
Da Redação
MANAUS – O deputado Marcelo Ramos (PR-AM), ao assumir a presidência da Comissão Especial da Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, na sexta-feira, 26, concedeu entrevista à TV Câmara em que diz que “ninguém desidrata tanto a proposta do governo” de que o presidente Jair Bolsonaro. E sugere que ele fique calado até a aprovação da reforma no Congresso Nacional.
Marcelo Ramos se referia à fala de Bolsonaro, na sexta-feira, sobre a economia que a reforma pode gerar ao governo. Enquanto o ministro Paulo Guedes falava em R$ 1 trilhão e a equipe do Ministério da Economia refez os cálculos para R$ 1,2 trilhão, Bolsonaro disse que se contentaria com R$ 800 bilhões.
“O presidente da República, cada vez que fala, tira alguma coisa da reforma. Ninguém desidratou mais a reforma do que o presidente da República. Eu queria sugerir que ele até não falasse sobre a reforma até o final para que ela não desidrate tanto”, disse Ramos.
O parlamentar foi além. Disse que a fala do presidente é ruim para o processo legislativo da reforma da Previdência, porque o Bolsonaro mandou um projeto “muito duro” para a Câmara e as coisas que são duras ele mesmo tira.
“Aí, ele que mandou o projeto é o bonzinho que tira as coisas duras e nós somos os maus que vamos ter que aprovar a reforma”.
Ramos também disse que alguns pontos do texto enviado pelo governo federal são “quase natimortos”. Segundo ele, os partidos do centro são contrários a mudanças nas regras do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e da aposentadoria rural e à criação de um regime de capitalização. Na avaliação de Ramos, esses três itens “não têm nenhuma condição política de serem superados”.
“A questão dos professores, que a idade mínima das professoras aumenta em dez anos sem nenhuma regra de transição. Isso também é uma mudança muito dura que precisa ser revista. E o que será objeto de muita polêmica é, se as regras forem aprovadas, para o regime próprio dos servidores públicos federais, serão de aplicação imediata para os servidores públicos dos estados e municípios”, afirmou.

O “baixo clero está se achando”!