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Economia

Ipea projeta PIB maior, mas alerta para riscos de incerteza fiscal

1 de outubro de 2020 Economia
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Ipea melhora projeção para PIB (Foto: ABr/Agência Brasil)
Da Folhapress

SÃO PAULO – Diante dos bons resultados da produção industrial e do varejo no início do terceiro trimestre, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revisou nesta quinta-feira, 1º, sua estimativa para o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de uma queda de 6% para 5%. Para 2021, a expectativa de crescimento foi mantida em 3,6%.

O instituto alerta, porém, que as perspectivas para a economia dependem da redução das incertezas quanto à política fiscal, diante do forte aumento do déficit e da dívida pública resultante das medidas de combate à pandemia, e das pressões que vêm se acumulando por aumento de gastos.

“O país sairá da pandemia com seu desafio de consolidação fiscal redobrado, e com a necessidade de sinalizar de forma inequívoca seu compromisso com o equilíbrio fiscal”, escrevem os economistas do Ipea, em relatório.

“Na ausência de medidas efetivas que disciplinem o crescimento dos gastos públicos – aí incluídos os gastos tributários –, a possível percepção de insustentabilidade da dívida pública poderia gerar um ciclo vicioso, no qual aumentos da taxa de juros, do déficit nominal e da dívida se reforçariam mutuamente, tornando cada vez mais difícil o ajuste das contas públicas e conduzindo a economia a um equilíbrio instável de baixo crescimento”.

Ainda conforme a equipe do Ipea, a intensidade da recuperação da atividade depende também da evolução da pandemia, em especial da continuidade da trajetória de redução do número de novos casos e mortes.

“O efetivo controle da disseminação da Covid-19 é particularmente importante para o setor de serviços, que vem apresentando desempenho inferior aos demais devido às restrições ainda em vigor e ao comportamento cauteloso por parte de consumidores”, afirmam.

Em julho, a produção industrial cresceu 8% e a estimativa do Ipea é de que o setor tenha registrado nova alta em agosto, de 6,1% em relação ao mês anterior. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulga o resultado da indústria em agosto na sexta-feira, 2.

Já o varejo cresceu 5,2% no conceito restrito em julho e 7,2% no ampliado, que inclui vendas de automóveis e material de construção. Para agosto, o Ipea espera novas altas nos indicadores, de 5,6% e 7,5%, respectivamente.

Enquanto o varejo em julho já estava 5,3% acima do nível registrado em fevereiro, antes da adoção das medidas de distanciamento social, o setor de serviços ainda estava naquele mês 12,5% abaixo do patamar pré-pandemia. O instituto projeta, porém, uma alta de 7,6% para o setor em agosto, após avanço de apenas 2,6% em julho.

A melhora da projeção para o PIB feita pelo Ipea acompanha uma tendência geral. No boletim Focus, a estimativa mediana dos economistas chegou a ser de queda de 6,5% na atividade em meados de junho, mas está atualmente em cerca de 5%. O Banco Central também melhorou este mês sua projeção de -6,4% para -5%. Já a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) revisou sua perspectiva para o PIB do país para queda de 6,5%, de estimativa anterior de um tombo de 7,4%.

INFLAÇÃO

Ao mesmo tempo em que mostra otimismo com o desempenho da atividade, o Ipea piorou sua projeção para a inflação esse ano, de uma alta de 1,8% para 2,3%. A mudança foi influenciada principalmente por uma revisão na perspectiva para a inflação dos alimentos, de avanço de 3% no ano para 11%.

Mesmo com a perspectiva de uma inflação um pouco mais alta este ano, os economistas do Ipea avaliam que o nível de preços não é motivo para maiores preocupações por enquanto.

“A expectativa de uma retomada apenas gradual da demanda, aliada à capacidade ociosa presente na maioria dos setores produtivos e à redução dos custos de mão de obra e aluguéis, deve continuar mantendo uma trajetória bem comportada do nível médio de preços”, afirmam, em relatório.

Para 2021, o instituto espera que a inflação acelere para uma alta de 3,3%, acompanhando a perspectiva de aumento da demanda, com a recuperação esperada da economia.

“Mesmo diante da expectativa de um comportamento mais favorável dos alimentos, haverá uma pressão maior vinda tanto dos demais preços livres quanto dos administrados (como conta de luz, combustíveis, transporte público, medicamentos e planos de saúde) compatível com um cenário de atividade econômica mais dinâmico em 2021”.

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Assuntos Incerteza fiscal, Ipea, pib
Redação 1 de outubro de 2020
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