, no qual ele afirma que o Ministério da Saúde não é “negacionista”, para confrontá-lo.

Sobre a velocidade de vacinação, Franco afirmou que “ela não está ainda desejável”. “Mas a quantidade de vacinas está crescendo, a disponibilidade que nós poderemos passar para estados e municípios. Não há negacionismo por parte do Ministério da Saúde em adquirir vacinas, em disponibilizar vacinas para a população. Nós temos a consciência de que só dessa forma conseguiremos conter essa pandemia no país e no mundo”, havia dito ainda.

“É isso que nós esperamos, uma fala precisa do secretário executivo, coronel Élcio, de que o Ministério da Saúde não é negacionista. Demonstre não ser negacionista com suas ações, com exemplo a ser dado para a população brasileira. É isso que nós esperamos”, afirmou ao final o presidente do Senado.

Pacheco vem sendo pressionado por senadores para instaurar a CPI da Covid-19, mas vinha dizendo que a iniciativa seria contraproducente e que preferia uma atuação colaborativa com o governo federal, para aumentar a velocidade da vacinação.

Nesta quinta-feira, no entanto, sem citar a CPI, o presidente do Senado afirmou que vai usar todos os “instrumentos” necessários para atender a população.

“E o Senado federal que tem buscados soluções, que tem compromisso com soluções e não com jogar lenha na fogueira, não se furtará de todas as suas responsabilidades, seja quais forem as suas responsabilidades e seus instrumentos, para poder alargar a vacinação e permitir que as pessoas sejam curadas no Brasil e possam ser assistidas no Brasil”, afirmou.

“Seja qual for o instrumento nós vamos utilizá-los para poder resolver esse problema no Brasil. Custe o que custar, nós vamos utilizar todos os instrumentos possíveis que forem identificados como solucionadores do problema de enfrentamento da pandemia”, completou.

Diretores da Anvisa também participaram da sessão no Senado. O diretor-presidente da agência, Antonio Barra Torres, disse que há uma reunião marcada com a Janssen (braço farmacêutico do laboratório Johnson & Johnson) em 16 de março para discutir o uso emergencial do imunizante.

A diretora da agência Meiruze Sousa Freitas esclareceu que esse pedido deve ocorrer, possivelmente, depois da reunião. “A reunião é preparatória para o pedido. A Anvisa está trabalhando sempre com o menor prazo possível. Trabalhando para conceder essa avaliação dentro do prazo de 9 dias”.

O governo federal decidiu comprar doses das vacinas da Pfizer e da Janssen. Um acordo inicial com a Pfizer foi confirmado em reunião com a empresa nesta quarta-feira, 3, e segue agora para assinatura do contrato. A negociação com a Pfizer envolve a oferta de cerca de 100 milhões de doses. Já em reunião com a Janssen, a pasta recebeu do laboratório uma sinalização de oferta de 38 milhões de doses.

A decisão ocorre após aprovação de um projeto de lei no Congresso que visava destravar a compra dos dois imunizantes. Ele ainda precisa ser sancionado pelo presidente Bolsonaro.

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Assuntos Covid-19, negacionismo, pandemia de coronavírus, Rodrigo Pacheco
Cleber Oliveira 5 de março de 2021
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