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Dia a Dia

Jovens estão entre os que mais sofrem com problemas gástricos, diz especialista

28 de maio de 2018 Dia a Dia
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Adoção de alimentos mais saudáveis e atividades físicas ajudam no metabolismo (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Da Redação

MANAUS – Má alimentação, sedentarismo, estresse, obesidade, alcoolismo, tabagismo e uso de anti-inflamatórios. Estes são alguns dos fatores de risco mais comuns nas doenças gastrointestinais, o que torna frequentes queixas sobre azia, má digestão, gastrite e refluxo. Para alertar sobre estes e outros males, a MGO (Organização Mundial de Gastroenterologia) promove globalmente o Dia Mundial da Saúde Digestiva nesta terça-feira, 29 de maio.

Em Manaus, assim como em outras partes do País e do mundo, profissionais da área aproveitam a data para chamar a atenção da população sobre a necessidade de prevenção, diagnóstico precoce, acompanhamento médico e tratamento adequado desses problemas, e alertam que entre a população mais afetada estão os jovens, principalmente adolescentes.

Mas não é qualquer mal-estar no estômago ou intestino que pode ser considerado doença. Para isso, é preciso que haja um quadro de repetição. “Quando o paciente apresenta tais sintomas por mais de três meses, já pode-se considerar uma síndrome dispéptica, necessitando de investigação adicional”, orienta a gastroenterologista da Medinova GastroCentro, Thianny Machado.

“As queixas digestivas são extremamente comuns. Estima-se que cerca de 30% da população mundial sofra de dispepsia, que é o termo médico usado para descrever todos esses sintomas. Em Manaus, nos chama atenção o número de jovens que chega ao consultório com alguma queixa gastrointestinal, correspondendo a cerca de 50% da demanda”, diz médica.

Ainda conforme a especialista, a dispepsia é uma doença multifatorial, mas, com certeza, os hábitos alimentares estão entre os principais fatores desencadeantes do problema, sobretudo na população mais jovem, como os adolescentes, que costumam se alimentar muito mal do ponto de vista nutricional ou ainda, ficar muitas horas se se alimentar.

Thianny também cita a importância da infecção pelo Helicobacter Pylori, bactéria responsável por boa parte dos sintomas de gastrite, e os fatores de cunho emocional, que também têm grande influência nos sintomas dispépticos. São as chamadas ‘gastrites nervosas’, relacionadas ao estresse e à ansiedade.

“Nos mais jovens, além da questão alimentar, esses problemas estão ligados também a questões emocionais, como a pressão dos pais em relação aos resultados na escola ou mesmo aos relacionamentos afetivos, quando estes não vão bem”, diz Thianny Machado. Ela informa que a prevalência da dispepsia é maior nas mulheres do que nos homens.

Queixas mais frequentes

Em relação às doenças mais comuns no consultório de gastroenterologia, a gastrite e o refluxo representam as principais, sendo a primeira responsável por até 70% da demanda, segundo o doutor Tiago Cardoso, cirurgião gástrico da Medinova GastroCentro.

Os especialistas ressaltam que, apesar de serem doenças com mecanismos fisiopatológicos diferentes, gastrite e refluxo têm fatores desencadeantes em comum, que, como já citados anteriormente, estão relacionados ao estilo de vida de cada indivíduo.

Tiago Cardoso ressalta ainda que o processo evolutivo das doenças gastrointestinais não é linear e que, não necessariamente, quem tem gastrite vai evoluir para uma úlcera e, posteriormente, para câncer. “A gastrite causada pelo H. Pylori, quando progride, leva a uma atrofia da mucosa e essa atrofia é fator de risco para o câncer gástrico. Mas nem todas as pessoas infectadas pela bactéria chegam a desenvolver a gastrite atrófica. Isso acontece somente em uma porcentagem dos casos”, esclarece.

Neste contexto, os hábitos alimentares têm um grande peso, especialmente pelo consumo exagerado de alimentos açucarados e gordurosos, como refrigerantes, achocolatados e produtos industrializados. “Tudo que a gente come, desde a infância, contribui para a formação da microbiota, que é a nossa flora intestinal. Então, se a alimentação é inadequada na infância, com o tempo, vai havendo um desequilíbrio na microbiota, o que pode gerar desconforto intestinal e maiores chances de se desenvolver doenças digestivas”, diz Thianny Machado.

Para amenizar os problemas e colaborar com a sua recuperação, o paciente precisa adotar um novo estilo de vida, incluindo, principalmente, alimentos mais saudáveis, atividades físicas rotineiras e mais regularidade nas refeições.

“Comer de três em três horas nem sempre é possível, e nem todo mundo se adapta, mas pelo menos as três principais refeições do dia precisam ser feitas na hora certa, com uma boa mastigação e num ambiente tranquilo. Além disso, alimentos comuns no dia a adia do amazonense, como farinha e pimenta, podem contribuir para a piora dos sintomas digestivos. O consumo abusivo de álcool e o tabagismo também devem ser evitados, pois são fatores de risco para progressão ao câncer gástrico”, concluiu Thianny.

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Assuntos Amazonas, brasil, Jovens
Redação 28 de maio de 2018
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