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Esporte

Vista com desconfiança, Lima virou consenso para receber a final da Libertadores

7 de novembro de 2019 Esporte
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Flamengo
Flamengo decidirá libertadores com o River Plate (Foto: Max Peixoto/DiaEsportivo/Folhapress)

Por Alex Sabino, da Folhapress

SÃO PAULO-SP – A cidade de Lima era a carta na manga do presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, para conseguir um consenso sobre o local da final da Libertadores, entre Flamengo e River Plate, no próximo dia 23.

Depois dos problemas no ano passado, ele queria que todas as partes concordassem a respeito do local que receberia a primeira decisão de título do torneio em jogo único.

Durante a reunião com os presidentes de Flamengo, River Plate, CBF e AFA (Associação de Futebol Argentino) na terça, 5, ele chegou a conversar por telefone com o presidente do Peru, Martín Vizcarra, que deu as garantias de que forneceria toda a estrutura para que o jogo acontecesse na capital do país. Nessa quarta, 6, funcionários da Conmebol estiveram no estádio Monumental, que receberá a partida, para começar o trabalho de adaptação de alguns setores para o jogo.

Um dirigente ouvido pela reportagem e que não quis se identificar afirmou que a escolha de Lima não empolgou nenhum dos presentes ao encontro, mas que, diante das circunstâncias, não havia alternativas.

A decisão deveria acontecer em Santiago, mas os protestos populares que ocorrem no Chile há três semanas e a perspectiva de novas manifestações fizeram a Conmebol temer pela realização da final. Desde a semana passada, Domínguez havia decidido que a sede teria de mudar, apesar dos protestos da ministra de Esporte do país, Cecilia Pérez.

Domínguez está obcecado com a ideia que o jogo deste ano não deve repetir os incidentes de 2018, quando o confronto acabou levado para Madri – pela primeira vez, a Libertadores foi decidida fora da América do Sul.

A resolução foi tomada após o ônibus do Boca Juniors ser apedrejado quando se aproximava do estádio Monumental de Nuñez, onde enfrentaria justamente o River Plate.

O presidente da Conmebol buscou o consenso a todo custo porque Rodolfo D’Onofrio, presidente do River, se revoltou com a transferência da partida de 2018 para a Espanha, mesmo tendo sido campeão. O Boca Juniors entrou na Corte Arbitral do Esporte para tentar ganhar o título no tapetão.

Durante o encontro, Domínguez colocou na mesa outras alternativas, mesmo as que não lhe agradavam e via como inviável. Como Montevidéu, por exemplo, citada apesar de a Conmebol acreditar que o estádio Centenário não tem condições estruturais de receber uma final de Libertadores. A data também teria de mudar, já que no final de semana de 23 e 24 de novembro acontecem eleições presidenciais no Uruguai.

A opção que poucos esperavam apresentada pelo cartola foi Medellín, na Colômbia. Os presidentes de Flamengo e River torceram o nariz, apesar de a cidade ter se oferecido para pagar toda a estrutura da realização da partida no estádio Atanasio Girardot. No ano passado, o custo das viagens, hospedagens, premiações e aluguel do Santiago Bernabéu foi custeada pela Qatar Airways. A companhia aérea é uma das patrocinadoras da Libertadores e pertence à família real do país árabe, sede da Copa do Mundo de 2022.

Apesar de ser o país em que está a sede da Conmebol, Domínguez também não era fã da realização no Paraguai. O único conveniente era que o estádio Olla Azulgrana, em Assunção, estaria preparado, já que receberá a final da Copa Sul-Americana no sábado (9). A preocupação dele era a estrutura hoteleira da cidade e a falta de entusiasmo do governo paraguaio.

A animação que buscava na organização do evento veio de Lima. Ele questionou Vizcarra sobre a instabilidade política que fez a capital peruana perder dois eventos esportivos neste ano: a final da Copa Sul-Americana e o Mundial sub-17. Ouviu do presidente a promessa de que isso estava no passado.

A discussão passou a ser a respeito de logística, especialmente quanto a ingressos. A Conmebol ainda não informou aos clubes sobre quantos ingressos cada um terá direito. A tendência é que sejam os mesmos 12.500 reservados para o Estádio Nacional de Santiago, mas as equipes pediram que a carga fosse aumentada.

O plano da entidade é dar 25 mil entradas (no total) para os clubes, vender 20 mil para o público peruano e dar 10 mil para patrocinadores, convidados e uso da própria confederação. Há também os camarotes, que têm donos. A capacidade oficial do estádio Monumental é de 80 mil pessoas, mas a quantidade de pessoas na final da Libertadores deve ficar entre 55 mil e 60 mil.

O Universitario de Deportes, clube dono do estádio, deverá receber US$ 400 mil (cerca de R$ 1,6 milhão) por sediar o evento. A estimativa do governo peruano é que a final movimente US$ 50 milhões (R$ 200 milhões) no país.

Entenda a final
Por que Libertadores terá final única?

A justificativa da Conmebol é que a final única centraliza na Conmebol toda a organização do jogo, tornando-o mais seguro e lucrativo. Com partidas de ida e volta, cada clube participante e a confederação nacional ficava responsável pela logística.

Como o local da final é definido?

Cada cidade que deseja sediar a final apresenta uma candidatura. A decisão é feita pelo conselho da Conmebol.

O que fez a Conmebol mudar a sede neste ano?

Os protestos populares no Chile, que acontecem desde o mês passado, fizeram o governo do país desistir de sediar eventos internacionais e paralisou o futebol local.

Torcedores que comparam passagens serão ressarcidos pela Conmebol?

Quem comprou ingresso para o jogo em Santiago terá direito a receber o dinheiro de volta e terá prioridade para comprar entradas para a final em Lima, segundo presidente da entidade. Quanto aos gastos de passagem, o dirigente indicou que vai conversar com companhias aéreas para obter ‘tarifas moderadas’. 

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Assuntos Copa Libertadores
Cleber Oliveira 7 de novembro de 2019
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