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Dia a Dia

Guerra de verdade ou paz de mentira?

25 de novembro de 2013 Dia a Dia
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Por Ismael Benigno

Parece uma equação que não bate, mas os índices de violência em Manaus têm explicação óbvia – o que não torna a solução simples. Se o governo investe centenas de milhões de reais no aparelhamento e nos salários das polícias, por que continuam escandalosos os casos de latrocínio, assassinato, “acerto de conta” entre traficantes em praça pública, estupros e roubos? A segunda-feira começa com sete assassinatos contabilizados no fim de semana. Sem falar na mãe que fez um aborto de dois gêmeos, os embrulhou numa sacola, a jogou no lixo, que foi levado pela água da chuva e que resultou num feto esmagado por um carro, no meio da rua. Haverá quem diga, pasme, que o assassinato dos bebês foi resultado das políticas públicas machistas quanto ao aborto, que não respeitaram o direito que aquela mãe tinha de interromper duas vidas, porque dona do seu corpo. Mas como essa discussão não está aberta ao convencimento mútuo (ninguém vai mudar de ideia mesmo), então sigamos.<

O PM do Amazonas tem até um robô comandado por controle remoto, quatro trajes antifragmentação, dois aparelhos de raio-x portáteis, detector de gases tóxicos e substâncias explosivas para combater o terrorismo. Coletes balísticos, pistolas automáticas, rádio, sistemas de informática nas viaturas, câmeras, armas não letais, pelotões especiais, helicóptero, salas de monitoramento com vídeo-walls, consulta online de veículos e pessoas etc. Não é que não devêssemos ter isso; é preciso ter. A questão é: por que todo esse aparato não impede a carnificina que ocorre diariamente na periferia da cidade, eventualmente irradiada para as regiões centrais?

Sim, gastar milhões comprando armas e carros é mais fácil do que melhorar as condições de vida da periferia, historicamente relegada ao abismo social da falta de educação, saúde, saneamento, lazer, esporte e cultura. Não sou do tipo que atribui o crime à falta de oportunidades neste caso ou naquele. Mas é latente a percepção de que, sem muito mais com o que se ocupar além da pobreza extrema e da falta de perspectiva, jovens pobres acabam optando pelo caminho mais curto rumo ao dinheiro, a cadeia pública e à morte. Parece tão insondável o mistério que explica por que se mata tanto nas zonas norte e leste?

Manaus ainda está bem. A porção criminalmente primitiva de sua população ainda respeita territórios das classes média e alta. Com uma execução aqui e outra ali em vias como Djlama Batista ou Boulevard Álvaro Maia, o grosso da barbárie fica em bairros pobres nascidos de invasões chanceladas por governadores e prefeitos. Como no Rio de Janeiro, o crime parece ainda estar nos morros, mas com a chegada, por aqui, de facções criminosas importadas do Rio e de São Paulo, não vai demorar muito para que o bonde do terror desça os “morros” de Manaus e feche ruas, provoque arrastões e incendeie ônibus em bairros médios.

Na segurança pública amazonense, falta a declaração de guerra tática ao tráfico de drogas. Há tempos o que se vê é uma guerra sangrenta entre traficantes, com esquartejamentos, decapitações, execuções, perseguições e tortura, algumas vezes diante dos olhos da cidade, enquanto as polícias atuam apenas na superfície, atendendo a denúncias, trocando tiros aqui e ali, sem que a parte submersa do iceberg seja notada. Manaus vive uma realidade violentíssima, está tomada por grupos profissionais do crime organizado, em boa parte “bancados” e protegidos pelos muros dos presídios, que acabam servindo de quarteis generais do crime.

É preciso decidir o que fazer na segurança amazonense. Ou admitimos que é preciso declarar guerra ao crime organizado – e com isso suportar efeitos colaterais como o enfrentamento e possíveis atentados contra a população em geral –, ou permanecemos ignorando os sinais de que há um imenso iceberg logo à frente.

Há a guerra direta, que, como guerra, trará violência, mas que depois trará resultados mais duradouros. E há a falsa paz dos bairros de classe média e alta, atrás dos vidros dos carros e das grades de casa, com seu videogame e sua tevê de LED, calmamente navegando rumo ao iceberg da violência generalizada.

O que o Amazonas vai fazer? Abrir Boletins de Ocorrência e instaurar inquéritos, dar um tiro aqui e outro ali, ou vai expulsar o crime, apenas para início de conversa, dos presídios, prédios públicos mantidos com o dinheiro do povo?

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Assuntos segurança pública, violência
Valmir Lima 25 de novembro de 2013
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