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Política

‘Não era nem para dar dinheiro a um cara da OAB’, diz Bolsonaro, sobre contrato cancelado

7 de agosto de 2019 Política
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Presidente Jair Bolsonaro criticou contrato com presidente da OAB (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Por Gustavo Uribe, da Folhapress

BRASÍLIA-DF – O presidente Jair Bolsonaro defendeu, nesta quarta-feira, 7, a revisão dos contratos de advocacia e publicidade da Petrobras e disse que não era nem para ter sido firmado um acordo com o escritório de advocacia do presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz.

Como revelou a coluna Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, a empresa estatal enviou carta ao advogado comunicando que está cancelando o contrato que mantinha com ele para atuar em causas trabalhistas. No ano passado, ele venceu uma causa estimada em R$ 5 bilhões que seriam pagos como horas extras atrasadas a funcionários embarcados nas plataformas de petróleo da companhia.

Em entrevista na entrada do Palácio do Alvorada, onde mora, o presidente afirmou que a Petrobras não precisa “dar dinheiro para um cara da OAB que recebe recursos bilionários e não é auditado por ninguém”. Questionado pela reportagem, ele não respondeu se a rescisão do contrato foi feita a pedido dele. “Eu havia falado já, nem era para ter esse contrato. Não é porque era ele, é porque a Petrobras não precisa disso: dar dinheiro para um cara da OAB que recebe recursos bilionários e não é auditado por ninguém”.

O cancelamento ocorreu na semana seguinte ao presidente ter atacado o advogado, cujo pai desapareceu durante a ditadura militar. Ao reclamar que a entidade tinha entrado com uma ação para impedir a quebra do sigilo telefônico do defensor de Adélio Bispo, que o esfaqueou na campanha eleitoral do ano passado, o presidente afirmou que, se Santa Cruz quisesse saber como o pai, Fernando Santa Cruz, desapareceu durante a ditadura militar, poderia contar. Depois, ao contrariar todos os dados oficiais sobre o caso, Bolsonaro afirmou que Fernando Santa Cruz foi morto por militantes de esquerda. 

Nesta quarta-feira, Bolsonaro ressaltou que o contrato de advocacia não era necessário e que tudo será “visto e revisado”. Ele citou, por exemplo, um acordo de publicidade fechado pela estatal com a montadora britânica McLaren de cerca de R$ 600 milhões em cinco anos.

“Posso falar para você, não tem que esconder nada não: é qualquer contrato com qualquer empresa que tem de ser visto e revisado. Esse contrato é antigo, de alguns anos, não precisa disso”, afirmou. “É muita coisa para ser revista”, acrescentou.

Após a rescisão do contrato, Santa Cruz disse que ingressará com pedido judicial de reparação de danos e afirmou que tem sofrido uma clara ‘perseguição política’.

A Petrobras não quis comentar o caso.

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Assuntos ditadura militar, Felipe Santa Cruz, Jair Bolsonaro, OAB
Cleber Oliveira 7 de agosto de 2019
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