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Economia

Brasil mantém relação comercial e exporta dinheiro para a Venezuela

29 de julho de 2018 Economia
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A produção de dinheiro começou em 2018, segundo informou a Casa da Moeda (Foto: Divulgação)

Do Estadão Conteúdo

Às turras com o regime do presidente Nicolás Maduro nos foros internacionais, o Brasil ainda mantém relação comercial com a Venezuela. E, neste ano, iniciou a exportação de um produto altamente demandado do lado de lá da fronteira: dinheiro em espécie.

Por encomenda, a Casa da Moeda do Brasil está imprimindo os bolívares usados no país vizinho. A demanda é grande, porque o valor das cédulas “derrete” diante da hiperinflação, que pode atingir 1.000.000% neste ano, segundo estimativas do FMI (Fundo Monetário Internacional).

A produção de dinheiro começou em 2018, segundo informou a Casa da Moeda. Não é a primeira vez que o Brasil imprime dinheiro para outro país. A Casa da Moeda já forneceu cédulas para Argentina, Paraguai e Haiti.

Sem dar conta de acompanhar a evolução dos preços, os venezuelanos precisam de quantidades cada vez maiores de dinheiro vivo. As cédulas de bolívar são hoje o sétimo principal produto exportado pelo Brasil para o vizinho, segundo dados da balança comercial.

De janeiro a junho, as vendas em dinheiro já impresso totalizaram US$ 6,8 milhões, além de mais US$ 4,6 milhões em papel que serve para a impressão de dinheiro.

Em março, Maduro anunciou que o sistema monetário seria reformado, com o corte de três zeros das cifras. Assim, mil bolívares passariam a ser um bolívar, mas com o mesmo valor de aquisição. E a moeda passará a ter outro nome: bolívar soberano.

Mas a inflação é tão alta que o corte de três zeros já não será suficiente para colocar os preços venezuelanos num padrão civilizado. Na quarta-feira, Maduro informou que a reforma cortará cinco zeros. Ou seja, cem mil bolívares serão convertidos em um bolívar. A entrada em vigor da reforma também foi adiada: do início de agosto para o dia 20 do mesmo mês.

Para mostrar que a Venezuela não está sozinha na luta contra a inflação, o comunicado do governo informa que o Brasil cortou três zeros da moeda em 1989, 1992, 1993 e 1994. “Em uma década, o Brasil eliminou um total de 12 zeros de sua moeda.” Na realidade, a reforma de 1994 não foi simplesmente o corte de três zeros, mas a implantação do real, que valia CR$ 2.750,00. O governo venezuelano cita outros casos na região, como Argentina, Colômbia e Paraguai.

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Assuntos bolívares, brasil, Venezuela
Redação 29 de julho de 2018
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