
No Dia Internacional de Combate às Drogas o fato mais noticiado foi a prisão de um militar brasileiro na Espanha, transportando 39 quilos de cocaína no avião presidencial. Um escândalo Internacional.
Bolsonaro foi eleito prometendo combater o crime e o narcotráfico como nunca antes no País. Como fará isso? Já que não consegue cuidar nem do avião de sua comitiva, que sai em viagem portando uma grande quantidade de drogas.
E o que mais causa estranheza é que não foi a segurança brasileira que identificou a droga no avião, mas a policia espanhola, causando um enorme constrangimento internacional para o Brasil. A pergunta que fica é, onde está a segurança presidencial que não consegue identificar 39 quilos de cocaína dentro do avião do presidente?
Muito precisa ser explicado pelo Governo Bolsonaro sobre esse crime. Na Câmara dos Deputados, pretende-se convocar o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e o general Augusto Heleno Ribeiro para dar satisfações sobre o caso.
Mas é preciso ter uma investigação profunda, pois se trata de um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) e uma pessoa da equipe precursora das visitas internacionais do presidente da República.
O caso se enquadra como tráfico internacional de drogas e certamente vai prejudicar ainda mais a já desgastada imagem do Brasil perante o mundo. Pelo volume das drogas transportadas não deve ser ação isolada. E o militar já participou de várias outras viagens presidenciais.
O atual Governo não tem claramente uma política nacional de Combate às Drogas. O Ministério da Justiça e Segurança Pública, chefiada por Sérgio Moro, até hoje, com seis meses de governo, não ajudou os Estados na estruturação das polícias e no combate ao narcotráfico e ao crime organizado.
Na recente chacina no sistema penitenciário do Amazonas, onde 55 presos foram mortos, o governo disse que foi apenas briga entre facções criminosas organizadas, que cresce a cada dia sem uma ação concreta do Governo Federal. Enquanto isso, o Moro propõe apenas projeto para endurecer penas e ampliar o encarceramento, medidas que não contribuem para a ressocialização dos presos, prevenção dos crimes e a diminuição da violência.
Nas ações de recuperação de dependentes químicos são as entidades da sociedade civil e religiosas que efetivamente atuam. O Estado pouco atua e ainda cria muitas dificuldades para apoiar essas entidades com recursos financeiros.
Na região de fronteira Amazônica Brasileira, com países que são grandes produtores de drogas, o narcotráfico impera com a frágil presença do Estado e o aparelho policial e militar. Os Estados do Norte viraram corredor do tráfico de drogas.
O número de pessoas presas por tráfico mais que triplicou entre 2005 e 2013, passando de 31.520 para mais de 138 mil. Hoje, praticamente um terço da população carcerária é sentenciada ou acusada por tráfico de drogas. Mais da metade da população prisional feminina é composta de mulheres acusadas por crime de tráfico de drogas.
Por isso, apurar o caso dos 39 kg de drogas transportado por um militar no avião do presidente da República é urgente. E a punição dos responsáveis e criminosos também. Mas certamente não a mesma punição que o Bolsonaro defendeu ao parabenizar, quando era deputado, o presidente da Indonésia que mandou fuzilar um brasileiro acusado de tráfico de drogas.
José Ricardo Wendling é formado em Economia e em Direito. Pós-graduado em Gerência Financeira Empresarial e em Metodologia de Ensino Superior. Atuou como consultor econômico e professor universitário. Foi vereador de Manaus (2005 a 2010), deputado estadual (2011 a 2018) e deputado federal (2019 a 2022). Atualmente está concluindo mestrado em Estado, Governo e Políticas Públicas, pela escola Latina-Americana de Ciências Sociais.
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