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Indústria entra em declínio com inovação tímida

3 de outubro de 2019 Follow Up
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Ainda estamos, por enquanto, entre os 10 países mais destacados no cenário industrial. Na verdade, porém, o Brasil está em queda livre no seu desempenho manufatureiro por diversos motivos. O principal deles continua sendo a ausência de uma política industrial. Há um indicador preocupante que revela um cenário evolutivo pessimista. O Brasil se encontra no 66º lugar em inovação tecnológica, de acordo com o Índice Global de Inovação (IGI) publicado há dois meses. Estamos, infelizmente, encolhendo neste item decisivo. Em um ano perdemos duas posições. Estávamos em 64º. E quem lidera o ranking mundial? Suíça, Suécia, Estados Unidos, Países Baixos e Reino Unido estão na frente dessa jornada de avanços e as razões são as de sempre: investimentos em pesquisa e qualificação de recursos humanos, isso significa relação íntima entre economia e academia, uma parceria de que padecemos. Uma performance curiosa é o crescimento da China, que agora ocupa o 14º lugar e deixou pra trás o Japão, em 15°, entre as economias mais inovadoras. Não há outro caminho. Ou investimos em inovação ou até o agronegócio – metade da balança comercial do Brasil – vai para o brejo.

Contravenção e desenvolvimento

Os analistas têm suas explicações para este desastre, mas não incluem o fator contravenção como explicação lapidar para o declínio econômico, industrial e moral do país. E pensar que em 2011, apenas três anos da última crise econômica bancária mundial, o Brasil ultrapassou o Reino Unido e se tornou a 6ª economia do planeta, acompanhada por sua Indústria e, especialmente, pela Agroindústria. Durou pouco a folia com o início do governo Dilma e as trapalhadas de sua política fiscal. Além disso, começam a surgir os primeiros sintomas da moléstia econômica que a corrupção representa. Contravenção e desenvolvimento são incompatíveis. E o Brasil, que colecionou vitórias no futebol contra os europeus, teve alguns instantes de glória ao vencer a peleja econômica contra os países mais destacados na sua frente, Reino Unido e França. Naquele momento estava claro que o poder econômico estava tendendo para a Ásia e da Ásia vieram os principais parceiros de aquisição de nossas commodities (produtos básicos com cotação no mercado internacional), enquanto o rescaldo da crise mergulhava a Europa na recessão. 

Indústria e o PIB

A grande imprensa destacou nesta semana os riscos do encolhimento da atividade industrial e listou alguns dos fatores que estão levando à atrofia do desempenho da indústria. Greve dos Caminhoneiros, as barragens desastrosas da Vale, a intimidação de investidores por diversos fatores políticos explica, em parte, o calvário dos investimentos na área industrial. Chegamos a cair para 11% no Produto Interno Bruto (PIB), e não está descartada uma nova retração este ano, após registrar discreto crescimento em 2017 e 2018, influenciada também pela desaceleração global. Neste ano, estamos praticamente na metade do pico de participação da indústria no PIB em 1976, com 22,3% (a preços constantes de 2010). China à parte, a atividade das fábricas pelo mundo afora cresceu 8% desde 2014, enquanto na América Latina o desempenho foi de queda de 4%. E o destaque negativo entre os maiores países da região foi o Brasil.

Desempenho e falácia

E como fica a Indústria de Manaus, seu desempenho positivo no primeiro semestre e as interrogações para 2020? Chamou a atenção os números de desempenho do Polo Industrial de Manaus, todos descritos apenas em reais nos informes da Suframa para a imprensa. Na mesma hora, as empresas passaram a solicitar desta entidade os relatórios em dólares, a moeda americana que baliza o mercado, internacional e nacional, e que é mais coerente no relato do real desempenho da indústria. Estribado na moeda brasileira o desempenho da indústria do Amazonas teve o maior faturamento em cinco anos. Será que em dólar o desempenho é o mesmo? Com certeza, não. Isso ocorreu durante o governo Dilma Roussef numa tentativa de gerar ilusão de “bonança”, onde não há. Ali já havia os indícios da crise e se fazia necessário, na ótica do governo, ocultar a incompetência nas ações na gestão da economia. 

Para se ter uma análise do faturamento do PIM, coerente e consistente, se faz imperativo seguir a adoção do US$ para comparação com base e moeda estável, como sempre foi. Não podemos nos dobrar a esta restrição de informação estatística pois sugere manipulação. O PIB de países é cravado em dólares. O faturamento do PIM, desde que o presidente Wilson Périco alertou para essa obviedade, passou a ser divulgado em dólar. Quando mudam para a nossa moeda não há como não inferir os indícios de manipulação. E isso não leva a nada. 

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Assuntos Cieam, Indústria 4.0, inovação tecnológica, Zona Franca de Manaus
Cleber Oliveira 3 de outubro de 2019
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