Já começo a ficar preocupado com os patrocinadores sumindo das camisas dos clubes de futebol no Brasil.
Eu assisto aos jogos da Espanha e fico impressionado com o profissionalismo por lá, que faz falta por aqui. Cobrar profissionalismo de Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar é água de chuva no mar.
Madri, Sevilla, Málaga, Lorca, Granada, Barcelona ou Osasuna, para os clubes espanhóis, tanto faz, em todos os lugares é como se houvesse um Maracanã com público de Copa do Mundo. Os três craques vestem suas “camisolas” e jogam como se fosse a final da Copa do Mundo. É a responsabilidade e o respeito que eles têm com o público e com os seus patrocinadores. Eles também sabem que a televisão, com contratos milionários, como as nossas, estará lá, para mostrar aos patrocinadores do Madri ou do Barça espalhados pelo mundo, que os seus patrocinados estão honrando as “marcas” milionárias que carregam às costas.
O Azerbaijan- A Terra do Fogo faz a sua propaganda nas camisas do Atlético de Madri, usada em 2014, pelo brasileiro da seleção espanhola, Diego Alves. A Qatar Airways está satisfeitíssima com o Barcelona que a carrega de Madri a Tokyo, passando por Málaga ou Granada e espalhando sua marca pelo mundo através da televisão com os seus geniais e fantásticos Messi e Neymar. A Emirates é carregada no colo pelo espetacular Cristiano Ronaldo, que após os gols marcados parte para o foco das objetivas e mostra a sua plástica e, principalmente, a marca que o sustenta com leite Ninho e papa de Mayzena.
A tarefa mais difícil do mundo do futebol deve ser a pacificação do sono com os defensivos de um clube como o Bayern de Munique, na noite anterior ao jogo contra o Barcelona. O central do Bayern, o enorme Boateng, craque de seleção, não resistiu a uma noite de insônia e desabou frente a um gingado do inescrupuloso e fantástico argentino, Lionel Messi. O melhor goleiro da atualidade, Manuel Neur, defendeu todos os chutes que chegaram até o seu arco, com os pés. O nosso Neymar viu aquilo e, quando chegou a sua vez, parou no meio do caminho, o Neur, fincou o pé esquerdo no chão e esperou o chute na sua direita. Erro babilônico! O craque brasileiro chutou na sua esquerda, onde seus pés não mais conseguiriam se mover. Gol de placa! Gol brasileiro.
À noite, deitei-me na rede com papel e lápis Faber-Castell 6B na mão, e, começando o jogo do Santos Futebol Clube, o do Pelé, contra o Maringá, aquele que foi “funerado” pelo Pepeta, no Maracanã, fiquei com sérias dúvidas se aquele era o time do Santos que eu vira vencer o Palmeiras na decisão do Campeonato Paulista, no domingo anterior. Um time formado por reservas e, nas costas, nenhum patrocinador, apenas uma lembrança do seu Sócio-Torcedor, o Sócio-Rei. Que diferença solar a desses clubes, e no mesmo dia.
Coitados! Somos maus aprendizes, como disse o Mangabeira Unger, em recente palestra sobre a Amazônia, no Amazonas. O Mestre inventou que o avião estava com as turbinas ligadas, o esperando, e escafedeu-se. Ele nunca levou um picada de pium ou uma mijada de potó e também não daria aulas a uma platéia de amazônidas.
Ciao, Mestre Mangabeira! Volta logo, futebol brasileiro!
Roberto Caminha Filho, economista e nacionalino, vê os patrocinadores serem expulsos das
“camisolas” por péssimo uso das mesmas pelos dirigentes.
