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Política

Weintraub diz à PF que usou humor em críticas à China nas redes sociais

5 de junho de 2020 Política
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Abraham Weintraub se disse ofendido por estar sendo investigado por racismo (Foto Lula Marques/Fotos Públicas)
Por Matheus Teixeira e Marcelo Rocha, da Folhapress

BRASÍLIA – Em depoimento por escrito entregue à Polícia Federal nesta quinta-feira, 4, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, manteve as afirmações sobre a China que o levaram a responder a um inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) por racismo.

À PF, Weintraub afirmou que não tratou os chineses com discriminação ao satirizar o sotaque de asiáticos que moram no Brasil para insinuar que o país oriental sairá fortalecido da pandemia do novo coronavírus.

Ele se disse ofendido por estar sendo investigado por racismo e justificou que o “método abordado” na publicação nas redes sociais que ensejou o inquérito “incluiu elementos de humor”.

O ministro também alegou que sua afirmação está protegida pela liberdade de expressão e ressaltou que “há fortíssimas evidências de que o vírus foi criado em laboratório e que o Partido Comunista Chinês escondeu o início da pandemia e informou à OMS (Organização Mundial da Saúde) que não havia contágio entre humanos”.

Weintraub compareceu à sede da PF para prestar depoimento no inquérito aberto a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República), e autorizado pelo ministro Celso de Mello, relator do caso no Supremo.

A solicitação da procuradoria ocorreu após Weintraub publicar no Twitter a capa de um gibi com a bandeira chinesa e postar uma mensagem trocando a letra “R” por “L”, como faz o personagem Cebolinha, da Turma da Mônica.

“Geopolíticamente, quem podeLá saiL foLtalecido, em teLmos Lelativos, dessa cLise mundial? PodeLia seL o Cebolinha? Quem são os aliados no BLasil do plano infalível do Cebolinha paLa dominaL o mundo? SeLia o Cascão ou há mais amiguinhos?”, escreveu.

A mudança das letras ridiculariza o sotaque de muitos asiáticos ao falar português. Weintraub apagou a publicação, que também sugeria que a China poderia ter ganhos com a crise da Covid-19.

Na época, a embaixada chinesa afirmou que “tais declarações são completamente absurdas e desprezíveis, que têm cunho fortemente racista e objetivos indizíveis, tendo causado influências negativas no desenvolvimento saudável das relações bilaterais China-Brasil”.

O ministro passou cerca de 20 minutos no prédio da PF. Na saída, uma claque o aguardava, e ele foi carregado nos braços de apoiadores.

Os investigadores receberam o documento de quatro páginas com o depoimento, mas o procedimento pegou os investigadores de surpresa, uma vez que a previsão inicial não era fazer a oitiva por escrito.

Diante da situação inesperada, os investigadores irão avaliar a situação e informar o fato ao ministro relator, a quem caberá decidir sobre a validade desse documento.

No depoimento por escrito, ele afirma que a postagem teve o objetivo de abordar “um tema da maior seriedade, sem ser enfadonho, na dinâmica própria das redes sociais”.

O intuito, segundo Weintraub, foi levantar o debate sobre o papel do PCC (Partido Comunista Chinês) na pandemia. A publicação, diz o ministro, não se dirigiu ao povo chinês.

“Geopolítica é a política entre os países, não a relação entre povos”, argumenta. Ele acusa, ainda, o país asiático de ser “campeão de violações aos direitos humanos” e de viver uma “ditadura comunista de partido único que despreza os princípios que regem uma democracia liberal”.

“Eu, que tenho orgulho de descender de judeus, negros, cristão, índios e uma profusão de etnias, fico ofendido por estar sendo investigado por uma acusação de racismo por conta de uma manifestação de conteúdo geopolítico”, conclui.

Na semana passada, o ministro já havia prestado depoimento no inquérito que apura a disseminação de notícias falsas e ameaças a integrantes do Supremo. Nesse outro caso, Weintraub entrou na mira do Supremo após ter sido divulgada a reunião ministerial de 22 de abril em que ele afirma que mandaria todo mundo para a cadeia, “começando pelo STF”.

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Assuntos Abraham Weintraub, China, Racismo
Redação 5 de junho de 2020
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