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Dia a Dia

Decano da Folha de S.Paulo, jornalista Clóvis Rossi morre aos 76 anos

14 de junho de 2019 Dia a Dia
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Jornalista Clóvis Rossi morreu aos 76 anos (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

Da Folhapress

SÃO PAULO-SP – O jornalista Clóvis Rossi, decano da Redação da Folha de S.Paulo, morreu na madrugada desta sexta-feira, 14, em São Paulo. Ele tinha 76 anos e estava em casa, onde se recuperava de infarto tido na semana passada, Deixa mulher, com quem estava havia mais de meio século, três filhos e três netos.

Colunista e membro do Conselho Editorial da Folha de S.Paulo, Rossi publicou seu último texto na quarta-feira, 12. Intitulado ‘Boletim Médico’. Ele era, segundo o jornalista, “uma satisfação devida ao leitor, se é que há algum”. Seu estilo irônico e descontraído continuava no agradecimento aos colegas do jornal. “Até mentiram dizendo que estavam sentindo a minha falta”, escreveu.

Nascido em 25 de janeiro de 1943 no bairro do Bexiga, em São Paulo, filho de seu Olavo, vendedor de máquinas pesadas, e dona Olga, artesã de grinaldas e buquês de flores, ele se formou em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero.

Rossi começou no jornalismo em 1963. Trabalhou nos jornais Correio da Manhã, O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil. Teve ainda passagens pelas revistas Isto É e Autoesporte e pelo Jornal da República e manteve blog no espanhol El País. Estava desde 1980 na Folha de S.Paulo.

Ganhou vários prêmios jornalísticos, entre eles o Maria Moors Cabot, da Universidade de Columbia, e o da Fundação Nuevo Periodismo Ibero-Americano, criada por Gabriel García Márquez. Escreveu os livros ‘Clóvis Rossi, Enviado Especial, 25 Anos ao Redor do Mundo’ e ‘O que é Jornalismo’.

Fez coberturas de eventos históricos, viagens de vários presidentes brasileiros, Copas do Mundo e Olimpíada. Foi correspondente da Folha de S.Paulo em Buenos Aires e Madri. Era presença frequente no Fórum Mundial de Davos.

Gostava de enfatizar sua preferência pela reportagem e não pela edição. Tinha especial orgulho da cobertura que fez sobre o fim do regime franquista espanhol. “Raramente gosto do que faço. Sempre acho que a próxima reportagem vai ser melhor. Exceto nessa cobertura”, afirmou na Flip em 2014.

“A Folha e o jornalismo brasileiro perdem um de seus principais e mais premiados repórteres, certamente o mais experiente. Clóvis era admirado por gerações de profissionais por sua independência de pensamento, disposição e rapidez de trabalho e qualidade de cobertura. Vai fazer muita falta”, afirmou o diretor de Redação da Folha de S.Paulo, Sérgio Dávila.

Rossi torcia para o Palmeiras e para o Barcelona e dizia ter um sonho não realizado no jornalismo: ser setorista da Liga dos Campeões da Europa.
O velório e o enterro ocorrerão no Cemitério Gethsêmani, em São Paulo.

O início do velório será às 15h e o enterro será no sábado, às 11h. Em 2015, o Congresso da Abraji homenageou o jornalista.

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Assuntos Clóvis Rossi
Cleber Oliveira 14 de junho de 2019
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