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Economia

Otimismo com economia cai depois de Bolsonaro assumir a Presidência

9 de abril de 2019 Economia
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Da Folhapress

SÃO PAULO – O otimismo do brasileiro com a economia e a sua própria situação voltou a cair, mostra pesquisa Datafolha. Depois de chegar a níveis recordes às vésperas da posse de Jair Bolsonaro (PSL), a porcentagem de pessoas que acreditam que a situação econômica brasileira vai melhorar nos próximos meses caiu de 65%, em dezembro, para 50%. A parcela dos que prevê piora dobrou, de 9% para 18%.

Fenômeno semelhante ocorre com a expectativa sobre a situação do próprio entrevistado. Os que confiam em melhora passaram de 67% para 59%, enquanto os que acham que haverá piora subiram de 6% para 11%.
O Datafolha ouviu 2.086 brasileiros com 16 anos ou mais, em 130 municípios, nos dias 2 e 3 de abril. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

A análise das séries históricas do Datafolha, que pesquisa expectativas em relação à economia do país desde dezembro de 1997 (durante o primeiro mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso), mostra que é comum uma alta no otimismo antes da posse de novos governos.

No entanto, não registra queda do otimismo em relação à economia brasileira após a posse dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, e Dilma Rousseff, em 2011. Houve queda dessa expectativa após a posse nas reeleições, incluindo na de Fernando Henrique.

Além de esperar piora na situação do país e na sua própria, o brasileiro se mostra pessimista, logo no início da gestão Bolsonaro, com todos os três itens econômicos pesquisados: desemprego, inflação e poder de compra.

Quase metade (47%) dos brasileiros acredita que o desemprego vai aumentar, enquanto 29% tinham essa opinião antes da posse de Bolsonaro. Entre os que creem em melhora, o movimento foi inverso: de 47% para 29%.

Enquanto em dezembro a confiança em uma queda da inflação havia triplicado, para 35% das pessoas, agora ela recuou para 22%. Já os que esperam alta na inflação passaram de 27% para 45%.

As expectativas em relação ao poder de compra dividem entrevistados, com um empate técnico: 34% acham que ele vai aumentar (contra 43% em dezembro), 33% acreditam em piora (contra 18% em dezembro) e 30% esperam estabilidade (eram 36% em dezembro).

Há diferenças claras entre as expectativas dos que elegeram Bolsonaro e as de eleitores de Fernando Haddad (PT). Entre bolsonaristas, por exemplo, há otimismo expressivo: 68% acham que a economia vai melhorar e 72% esperam progresso em sua vida.

Entre os eleitores de Haddad, 30% acreditam na melhora, 35% que ela vai piorar e 44% são otimistas em relação a seu próprio caso -19% acham que haverá piora. A polarização é mais evidente em temas específicos.
Para 43% dos eleitores de Bolsonaro, o desemprego vai diminuir; 34% acham que ele vai crescer. Já entre os que votaram em Haddad, 64% esperam aumento no desemprego, e só 13% acreditam em queda.

No caso da inflação, há empate nas opiniões dos eleitores de Bolsonaro: 33% acham que ela vai cair e 31%, que ela vai subir (dentro da margem de erro), enquanto 62% dos que votaram em Haddad preveem alta da inflação e apenas 9% dizem que ela vai cair.

Também em relação à política, o humor parece ter amargado. Em dezembro, a maioria dos brasileiros (58%) dizia acreditar que a corrupção iria diminuir. O índice despencou para 35%. Já a parcela dos que acham que ela vai aumentar dobrou, de 19% para 40%.

As opiniões divergem de acordo com a afinidade política dos entrevistados.
A maioria dos eleitores de Bolsonaro (54%) acredita em queda da corrupção, e 25%, aumento. Entre os que votaram em Haddad, a situação se inverte: 59% esperam mais corrupção e 15% acreditam em recuo.

Apesar da piora nas expectativas, houve melhora na imagem que o brasileiro tem de sua nacionalidade e do país: 72% afirmam ter mais orgulho que vergonha de ser brasileiro. Essa parcela vem crescendo desde os 50% registrados em junho de 2017, após a divulgação das gravações da conversa entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista.
Os que sentem mais vergonha que orgulho são 26%, também em queda constante desde os 47% de junho de 2017.

Dois terços da população dizem que o Brasil é um lugar bom ou ótimo para viver -melhora em relação aos 55% que se manifestaram em dezembro do ano passado. A fatia dos que consideram o país ruim ou péssimo oscilou de 14% para 15%, e os que acham o Brasil regular caíram de 32% para 19%.

Na análise por faixa etária, o pessimismo é uniforme em relação ao mercado de trabalho. Cerca de metade dos brasileiros entre 16 e 34 anos e de 45 a 59 anos acha que o desemprego vai piorar. A parcela é menor entre os que têm de 35 a 44 anos e mais de 60 (41% e 45%, respectivamente), mas ainda assim supera a dos que acreditam em melhora do emprego.

Os mais jovens são os mais pessimistas em relação à inflação: 52% dos que têm de 16 a 24 anos e 50% dos que têm de 25 a 34 anos esperam alta.
Quando olham para o passado, 29% dos brasileiros dizem que sua situação econômica piorou nos últimos meses, parcela maior que os 20% que relatam melhora. Pouco mais da metade (51%) diz que sua situação ficou estável.

A análise por religião mostra diferença também nas expectativas: evangélicos são mais otimistas que católicos em relação a sua própria situação econômica e à do país. A economia do Brasil vai melhorar para 57% dos evangélicos contra 48% dos católicos, e a própria situação econômica será melhor no futuro para 67% dos evangélicos, contra 56% dos católicos.

Com a queda do otimismo do brasileiro em relação à economia, caiu também o Índice Datafolha de Confiança. O índice leva em conta os cinco parâmetros (desemprego, inflação, contas pessoais, situação do país e poder de compra) e as avaliações do orgulho de ser brasileiro e do Brasil enquanto país para morar.

Cada índice é calculado subtraindo-se menções negativas das positivas. Para evitar dados negativos, é adicionado no resultado o número cem -dado acima de cem indica otimismo, abaixo, pessimismo.

O índice geral caiu de 148 pontos para 124 -apesar da queda, mostra confiança positiva. Nas pesquisas realizadas em 2017, o índice esteve sempre negativo, e, nas duas primeiras medições de 2018, aproximou-se da neutralidade (99 e 101, em abril e junho).

O nível mais baixo do indicador foi registrado em março de 2015, momento agudo da crise política e econômica que levou ao impeachment da presidente Dilma Rousseff no ano seguinte: 76 pontos.

Houve piora em todos os indicadores econômicos, principalmente nas expectativas de desemprego e inflação, e pequena melhora nas avaliações do orgulho de ser brasileiro e do país como lugar para se viver.

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Assuntos Bolsonaro, brasileiro, inflação
Redação 9 de abril de 2019
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