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Variedades

Rubem Fonseca, criador de livros precisos e brutais, morre aos 94 anos

15 de abril de 2020 Variedades
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Rubem Fonseca morreu de parada cardíaca (Foto: Divulgação)
Da Folhapress

SÃO PAULO – O escritor Rubem Fonseca, autor de clássicos como “O Cobrador” e “A Grande Arte”, morreu na tarde desta quarta-feira, 15, no Rio de Janeiro, aos 94 anos. Ele teve uma parada cardíaca, informou o Hospital Samaritano, onde o autor foi atendido.

Conhecido por sua reclusão -e consequente recusa a dar entrevistas-, a Rubem Fonseca normalmente é a atribuída a fundação de uma nova era na ficção nacional, que se tornou mais urbana depois dele. Com os livros do autor, também chega ao país uma influência mais direta da literatura dos Estados Unidos, além da linguagem cinematográfica.

Com livros marcados pela linguagem afiada e pela violência, Zé Rubem, como era chamado pelos amigos, publicou principalmente histórias policiais, mas era um dos autores que levava gênero -muitas vezes associado ao mero entretenimento- à alta qualidade literária.

Quando estreou na literatura, nos anos 1960, com a coletânea de contos “Os Prisioneiros”, sua literatura chegou a ser descrita como brutalista.

José Rubem Fonseca nasceu em Juiz de Fora, em 1925, viveu a maior parte da vida no Rio de Janeiro -e, mesmo recluso, se tornou, um dos personagens da cidade. Morador do Leblon, não era incomum vê-lo levemente disfarçado em caminhadas matinais, com boné e óculos escuros.

Sua reclusão gerou anedotas. Por exemplo, há a história clássica de um repórter de TV que, cobrindo a queda do Muro de Berlim, em 1989, resolve entrevistar um brasileiro que por ali passava. Aos ser questionado sobre seu nome, o tal brasileiro responde: “José Rubem”. O jornalista conversa com o escritor sem se dar conta de sua real identidade.

O lançamento de “Feliz Ano Novo”, em 1975, e proibição posterior geraram uma das polêmicas mais rumorosas envolvendo um escritor no regime militar. O livro trazia cinco contos com o estilo que consagrou Fonseca, com os personagens urbanos e do submundo dos quais ele gostava de tratar, como um milionário que atropela pessoas de noite.

A obra já tinha saído há um ano e sido um best-seller quando a ditadura o proibiu, acusando o autor de atentar contra a moral e os bons costumes. Fonseca processou a União, mas o livro só voltaria às prateleiras em 1985, com a reabertura.

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Assuntos Rubem Fonseca
Redação 15 de abril de 2020
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