

Por Felipe Campinas, do ATUAL
MANAUS — Quatro campanhas estruturadas para a disputa do Governo do Amazonas e nenhum candidato confortável na reta final. Essas são duas características inéditas da eleição de 2026, segundo o cientista político e professor da Ufam (Universidade Federal do Amazonas) Afrânio Soares.
Neste ano, seis candidatos e uma candidata disputam a cadeira de governador do Estado. Em ordem alfabética, são eles: Cabo Daciolo (Mobiliza), David Almeida (Avante), Gilberto Vasconcelos (PSTU), Isael Munduruku (Rede), Omar Aziz (PSD), Professora Maria do Carmo (PL) e Roberto Cidade (União Brasil).
Neste domingo (4), cerca de 2,6 milhões de eleitores estão aptos a ir às urnas para escolher quem comandará o estado pelos próximos quatro anos. O eleito terá um orçamento estimado em R$ 160 bilhões para executar políticas públicas que contribuam para o desenvolvimento do estado.
O Amazonas é um dos três estados com grande possibilidade de levar a decisão sobre o governo estadual para o segundo turno, ao lado do Espírito Santo e de Mato Grosso, segundo levantamento do jornal O Globo com base nas pesquisas Quaest e Datafolha.
As últimas pesquisas do Ipen e da Pontual, divulgadas na terça-feira (29) e na quarta-feira (30), respectivamente, mostram Omar em vantagem nas intenções de voto, seguido pelo governador Roberto Cidade (União Brasil), candidato à reeleição, e por Maria do Carmo Seffair (PL). O ex-prefeito de Manaus David Almeida (Avante) aparece em quarto lugar.
Afrânio Soares, que também dirige a Action Pesquisas, afirma que os resultados dessas duas sondagens parecem os “mais próximos da realidade”. Para ele, as sondagens indicam que Aziz deve chegar ao segundo turno, mas ainda há incerteza sobre quem seria o adversário.
“Existe essa alternância entre o Roberto Cidade e a Maria do Carmo devido à proximidade dos dois. A construção dessa vantagem do Roberto Cidade se deu com a sua campanha no interior do estado, onde ele, como governador em exercício, tem uma capilaridade muito grande”, disse Soares.
“E é óbvio que está trabalhando forte também no interior. Então, eu imagino que seja possível que Roberto tenha aberto alguma vantagem e, se isso aconteceu, seria por uma vantagem muito significativa em relação a Maria do Carmo, principalmente no interior do estado”, completou o professor.
No recorte de Manaus, segundo Afrânio, há grande probabilidade de Aziz estar na primeira ou segunda posição. O político historicamente apresenta melhor desempenho no interior. Ainda na capital, existe a possibilidade de Maria do Carmo estar à frente de Cidade.
“Quem estiver mostrando fora desse eixo aqui são outliers, na minha opinião. São outsiders aí que estão colocando uma outra forma. Eu já vi uma pesquisa em que a professora Maria do Carmo estaria na frente, considerando o estado todo, do senador Omar e de todos os outros. Eu acho isso difícil de acontecer”, disse Soares.

Quatro estruturas
Afrânio Soares afirmou que, nesta eleição, há quatro campanhas estruturadas para o cargo de governador, cenário diferente do observado historicamente no Amazonas. “Normalmente, nós víamos a situação versus a oposição e uma terceira via que ficava ali por volta dos 12%”, disse.
“Dessa vez, nós temos quatro candidaturas. Uma é a candidatura ideológica de Maria do Carmo. A outra é a candidatura de Omar Aziz, que tem viés ideológico, mas tem o apoio, principalmente, de uma imensa maioria dos prefeitos do interior. Ele é o candidato da maioria dos prefeitos do interior”, afirmou Soares.
“E tem as duas máquinas: a do Estado, da qual Roberto Cidade é candidato à reeleição, e a máquina da prefeitura, da qual o ex-prefeito David Almeida é candidato ao governo. Então, isso é inédito, realmente, e o que a gente tem visto é uma movimentação intensa”, disse Soares.
O professor observou que ainda não há candidato confortável com números favoráveis e aponta como evidência a participação dos quatro principais adversários nos debates promovidos pelas emissoras. Historicamente, segundo ele, candidatos em vantagem costumam evitar debates para reduzir a exposição a ataques.
“Você vê aí os dois últimos debates que aconteceram, acho até que os três últimos, se eu não estiver enganado. Nenhum candidato faltou. O do SBT local, o da TV A Crítica e o da TV Amazonas, que foi ontem, nenhum candidato faltou”, afirmou o professor.
“Normalmente, quando um candidato falta, é porque ele tem, de certa forma, alguma vantagem numérica sobre seus adversários. Nem o candidato, que seria o Omar Aziz, que tem notoriamente uma vantagem numérica, se deu ao luxo de faltar. Por quê? Porque sabe que quem faltar acabará por ser a vidraça da hora”, disse.
Soares também citou a ausência do presidente Lula no debate promovido pela TV Globo na quinta-feira (1º) como exemplo de comportamento adotado por candidatos em posição favorável.
“Então, isso foi também um ineditismo. Nas eleições anteriores, nós víamos o candidato que estava mais bem posicionado simplesmente negligenciar a maioria dos debates”, disse Soares.
“O da Rede Amazônica talvez tenha sido um dos poucos que levava, que é o último também, levava candidatos ao debate. Isso é uma outra questão inédita neste ano. E uma emoção que vai durar até o fechamento das urnas e o fechamento da apuração”, completou o professor.
