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Dia a Dia

Brasil se une a quatro países em declaração política contra o aborto

22 de outubro de 2020 Dia a Dia
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Pessoas protestam contra aborto de menina de dez anos - Foto Globo News-Reprodução
Protesto contra aborto em menina de 10 anos: posicionamento defendido pelo governo (Foto: Globo News/Reprodução)
Da Folhapress

BRUXELAS – O governo brasileiro se aliou à administração Donald Trump e a alguns dos governos mais conservadores do mundo – Egito, Hungria, Indonésia e Uganda – para copatrocinar uma declaração política contra o aborto e em defesa da família baseada em casais heterossexuais.

O texto ressalta que “as mulheres desempenham um papel fundamental na família” e que “uma parceria harmoniosa entre homem e mulher é fundamental para o seu bem-estar e o de suas famílias”.

Batizada de Declaração de Consenso de Genebra, ela foi apresentada na tarde desta quinta pelo secretário de Saúde dos EUA, Alex Azar, e pelo secretário de Estado, Mike Pompeo. O Brasil foi representado pelos ministros Ernesto Araújo (Relações Internacionais) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos).

Em vídeo pré-gravado, tanto Ernesto quanto Damares conderaram o direito ao aborto e defenderam a família como “núcleo natural e fundamental da sociedade”.

O acordo não possui força de tratado nem é vinculante, ou seja, países não ficam obrigados a seguir as orientações. Defensores de direitos humanos e das mulheres críticos aos termos, porém, dizem que ele é mais um passo para tentar quebrar consensos internacionais já existentes sobre o tema.

É também mais um indicativo claro da política externa brasileira em assuntos de gênero, que já havia sido demonstrado em março de 2019, quando o Brasil se opôs a menções ao direito ao acesso universal a serviços de saúde reprodutiva e sexual em um documento elaborado por uma conferência da ONU, e em julho deste ano, quando o país se absteve na votação de um relatório do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre discriminação contra mulheres e meninas.

Na última terça, 20, o Brasil também apoiou texto que autoriza pais a impor educação religiosa ou moral a seus filhos, apresentado na Assembleia Geral da OEA (Organização dos Estados Americanos).

A declaração assinada nesta quinta, 22, reafirma a “dignidade e o valor inerentes à pessoa humana”, diz que “todo ser humano tem o direito inerente à vida” e se compromete a “permitir que as mulheres passem com segurança a gravidez e o parto”.

Também enfatiza que “em nenhum caso o aborto deve ser promovido como método de planejamento familiar” e que “quaisquer medidas ou mudanças relacionadas ao aborto dentro do sistema de saúde só podem ser determinadas em nível nacional ou local de acordo com o processo legislativo nacional”.

Para ativistas brasileiros, os termos da declaração se incluem na estratégia do governo de Jair Bolsonaro de atacar, também por meio da política externa, o aborto seguro, que no Brasil é previsto em casos de estupro, risco de vida ou anencefalia.

Em agosto, instituições públicas e movimentos antiaborto tentaram impedir a interrupção da gravidez de uma menina de dez anos vítima de estupro. Após o episódio, portaria do Ministério da Saúde passou a exigir que profissionais de saúde notifiquem casos à polícia como condicionante de acesso ao aborto legal.

A declaração também se manifesta pela proteção da saúde das mulheres, pela “igualdade de direitos, oportunidades e acesso a recursos”. “Mulheres e meninas devem ter acesso igual a educação de qualidade, recursos econômicos e participação política, bem como oportunidades iguais às de homens e meninos para emprego, liderança e tomada de decisão em todos os níveis”.

Os países que assinaram o texto se comprometem a permitir às mulheres acesso a “saúde sexual e reprodutiva, sem incluir o aborto” e reafirmam “que não há direito internacional ao aborto nem qualquer obrigação internacional por parte dos Estados de financiar ou facilitar o aborto”.

O objetivo do grupo de países patrocinadores era apresentar a declaração em reunião à margem da Assembleia Mundial da Saúde deste ano, em Genebra, mas o evento foi cancelado devido à pandemia. Os países patrocinadores afirmaram que tentarão conseguir mais adesões ao texto até o próximo encontro.

Entre os 32 países que assinaram a declaração estão várias nações africanas e do Oriente Médio, a ditadura da Belarus e a Polônia, que nesta quinta proibiu o aborto em casos de anomalia fetal.

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Assuntos aborto, brasil, Egito, Hungria, Indonésia, uganda
Redação 22 de outubro de 2020
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1 Comment
  • Tony Kraus Klanchgen disse:
    23 de outubro de 2020 às 13:52

    Tudo a ver: a escória autoritária da política dos EUA atual (tomara que Trump não se reeleja para isso ter um fim) promovendo a anulação dos direitos das mulheres sobre seus corpos e a negação dos direitos dos LGBT de constituirem família, justamente um dia depois de o papa Francisco defender em documentário que homoafetivos têm direito à proteção de leis que garantam suas uniões. Mais notório é o lixo ao que o Brasil se aliou: justamente os países islâmicos onde a mulher é considerada um bicho reprodutor como vacas ou cabras, já que não têm direito algum sobre seus filhos, andam vestidas dos pés à cabeça, só podem aparecer em público em companhia do pai, do marido ou de um irmão. No continente americano, apenas os EUA de Trump (especialista numa polícia racista que massacra os negros e os latinos), o Brasil e o Haiti, assinaram o documento misógino e homofóbico. E no resto do mundo, só governos autoritários como Polônia, Bielo-Rússia, Hungria, Uganda, Congo e as tiranias muçulmanas do Marrocos ao Iraque, do Egito à Arábia Saudita, da Líbia aos Emirados Árabes, justamente aqueles 32 países onde mulheres e LGBTs são tratados como escória, verdadeiro lixo humano. Mas basta o governo Trump acabar que esta aventura neofascista perderá sua razão de ser.

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