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Dia a Dia

Ex-comissária da ONU, Navanethem ‘Navi’ Pillay ganha o Nobel da Paz

9 de outubro de 2026 Dia a Dia
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Navanethem ‘Navi’ Pillay foi reconhecida pela luta por direitos humanos e combate a crimes de guerra (Imagem: Facebook/Reprodução)
Navanethem ‘Navi’ Pillay foi reconhecida pela luta por direitos humanos e combate a crimes de guerra (Imagem: Facebook/Reprodução)
Do Estadão Conteúdo

SÃO PAULO – A ex-alta comissária da ONU para direitos humanos Navanethem ‘Navi’ Pillay, hoje juíza da Corte Internacional de Justiça, venceu o Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira (9), em Oslo, na Noruega. O Nobel da Paz é frequentemente apontado como a honraria mais prestigiosa do planeta. A edição deste ano marca o 125º aniversário do prêmio, criado em 1901.

‘Navi’ Pillay foi premiada por sua defesa histórica do direito internacional, dos direitos humanos e pela responsabilização de governos e líderes em crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.

Na juventude, foi a primeira mulher negra a abrir um escritório de advocacia na província de Natal, na África do Sul. Ela defendeu ativistas antiapartheid e trabalhou para garantir direitos fundamentais a presos políticos na Ilha Robben, incluindo nomes ligados a Nelson Mandela.

Em 1995, após o fim do regime segregacionista, foi nomeada por Nelson Mandela como a primeira juíza negra do Supremo Tribunal da África do Sul.

O Comitê Nobel Norueguês recebeu indicações de 287 candidatos ao Nobel da Paz de 2026, sendo pouco mais de um quarto organizações Especialistas afirmam que o comitê costuma considerar, entre outros fatores, a durabilidade de iniciativas de pacificação, a promoção da fraternidade internacional e o trabalho discreto de instituições que reforçam esses objetivos.

Antes do anúncio, analistas e mercados de previsões citavam como possíveis candidatos a Estação Espacial Internacional, equipes de emergência no Sudão, defensores das crianças na Ucrânia e duas das principais cortes internacionais. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, também aparecia com destaque em algumas apostas.

O presidente dos EUA, Donald Trump – que trava uma guerra contra o Irã – há tempos manifesta publicamente o desejo de receber o prêmio e afirma reiteradas vezes que o merece.

No ano passado, a líder da oposição venezuelana María Corina Machado venceu o Nobel da Paz por sua luta em prol de uma transição democrática no país sul-americano, descrita pelo Comitê Nobel como uma mulher “que mantém acesa a chama da democracia em meio a uma escuridão crescente”. Pouco depois de os EUA derrubarem o então presidente Nicolás Maduro, Machado entregou a Trump sua medalha do Nobel. O gesto, porém, teve caráter sobretudo simbólico: o Comitê Nobel já afirmou que a honraria não pode ser transferida.

As indicações ao Nobel podem ser feitas por um grupo restrito de pessoas e instituições, como chefes de Estado e políticos em nível nacional, professores universitários, diretores de institutos de política externa, vencedores anteriores do prêmio e integrantes do Comitê Nobel Norueguês.

Ao longo da semana, foram anunciados outros prêmios Nobel. O de Medicina foi para três cientistas cujo trabalho levou ao desenvolvimento de uma ferramenta baseada em luz para ajudar a desvendar o funcionamento do cérebro. O de Física reconheceu esforços para esclarecer um grupo raro de neutrinos. O de Química premiou dois cientistas por explicar imagens-espelho em moléculas, avanço aplicado no desenvolvimento de inúmeros medicamentos.

Na quinta-feira, a poeta, ensaísta e tradutora canadense Anne Carson venceu o Nobel de Literatura por obras descritas como “ousadas e inventivas”, que fundem o clássico e o moderno e borram as fronteiras entre poesia e prosa.

O Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel será anunciado na segunda-feira. O valor pago neste ano é de 12 milhões de coroas suecas (cerca de US$ 1,2 milhão), para um indivíduo, um pequeno grupo de laureados ou uma organização.

Em 125 anos, o Nobel da Paz foi concedido a 112 pessoas e 28 instituições. A Cruz Vermelha venceu três vezes, e a agência de refugiados da ONU recebeu o prêmio duas vezes.

Apenas 20 dos 112 laureados individuais foram mulheres, embora oito dessas premiações tenham ocorrido nos últimos 15 anos. A ativista paquistanesa Malala Yousafzai é a laureada mais jovem: venceu aos 17 anos, em 2014.

Os EUA lideram o número de distinções, com 24 prêmios atribuídos a instituições ou cidadãos americanos, à frente do Reino Unido (13) e da Suíça (11). Ainda assim, nenhum laureado listado como americano venceu desde 2009, quando o então presidente Barack Obama foi premiado.

O Nobel da Paz deixou de ser concedido 19 vezes, principalmente durante as guerras mundiais. Em 1948, ano do assassinato de Mahatma Gandhi, não houve premiação; ele havia sido indicado 12 vezes e nunca venceu. Em 1939, um parlamentar sueco chegou a indicar Adolf Hitler, mas retirou a indicação em seguida, dizendo que nunca pretendeu levá-la a sério.

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Assuntos destaque, Navanethem ‘Navi’ Pillay, Nobel da Paz
Cleber Oliveira 9 de outubro de 2026
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