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Dia a Dia

Vacina da Moderna produz anticorpos com meia dose, diz estudo

15 de fevereiro de 2021 Dia a Dia
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Vacina da Moderna (Foto: Adriana Toffetti/A7 Press/Folhapress)
Ana Bottallo,da Folhapress

A vacina contra Covid-19 da Moderna, empresa de biotecnologia americana, induziu à produção de anticorpos com meia dose do imunizante em comparação com a dose total.

Os resultados do estudo foram publicados no último dia 9 na revista especializada Vaccine.

Se concluída a sua eficácia para proteger contra a Covid-19 em uma dose menor, isso poderia levar à imunização do dobro de número de pessoas com a mesma quantidade de doses.

No ensaio clínico randomizado, controlado e cego de fase 2, 600 participantes, divididos em duas coortes, uma com participantes com 18 a 55 anos e outra com mais de 55 anos, foram distribuídos aleatoriamente para receber doses da vacina de 50µg, de 100µg ou placebo.

Cada participante recebeu duas doses do imunizante ou do placebo, com intervalo de 28 dias entre elas. O objetivo do estudo era avaliar a segurança e imunogenicidade da vacina em diferentes dosagens.

A vacina, chamada de mRNA-1273, utiliza trechos do RNA do vírus, notadamente aqueles responsáveis pela codificação da proteína S da espícula do vírus, para induzir a produção de anticorpos e células de defesa. Ao ter contato com o vírus verdadeiro, o sistema imune estará preparado para impedir a infecção e replicação viral.

Os voluntários foram recrutados entre os meses de maio a julho de 2020 e a pesquisa foi concluída nos dois meses seguintes.

Para medir a taxa de produção de anticorpos anti-Sars-CoV-2, os cientistas coletaram sangue dos participantes no primeiro dia, antes da vacina, no dia 29, ou seja, 28 dias após a primeira dose, e nos dias 43 (14 dias após a segunda dose) e 57 (28 dias após a segunda dose).

As amostras de sangue foram testadas tanto para anticorpos de ligação com o vírus (como os IgMs, associados a uma menor memória imunológica) quanto para anticorpos neutralizantes (associados a uma melhor resposta imune de memória).

A resposta imune produzida por anticorpos foi alta nas duas coortes. Quatorze dias após a segunda dose da vacina, a taxa de seroconversão, ou seja, de produção de anticorpos neutralizantes, foi de 100% em todos os indivíduos participantes que receberam a vacina, e não o placebo.

Os efeitos adversos mais comuns tanto na dosagem menor, de 50µg, quanto na dosagem maior, de 100µg, foram dor no local da injeção, sendo este o efeito mais reportado tanto no grupo mais jovem quanto nos indivíduos mais velhos.

Após a segunda dose, os relatos mais frequentes também foram de dor no local da injeção, mas alguns participantes relataram dor de cabeça, fadiga e mialgia (dores no corpo) no grupo que recebeu o imunizante. Não houve nenhum efeito adverso grave relacionado à vacina.

Para avaliar também a proteção da vacina contra a doença, os pesquisadores fizeram exames de RT-PCR a partir do swab nasal nos participantes. Do total de 600 voluntários, três tiveram resultados RT-PCR positivos para o Sars-CoV-2 com desenvolvimento de sintomas, dois dos quais receberam placebo e um que recebeu a dose de 50µg da vacina.

Além dos casos sintomáticos, foram detectados mais quatro casos positivos para o vírus, mas assintomáticos, sendo três no grupo que recebeu o placebo e um participante que recebeu a meia dose da vacina.

Os pesquisadores destacam, no entanto, que a produção de anticorpos neutralizantes tanto nos indivíduos mais velhos quanto mais jovens, nos dois esquemas de dosagem, foi muito acima da encontrada no sangue de pacientes que já tiveram Covid-19 e se recuperaram, o chamado soro convalescente (quatro e cinco vezes mais, respectivamente).

O estudo, no entanto, não tem poder estatístico para avaliar o quanto o uso de uma dose menor da vacina em relação à dose total pode garantir proteção, dado que só pode ser apresentado em um ensaio clínico de fase 3.

“O presente estudo não foi desenhado para uma comparação estatística de superioridade ou equivalência entre as doses de 50µg e 100µg da vacina mRNA-1273; por isso, as conclusões aqui expostas são qualitativas.”

Os cientistas fazem um alerta ainda que os dados mais robustos de proteção que os anticorpos conferem contra a infecção do Sars-CoV-2 são necessários e que a duração da proteção e a segurança da vacina mRNA-1273 estão sendo avaliadas nos 13 meses seguintes ao estudo.

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Assuntos anticorpos, Covid-19, imunização, Vacina da Moderna
Redação 15 de fevereiro de 2021
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