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Variedades

Maria Bethânia será homenageada no Prêmio da Música Brasileira

10 de junho de 2015 Variedades
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A teatralidade de Bethânia será lembrada por atores, como Renata Sorrah e Matheus Nachtergaele, que lerão textos recitados em seus shows (Divulgação)

RIO DE JANEIRO – Nana Caymmi é amiga desde os anos 1960. Alcione recebeu de suas mãos o primeiro disco de ouro, em 1975. Adriana Calcanhotto a tem como “bússola”. Mônica Salmaso, como uma pesquisadora fundamental para a música brasileira. Mariene de Castro a considera uma madrinha. Já Zélia Duncan a visualiza num olimpo. Maria Bethânia será homenageada pelas seis cantoras na cerimônia de entrega do Prêmio da Música Brasileira, nesta quarta, 10, no Teatro Municipal do Rio. De gerações e estilos distintos, cada uma delas cantará uma faceta de Bethânia.

Dizendo-se feliz por vê-la glorificada em vida, Nana, acompanhada do irmão Dori, voltará ao início da carreira da baiana, com Pra Dizer Adeus (Edu Lobo-Torquato Neto), do disco Edu e Bethânia (1967). “Fiquei deslumbrada quando ouvi pela primeira vez. Bethânia sempre esteve na vanguarda”, disse Nana, sobre a ligação iniciada em 1966, quando venceu o Festival da TV Globo, com Saveiros (Dori/Nelson Motta). “As famílias eram muito amigas. Tenho muita admiração pelo gosto dela. Hoje, só nos vemos a trabalho: eu fico no camarim dela tomando uísque, dando risada e atrapalhando.”

Para Alcione, o criador do PMB e seu diretor-geral, José Maurício Machline, escolheu Negue (Enzo de Almeida Passos-Adelino Moreira), canção dramática, clássico do repertório de Nelson Gonçalves, gravada por Bethânia em Álibi (1978). A cantora maranhense se orgulha de ter apresentado a tradição dos cantadores de sua terra para Bethânia, como o bumba meu boi de Humberto de Maracanã. Ela marcou a carreira de Alcione por lhe ter entregue a primeira láurea de uma série.

“Éramos da mesma gravadora e ela me deu o disco de ouro. No Álibi, me convidou para cantar com ela O Meu Amor (Chico Buarque). Depois a levei ao Maranhão para ser homenageada e por ter gravado João do Vale (maranhense que compôs, com José Cândido, Carcará, primeiro sucesso de Bethânia). A gente aprende muito com Bethânia. Ela é muito reta na trajetória artística”, afirmou Alcione, que recentemente endossou a escolha da sua escola de samba, a Mangueira, de ter a intérprete como enredo para o carnaval de 2016 (em 1994, a escola fez desfile sobre os Doces Bárbaros).

Nascida 19 anos depois de Bethânia, Adriana Calcanhotto foi apresentada à sua voz por uma tia, professora de língua portuguesa, que apreciava os poemas e textos inseridos nos espetáculos. “Tia Istellita me inoculou. Bethânia é a bússola, para além de cumprir o papel de rainha”, enalteceu a compositora gaúcha, já gravada pela baiana. “Não conseguia acreditar que aquela voz, que mudou meu mundo, estava dizendo palavras escritas por mim. Ouvia de novo e de novo, para me convencer.” No PMB, Adriana interpretará Âmbar, composição sua que virou título do disco de Bethânia de 1996. “Fiz para ela, nunca cantei nunca gravei, é toda dela. A sensação que tenho é que vou interpretar uma canção de Maria Bethânia.”

O universo interiorano do cancioneiro registrado pela homenageada ficou com Mônica Salmaso, a quem couberam canções do CD Brasileirinho (2003). “É o meu favorito, me interessou muito pela densidade e a qualidade do mapeamento musical que faz.” Ligada ao candomblé, a soteropolitana Mariene de Castro, que foi casada com o compositor e produtor J. Velloso, sobrinho de Bethânia, exaltará orixás femininos já cantados por ela. Paiol de Ouro (Alexandre Leão/Olival Mattos) foi a primeira música que cantei em meu primeiro show. Bethânia está na minha carreira desde o início.”

Roteirista do PMB, Zélia Duncan apresentará versão de Rosa dos Ventos (Chico Buarque), de 1971, música emblemática da trajetória de Bethânia por marcar o início da parceria com o diretor Fauzi Arap. “Esse show mudou a forma de se fazer show no Brasil. É impossível cantar essa música sem ouvir a voz dela na minha cabeça. Vira quase um dueto”, disse Zélia. “Eu era pré-adolescente e ganhei (o disco ao vivo) Chico Buarque e Maria Bethânia (1975). Vivia cantando pela casa com sotaque baiano.”

O tributo da noite desta quarta, 10, terá também participações masculinas: de Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, Chico César, Lenine, Johnny Hooker e Roque Ferreira. Caetano cantará a primeira composição sua gravada pela irmã, De Manhã (lado B do compacto de 1965 que tinha Carcará) e falará da relação deles na juventude. Chico Buarque não aceitou o convite para participar.

A teatralidade de Bethânia será lembrada por atores, como Renata Sorrah e Matheus Nachtergaele, que lerão textos recitados em seus shows. A cantora estará no palco duas vezes, na abertura e ao fim da cerimônia.

O PMB privilegia autores nas homenagens, mas outros intérpretes já foram celebrados, como Maysa, Elis Regina e Jair Rodrigues, entre outros. O mais abrangente do País, com 106 indicados em categorias que se estendem da música clássica ao pop, o prêmio está na 26.ª edição. Os campeões de indicações da noite são Mônica Salmaso, com quatro, seguida de Fernanda Takai, Ney Matogrosso, Gilberto Gil, Hamilton de Holanda e o grupo baiano Ganhadeiras de Itapuã, com três. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

(Estadão Conteúdo/ATUAL)

 

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Assuntos Amazonas Atual, Homenagem, maria bethania, Prêmio
Valmir Lima 10 de junho de 2015
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