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Esporte

Brasileirão teve 9 gols de falta, pior desempenho desta década

16 de setembro de 2019 Esporte
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Fernando Diniz, ex-técnico do Flu, diz que goleiros melhoraram e jogadores não treinam faltas (Foto: Mailson santana/Fluminense FC)

Por Luca Castilho, da Folhapress

SÃO PAULO-SP – A chamada ‘bola parada’ continua sendo um recurso valorizado pelos técnicos, mas o gol de falta tem sido pouco visto no Campeonato Brasileiro deste ano. Nove dos mais de 400 gols marcados na competição em 2019 foram feitos em cobranças de infrações de fora da área. No ano passado, em 38 rodadas, foram anotados 27 dessa forma. Índice superior a 2016, o pior desta década: 17.

A melhor marca desde 2010 foi de 46 gols de falta, anotados no torneio de 2013. Nos jogos deste final de semana do Campeonato Brasileiro, a última rodada do primeiro turno, não foi anotado nenhum gol de falta. Para não ter o pior número dos últimos anos, terão de acontecer mais nove gols no 2º turno do Brasileiro nesta jogada.

“É muito simples para mim (o motivo para a escassez de gols). É pouca prática. Se o jogador não praticar, não terá resultados”, analisou o ex-meia Alex, que foi campeão brasileiro pelo Palmeiras em 2003, mas também atuou pelo Flamengo.

As equipes da Série A têm poucos jogadores que são vistos como especialistas nessa jogada. Como foi Alex, por exemplo. Ou Marcelinho Carioca para o Corinthians. “São dois motivos principais: a melhora dos goleiros, em todos os fundamentos, e a falta de treinamento por parte dos jogadores”, disse Fernando Diniz, demitido pelo Fluminense no mês passado. No seu elenco, ele tinha Paulo Henrique Ganso, visto como especialista neste lance.

Há várias explicações entre treinadores, jogadores e ex-atletas para tentar explicar o que a escassez. Nem todas são consenso. Há a opinião que o gramado hoje é mais baixo do que no passado e, com isso, e mais difícil elevar a bola na cobrança. O técnico Vinicius Eutrópio acredita nisso.

Outros creem que é preciso treinar mais o recurso na base, como opina o ex-volante Marcos Assunção, exímio cobrador. Há clubes que têm na comissão técnica do departamento profissional atletas que eram especialistas no assunto e hoje passam (ou tentam passar) o conhecimento.

“Desde a minha chegada, pensamos em uma maneira de trazer os jogadores para que eles efetuassem as cobranças de falta. Houve um consenso com a preparação física, fisiologia e parte técnica que traríamos alguns atletas dois dias durante a semana um pouco mais cedo, antes do treinos, para efetuar as cobranças de falta”, disse Ramon, hoje auxiliar no Vasco, onde teve nos anos 1990.

Não deu muito certo porque até agora o time carioca anotou apenas um gol dessa forma. Foi na 11ª rodada, contra o Fluminense, com o meia-atacante Bruno César.

“A comissão técnica precisa arrumar tempo, uma estratégia para que os bons cobradores façam os treinamentos. Isso é imprescindível, decide um jogo, até mesmo um campeonato. Os jogadores devem e podem ficar fora de algum treinamento, e se dedicarem ao treinamento de bola parada”, analisa o preparador físico Altair Ramos, bicampeão mundial com o São Paulo em 1992 e 1993.

O maior artilheiro do Brasileiro deste ano em cobranças de faltas é um zagueiro, não um meia ou atacante, como seria de se esperar. Rafael Vaz, do Goiás, anotou duas vezes. Ele marcou na estreia da equipe na competição, contra o Fluminense, e depois na 16ª rodada, diante do Internacional.

“Eu me dedico muito. Treinar faltas é praticamente uma coisa diária, procuro cobrar pelo menos umas 30, 40 faltas por dia toda vez que acaba o treino e tenho uma oportunidade. Procuro sempre fazer pelo menos umas três, quatro vezes por semana o treino”, disse o jogador.

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Assuntos Brasileirão, Campeonato Brasileiro, gols de falta
Cleber Oliveira 16 de setembro de 2019
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