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Eleições 2018

Empresa que atua para Bolsonaro questiona plataforma por apagar registro de mensagens

27 de outubro de 2018 Eleições 2018
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WhatsApp
Uso do WhatsApp na campanha de forma indevida é está sendo questionado na Justiça Eleitoral (Foto: ATUAL)

Da Folhapress

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SÃO PAULO – A empresa responsável pela estratégia digital da campanha de Jair Bolsonaro (PSL), AM4 Inteligência Digital, notificou extrajudicialmente uma terceirizada de envio de mensagens de WhatsApp em massa após registros serem apagados e o valor do serviço estornado.

Conforme revelou reportagem do UOL, dados de um serviço de disparo de mensagens em massa via WhatsApp a que a reportagem teve acesso trazem novos indícios sobre o esquema revelado na semana passada pela Folha de S. Paulo. Os dados revelam que o sistema deixou rastros que mostram que, na tarde de 18 de outubro, foram apagados os registros de envio de mensagens disparadas pela campanha de Jair Bolsonaro horas depois da publicação da reportagem da Folha.

Em nota, a AM4 Inteligência Digital afirma que notificou extraoficialmente a Kiplix, que pertence ao mesmo grupo da empresa Yacows Desenvolvimento de Softwares, sobre o desaparecimento do registro de serviço de envio de mensagens e também estorno do valor de R$ 1.680 cobrado por isso. A Yacows é responsável pela plataforma Bulk Services, de envio de mensagens em massa via WhatsApp.

“Aguardamos uma manifestação dos responsáveis legais pela Bullk  Services para saber quem apagou o registro do envio de mensagem feito pela AM4 e a e razão de os R$ 1.680,00 pagos terem sido devolvidos em créditos”, diz nota da AM4.

Além de negar ter apagado o registro, a AM4 afirma que fez um único envio de mensagem de WhattsApp com ferramenta automatizada durante as eleições, no dia 13/09. Nesse lote, diz a AM4, foram enviados 8 mil mensagens para doadores oficiais da campanha.

“A AM4 não faz, não utiliza, não contrata e não recomenda aos seus clientes, sejam eles públicos ou privados, o envio de mensagens de Whattsapp em massa, usando banco de dados de terceiros, por considerar essa estratégia cara, ineficaz e invasiva”, afirma nota da empresa.

A reportagem do UOL ligou para o comando da Yacows, ao longo de toda a manhã desta sexta-feira. A diretora Flávia Alves atendeu a reportagem, mas disse que não poderia responder às perguntas por orientação jurídica.

O caso

A reportagem do UOL teve acesso a registros da AM4 no serviço de mensagens chamado Bulk Services. Os dados mostram que, no dia 18 de outubro, horas depois de a reportagem da Folha ter sido publicada, informações referentes às campanhas da AM4 foram apagadas no sistema da Yacows.

Um especialista em segurança virtual forneceu ao UOL, sob a condição de sigilo, dados do sistema de mensagens em massa pelo WhatsApp chamado Bulk Services, de propriedade da agência Yacows.

AM4 tem cadastro pelo menos desde setembro

Com sede na cidade de Barra Mansa (RJ), a AM4 aparece na prestação de contas da campanha de Bolsonaro como responsável pela criação do site da candidatura e outras ações em mídia digital, pelas quais recebeu R$ 115 mil declarados ao TSE, até o presente momento.

A empresa tem cadastro como cliente do sistema com ações registradas desde pelo menos o dia 25 de setembro deste ano, de acordo com os dados obtidos pelo UOL.

O login de usuário no sistema está em nome de uma funcionária da AM4, cujo nome foi confirmado à reportagem pela empresa. Em uma das listas de contatos apagadas estavam registrados pouco mais de 8.000 números de telefone.

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Assuntos Bolsonaro
Valmir Lima 27 de outubro de 2018
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