

MANAUS – O presidente da República do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, desde que era militar, pelo que consta na História, tem atitudes que beiram a demência. Algumas vezes são atitudes de verdadeiro demente. Mas ele não é um demente; faz tudo de caso pensado, para chamar a atenção.
Alguém já disse que ele merecia que a mãe o desse umas boas palmadas. Certamente que não seriam suficientes, mas o comportamento do presidente é daqueles garotos bobos que não conseguem se firmar, fazer amigos, ter liderança, mas que tem o pai rico e posses, e por isso, é o dono da bola, da quadra de futebol, do playground. Ao ser contrariado, ele surta, planeja uma maluquice para por fim nas brincadeiras dos amigos etc., etc. e tal.
As aparições do presidente em Praia Grande, no litoral de São Paulo, neste fim de ano, são um exemplo perfeito. Ele foi catar de galo no terreiro de seu adversário João Doria, num momento em que a Covid-19 avança em todo o país e o Estado de São Paulo volta a adotar medidas para aumentar o isolamento social.
“Vamos chutar o pau da barraca do Doria, vamos fazer aglomeração na praia”, deve ter dito Bolsonaro aos aliados que o acompanharam naquela missão na sexta-feira, 1°, repetida nesta segunda-feira, 4.
Na questão da vacina, Bolsonaro, de novo, invoca o menino birrento e mal amado. Começou a impor as maiores dificuldades para a aprovação de vacinas no Brasil enquanto os países ricos largaram na frente há quase um mês.
Bolsonaro se diz preocupado com a qualidade, com a eficácia das vacinas e vociferou que não vai permitir que se aplique qualquer coisa na população. Mas de 50 países já começaram a imunizar sua população.
Antes da vacina, contra todas as evidências científicas, Bolsonaro usava todos os canais de comunicação disponíveis para pregar que a Cloroquina era remédio eficaz na cura da Covid-19. Nem precisou da aprovação da Anvisa e ele autorizou o uso da droga no tratamento de pacientes, contrariando recomendações da Organização Mundial da Saúde.
O presidente vai a um local em que é obrigatório o uso da máscara, ele retira a dele ou não a coloca no rosto.
A estratégia de virar tudo de ponta cabeça tem dado certo. A mídia tem-lhe garantido generoso espaço todos os dias no noticiário. Afinal de contas, trata-se do presidente da República.
No entanto, uma questão que precisamos responder: e se a mídia deixasse Bolsonaro sossegado? Se nada do que ele faz de tolice fosse noticiado? Será que tais fatos teriam a mesma repercussão? Não falta oportunidade para se tentar.
Valmir Lima é jornalista, graduado pela Ufam (Universidade Federal do Amazonas); mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia (Ufam), com pesquisa sobre rádios comunitárias no Amazonas. Atuou como professor em cursos de Jornalismo na Ufam e em instituições de ensino superior em Manaus. Trabalhou como repórter nos jornais A Crítica e Diário do Amazonas e como editor de opinião e política no Diário do Amazonas. Fundador do site AMAZONAS ATUAL.
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